<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102</id><updated>2012-02-16T16:44:03.787-02:00</updated><title type='text'>no tribunal do rei escarlate</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-6806467861864699466</id><published>2011-07-25T23:47:00.001-03:00</published><updated>2011-07-25T23:47:33.928-03:00</updated><title type='text'>como você faz para ser tão pop no formspring? kkk</title><content type='html'>&lt;p class="formspringmeText"&gt;como você faz para ser tão pop no formspring? kkk&lt;/p&gt;&lt;p class="formspringmeFooter"&gt;    Answer &lt;a href="http://4ms.me/oC5GrR"&gt;here&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-6806467861864699466?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/6806467861864699466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=6806467861864699466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/6806467861864699466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/6806467861864699466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2011/07/como-voce-faz-para-ser-tao-pop-no.html' title='como você faz para ser tão pop no formspring? kkk'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-2405654300847380255</id><published>2008-09-14T15:22:00.001-03:00</published><updated>2008-09-14T15:22:53.448-03:00</updated><title type='text'>Variações</title><content type='html'>CONTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Momento B, Narrador 1:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Daniel então toca o interfone do prédio. O porteiro logo abre a porta. Trocam um boa noite enquanto Daniel se dirige ao elevador. 12º andar, apartamento 123. Enquanto a porta exterior do elevador se fecha, Daniel olha para os 4 cantos superiores em busca de uma câmera. Privacidade total. Assim que o elevador fecha a segunda porta, logo aperta o botão número 1. E o 2, e o 3, rapidamente, até o 11... Daniel senta no chão, em um canto do elevador, a cara enfiada nos braços cruzados sobre os joelhos levantados. Imóvel, enquanto cada um dos andares é anunciado em vão pela placa na respectiva porta. Atingido o destino final, Daniel se levanta, e sai. A luz do hall acende. O chão está cheio de poeira, a porta do 124 está quebrada, o apartamento está em reforma. Caminha lentamente até a porta, encontra-a trancada, toca a campainha de leve e aguarda. Nenhum som durante algum tempo. Daniel senta novamente no chão, desta vez colocando a mochila na sua frente. Esbarra sem querer na porta, o que interrompe o silêncio. Enquanto espera, ouve os barulhos dos motores dos elevadores, poucos andares acima. Cada vez que um dos elevadores pára em um andar, Daniel pode ouvir. Assim como as vozes dos passageiros, embora não possa discernir palavras. A luz se apaga - o sensor de presença não pode detectá-lo naquela posição. Privacidade total, novamente. Reconhece uma luz por trás da porta trancada, que alguém deve ter esquecido acesa ao sair. O próximo evento notável é a luz que o elevador faz ao passar pelo 12º andar, na ida e na volta. 25 minutos depois de ter sentado, Daniel levanta e caminha até o elevador. A luz do Hall se acende. Daniel desce, sem interrupções, troca um novo boa noite com o porteiro e também com um morador do prédio que estava entrando. Encontra-se novamente na rua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Momento A, Narrador 2:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Agora:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Eram 18h. Os sons do trânsito da cidade chegavam ao apartamento de Daniel de maneira ruidosa. Daniel havia cochilado, das 14 às 16 e pouco e depois tomado banho. Era sempre assim, cochilar de tarde nunca vinha sem um alto preço, o do resto do dia. Uma preguiça com poucos precedentes tomava seu corpo, e não havia nada que pudesse fazer, a não ser, talvez, barganhar uma nova troca com a noite: um copo de café recuperaria parte de suas energias, mas custaria a noite em claro. Não sei se por esse motivo, mas Daniel não tomou o copo de café. Ao invés disso caminhou até a sacada e observou a rua por alguns minutos. Tinha de matar tempo até que pudesse se encontrar com os amigos para estudar. Ou melhor, tinha de matar tempo para que pudesse ir sem trânsito à casa dos amigos. Por esse motivo jantou. E aproveitou a televisão ligada, que a companheira de apartamento estava assistindo. Quando percebeu os barulhos da rua diminuírem, telefonou para o dono da casa, no celular. Estavam pagando a conta em um café próximo, estariam dentro de casa em pouco tempo. As experiências do passado já antecipavam a possibilidade da turma demorar mais do que o previsto, entretanto preferiu pensar que não seria possível demorar muito em um lugar onde já se tinha pedido a conta, sabendo que uma visita chegaria em breve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Antes:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Essa não havia sido a primeira vez que falavam ao telefone naquele dia. Um bom tanto mais cedo Daniel havia ligado, perguntado por que motivo eles não tinham telefonado ontem, algo que ficara de certa forma implícito no "Amanhã vamos acordar mais cedo e podemos estudar juntos" que Daniel escutara anteontem. Depois de ouvir a explicação, Daniel combinou de encontrá-los mais tarde, quando houvesse menos trânsito. Antes de desligar, ainda conversaram um pouco sobre uma questão prática importante: anteontem, quando estudaram juntos, Daniel tinha estudado no sofá com o laptop no colo - a mesa da sala estava totalmente ocupada, bem como qualquer espaço da casa que ele poderia utilizar para estudar - eram 3 pessoas compartilhando um mesmo espaço, sem contar ele. Daniel sugeriu que todos estudassem na sua casa, mais espaçosa. Sua proposta foi recusada, pois o dono da casa precisava do próprio computador. Ficaram de dar um jeito nessa questão do espaço. Combinou de estudar uma matéria de um curso que fazia em comum com um dos amigos, portanto poderiam compartilhar o espaço dele. Daniel estava tão preguiçoso que nem sabia se conseguiria efetivamente estudar, então não era uma questão que o preocupava muito. Entre os dois telefonemas, Daniel ainda recebeu uma mensagem de texto do amigo no celular: "Dani, nao vou estudar dinamica agora. Estou estudando calculo e nao quero parar no meio. A gente estuda num outro dia. Beijos". Daniel se perguntou se o "a gente estuda num outro dia" não representaria um desejo de que ele não fosse à casa deles hoje. Respondeu com "Posso estudar outras coisas tbm...". Suas dúvidas foram sanadas com a resposta "Sim, sim. Leve outra coisa ;)" do amigo. Sua presença parecia desejada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Depois:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Daniel arrumou sua mala com cadernos e livros, tudo muito lentamente. Despediu-se da colega de casa e saiu. Não suportava televisão... Na frente de um prédio comercial, já na rua, viu uma mulher esperando sozinha uma carona. Também ele já muitas vezes havia esperado sozinho uma carona. Deu-se conta do fato de que, embora conhecesse muita gente, sempre estava sozinho. A maior parte das pessoas que ele conhecia andavam sempre na mesma turma, "faziam parte". Ele andava pela faculdade cumprimentando cada pessoa que passava. Achava que "fazia parte" de uma série de turmas. Mas muitas vezes comia sozinho, caminhava para lá e para cá sozinho, fazia esportes sozinho, estudava sozinho, viajava sozinho. Embora dividisse uma casa, não compartilhava uma vida em comum com sua colega. No ponto de ônibus encontrou uma mulher que trazia no colo um filho ou filha de apenas 4 dias. Isso era algo que ele nunca tinha visto - ficou até um pouco chocado que uma mãe pudesse transportar uma carga tão frágil e preciosa em um ônibus. A senhora com quem a mãe conversava não demonstrava muita surpresa... Embora Daniel não tivesse sinalizado para o ônibus, o mesmo parou para desembarcarem alguns passageiros. Isso o lembrou do dia anterior:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Lembrança:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Ontem, quando estava um pouco atrasado para encontrar um grande amigo para correr na faculdade (foi a primeira vez que Daniel correu, o que em última análise é o motivo dele se encontrar tão cansado no dia de hoje), Daniel viu do outro lado da rua o ônibus que deveria pegar (e que demora para passar), parado no ponto. Entretanto, a rua era muito movimentada, e ele não pôde atravessar a tempo. Depois de uns 20 minutos de espera, finalmente um ônibus da mesma linha apareceu no horizonte. Quando estava mais perto, Daniel sinalizou. Entretanto, ele passou reto, deixando-o abismado e muito irritado. Por sorte, o farol à frente estava vermelho, e o ônibus teve que parar. Daniel correu, bateu na porta. Entrou sem falar "boa noite" para o motorista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Voltando:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Daniel embarcou, dizendo boa noite ao motorista. Pagou ao cobrador e foi sentar ao fundo do ônibus. Prestava atenção no caminho, tentando ver quando enxergaria o túnel. Tentava se lembrar da referência que havia marcado para o momento certo de apertar o botão e descer do ônibus - o nome de uma rua, algum estabelecimento comercial... entretanto estava muito cansado e não se recordou de nada. Para piorar, um rapaz de mochila agora bloqueava totalmente sua visão. Decidiu perguntar ao cobrador. Encontrou seu caminho bloqueado pela mochila do garoto, então pediu licença. Logo deu-se conta de que fazia tempo desde a última vez em que pedira licença a um estranho. Nos últimos tempos estava inconscientemente tentando ser invisível, esgueirando-se tentando não esbarrar em ninguém, pedindo desculpas quando esbarrava. Isso o incomodava, portanto o pedido de licença que foi obrigado a fazer o agradou. O cobrador informou-o de que deveria descer no próximo ponto. Enquanto aguardava para atravessar a rua contemplava a quantidade de carros passando. Anteontem Daniel havia feito o trajeto inteiro a pé, com uma mala até mais pesada nas costas. Mas hoje estava cansado demais para isso. Subiu com alguma dificuldade a ladeira até o portão do prédio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momento C, Narrador 3:&lt;br /&gt;Enquanto se dirigia ao portão, Daniel viu um provável morador tocando o interfone do prédio. O porteiro teria de abrir a porta para que ele saísse, e Daniel montou rapidamente em sua mente a possibilidade da pessoa na porta não ser um morador - um dilema que teria de ser resolvido rapidamente pelo porteiro. Enquanto o morador abria a porta e entrava no prédio, Daniel pensava se seria uma boa idéia ir até um café, pedir uma água com gás ou outra bebida e ficar um bom tempo esperando... sentiria um pouco de vergonha ao encontrar sua colega de casa depois de tão pouco tempo - seu fracasso ficaria evidente. Avaliando essas possibilidades, Daniel quase perdeu a chance de dizer "boa noite" ao morador. Na rua ainda enrolou olhando para os dois lados, na esperança de encontrar os amigos voltando - isso mudaria totalmente seu destino, suas impressões. Ainda olharia mais uma vez para trás depois de começar a andar. Relutava em admitir a si mesmo que estava bravo. Chateado, sim. De qualquer forma, estava além de resgate - desligou o celular. Abandonou a idéia de ir a um café. Queria estar em casa, não havia necessidade de prolongar o dia. Queria dormir. Também queria chorar, mas segurou. Novamente entrou em um ônibus sem haver pedido para ele parar (a porta não ficava perto do motorista para que ele pudesse dizer boa noite). Talvez aquilo tudo fosse uma metáfora - talvez uma casa em que três pessoas podem estudar, mas não quatro, signifique alguma coisa. Tentou pagar ao cobrador, mas não havia troco, então tinha que esperar até que outros passageiros pagassem. Daniel se perguntou o que aconteceria se tivesse que descer antes de haver troco - provavelmente desceria de graça. Mas logo o cobrador encheu-o de moedas. Daniel pensou um pouco sobre qual era o lado do ônibus no qual teria que desembarcar, logo viu que a porta esquerda ficava mais para trás. Caminhou até perto da porta - era um daqueles ônibus articulados. Equilibrou-se na junção do ônibus enquanto fazia a curva, apertou o botão e desceu. Não se lembrava de ninguém de dentro do ônibus. Começou a andar em direção a sua casa. Olhou o relógio. Menos de uma hora havia se passado desde que anunciara que estava saindo para estudar. Daniel planejou o futuro: entrar, dizer que tinha muito sono, trancar a porta do quarto, chorar silenciosamente. Até lá tinha de manter afastada sua tristeza. Reavaliava na sua cabeça as teorias que tinha sobre o universo e nosso poder dentro dele. Por um lado, temos influência sobre o que nos acontece. Alguma coisa ele devia estar fazendo de errado para que tantas coisas ruins lhe acontecessem. Algo na maneira de estabelecer vínculos emocionais, talvez? Por outro lado, temos de considerar a poderosa força do caos: às vezes diversas coisas ruins ou boas podem ocorrer em sucessão, sem que se possa atribuir responsabilidade a alguém. Talvez ele estivesse fazendo tudo certo, mas o momento fosse ruim... pensou na numerosa lista de amigos, um por um. Apenas uma amizade parecia completa. Estava deprimido, isso já havia sido decretado ha algum tempo, e impunha sua prova. Cancelou em sua mente a balada combinada com esses mesmos amigos amanhã. Não havia nenhum sentido em balada nesse clima. O prédio já estava próximo. A necessidade de chorar aumentava com a necessidade de esconder a tristeza. "Vamos lá, Daniel, faça seu show, você é bom nisso!". Abriu a porta do prédio, foi até o elevador. Subiu até seu apartamento, abriu a porta. "Boa noite", ouviu. "Um amigo seu ligou". Isso não o interessava. Apenas respondeu que queria dormir. Boa parte do sono passou no momento em que começou a lacrimejar, seguro no quarto com a porta trancada. Não sabia se preferia o conforto ergonômico ou o conforto de abraçar o travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;Momento A, Narrador 1:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;Daniel tinha acordado ha pouco tempo e tomado banho. Às 18h saiu para a sacada de seu apartamento e observou a rua por uns instantes. Entrou e foi até a cozinha, onde encontrou sua colega de apartamento esquentando um prato de arroz, feijão, bife de frango e croquete no microondas. Daniel pegou com a mão um bife de frango gelado e comeu. Sua colega de casa fez uma cara chocada. Depois de comer os 3 croquetes restantes, voltou à sacada. Sentou-se no sofá e assistiu um pouco de televisão. Depois de um tempo disse: "Vou à casa de uns amigos estudar". Pegou o telefone, falou "Onde vocês estão? ... Ah, você acha que dá tempo para vocês chegarem antes de mim? ... Ok, então, estou saindo". Arrumou lentamente uma mochila com cadernos de papel reciclado e dois livros: "elementos de álgebra" e "fundamentos de análise complexa". Quando estava na porta, chamando o elevador, sua companheira de casa observou: "você não parece muito animado para ir" "ficar aqui também não faria muito por meu humor" "obrigado pela parte que me toca" "eu teria de estudar, aqui ou lá. Acho que mudar de ares me fará bem". Na rua viu uma mulher que aguardava à frente de um prédio de escritórios, com uma cadeira de rodinhas e uma sacola ao lado. Dobrou a esquina, caminhou até o ponto de ônibus, onde viu uma senhora conversando com uma mulher negra que trazia um bebê no colo. Conversavam sobre a criança, que a mãe dizia ter apenas 4 dias de idade. Daniel viu um ônibus chegar ao ponto. Ninguém fez sinal para que ele parasse, mas assim mesmo o ônibus parou para que alguns passageiros descessem. Daniel fez um sinal para o motorista abrir a porta e entrou. Pagou ao cobrador com uma nota de 2 reais e uma moeda de 1. Sentou-se no fundo do ônibus. Depois de algumas estações, levantou-se, pediu licença a um rapaz de mochila que estava fechando o corredor, caminhou até o cobrador. Perguntou: "O último ponto antes do túnel já é o próximo?", ao que o cobrador respondeu afirmativamente. Desceu no ponto seguinte, aguardou um demorado farol para atravessar a rua. Subiu a ladeira, sempre lentamente. Finalmente chegara ao seu destino, Daniel encontrava-se agora à frente do prédio nº 265.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Momento B, Narrador 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Agora:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;O porteiro permitiu que entrasse sem fazer nenhuma pergunta. Provavelmente lembrava-se de Daniel ter estado lá dois dias antes. Ou talvez pensasse que Daniel fosse um morador do prédio. Daniel entrou no elevador e, após verificar que não havia nenhuma câmera o vigiando, apertou, além do 12, todos os outros botões. Sentou no chão. Lembrou-se de um texto sobre como fingir ser louco em um elevador. Apertar todos os botões e sentar em um canto não estava na lista, mas certamente funcionaria. E se alguém tivesse chamado o elevador, entrasse e se deparasse com aquela cena? Por falar em loucura, aquela não era a primeira vez que Daniel parava em todos os andares até o 12º naquele elevador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Antes:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Mais de um ano antes, Daniel, os três amigos, sua então futura namorada (ficante na época), e mais duas pessoas, uma das quais por quem estava apaixonado na ocasião subiam naquele mesmo elevador, quando por impulso alguém apertou o botão nº1. Estavam exaustos depois de um dos mais importantes dias de suas vidas, quando todos haviam experimentado LSD, passeado pela Avenida Paulista e tido alucinações coletivas e individuais. Quantos "eu te amo" não haviam fluído naquele dia, quão verdadeiro, eterno e especial era aquele dia. Choraram juntos, riram juntos, tudo havia sido tão mágico... por que não segurar um pouco mais aquele momento incrível - "momento UM!" alguém disse, e logo apertou o 2. Em pouco tempo todos os botões já haviam sido apertados. Cada número seu momento característico, de forma que mesmo não tendo passado todo o efeito da droga, já estavam entediados e de saco cheio lá pelo "momento SEIS!".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Projeção:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Daniel se incomodava um pouco ao pensar nos momentos felizes do passado. Queria concentrar-se nas possíveis boas experiências do presente e futuro, conhecer gente nova... Sempre que tentava compartilhar com uma pessoa nova suas histórias, tudo parecia tão ficcional... era exatamente como uma pessoa que mentia para impressionar outras, gabando-se de algo que não possuía. Daniel sentia-se mentindo sobre uma felicidade que não era dele. "Que diferença faz se três anos atrás o senhor pescou um peixe de 30 quilos? Hoje estamos a comer peixe comprado congelado do supermercado". Seu passado tornara-se impróprio. Como criar um futuro sem possuir um passado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Depois:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Quando o elevador chegou ao destino final, Daniel saiu para o hall. Lembrou-se do barulho da reforma do 124 de anteontem. A porta quebrada era quase convidativa. Mas seus amigos moravam no 123. Só depois de verificar que a porta estava trancada é que percebeu o quão rude havia sido sua atitude de tentar abrir antes de anunciar a chegada. Tocou de leve a campainha e aguardou um pouco. Nenhuma resposta. Provavelmente ainda não haviam voltado do café. Nem pensou em ligar para eles do celular - ao invés disso sentou-se no chão em frente à porta para esperar. Logo a luz se apagou. O local era bem barulhento, devido aos ruídos do elevador. Daniel sentou-se na mesma posição de momentos antes: o rosto escondido nos braços cruzados sobre os joelhos levantados. Era muito agradável perceber que, quer mantivesse os olhos abertos quer os fechasse, veria a mesma escuridão. Uns 20 minutos se passaram sem que nada notável acontecesse. Daniel levantou-se, no caminho para o elevador as luzes do hall se reacenderam, causando um pequeno incômodo. Daniel desceu ao térreo, disse boa noite ao porteiro e saiu do prédio. Ainda olhou para os dois lados na esperança de ver os amigos voltando. Esperança... talvez também um pouco de medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Momento C, Narrador 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Agora:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Dois dias antes Daniel voltara a pé com uma mochila pesada nas costas, enfrentando uma noite fria e uma garoa. Na ocasião tinha a certeza de que não ficaria doente, de que poderia resistir qualquer coisa (e era verdade!). Voltara para casa confiante e elegante. Hoje, entretanto, estava atordoado e cansado. Pegaria um ônibus. De certa forma era bom que a hora de dormir se aproximava. Desligou o celular, como que para garantir que nada atrapalharia seus planos de dormir. Mais especificamente, desligou o celular para garantir que seu desejo de que os amigos ligassem para ele (pedindo desculpas e chamando de volta) não se concretizasse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Lembrança:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Enquanto caminhava para o ponto de ônibus, algo o lembrou de sua ex-namorada, antes de ser ex, antes de ser namorada. Lembrou-se de como ela havia sofrido por ele enquanto ele estava apaixonado por outra pessoa... como ela aceitara todas as condições para estarem juntos, sem namorar... seus amigos precisavam de alguém como ela. Ela poderia rastejar e sofrer por eles, com prazer. Essa não era a única lembrança que lhe ocorria na ocasião.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Antes:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Algum tempo antes um desses amigos disse ter ciúmes dos outros (que não os três) amigos de Daniel. Daniel na ocasião dissera a verdade: que eles estavam entre os amigos mais especiais. Por outro lado, sentia-se sozinho e necessitava pessoas que pudessem ocupar seu tempo. Essa verdade encobria uma outra verdade, não revelada ao amigo: Daniel não queria deixar morrer a possibilidade de encontrar outras pessoas especiais. Mas uma terceira verdade agora se erguia para justificar o comportamento social de Daniel: o de que esses amigos não bastariam para amparar a queda caso Daniel saltasse. Pois era ele quem havia de ligar caso desejasse vê-los, correndo o risco de não conseguir entrar em contato ainda que tentasse todos os telefones, como efetivamente ocorrera no dia anterior (apesar do suposto combinado).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Projeção:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Daniel recusava-se a admitir que estava bravo com os amigos. Preferia pensar que estava chateado, mas não muito. Precisaria apenas de uma pequena correção no seu comportamento, deixar que o sentimento do outro ditasse a intensidade do relacionamento... se o outro fosse atrás e demonstrasse amor, faria o mesmo. Caso contrário precisaria apenas aprender a regular suas próprias expectativas. Isso já havia acontecido uma vez, com uma ficante. Ao perceber nela uma certa falta de desejo de encontrá-lo resolveu esperar que ela lhe procurasse caso desejasse. Nunca mais se viram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Depois:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Entrou no primeiro ônibus, pagou ao cobrador e passou pelo ônibus como se o mesmo não existisse. Não olhou para ninguém. Apenas caminhou em seu passo lento daquele dia arrastado até seu apartamento. Ao chegar disse à sua colega de casa que estava com muito sono e foi para o quarto. Trancou a porta, deitou na cama e chorou silenciosamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Momento A, Narrador 3&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Apesar de ter tomado um banho, Daniel não se sentia totalmente desperto naquela tarde. Tinha a obrigação de estudar, havia combinado de fazê-lo na casa de amigos, como dois dias antes. Embora dois dias antes não houvesse estudado muito - apenas a parte que não necessitava de mais espaço do que um laptop: a casa era muito apertada e mal comportava o material de estudos dos três amigos. Uma passada pela sacada de seu apartamento lhe informou que o trânsito estava pesado naquele horário. Não havia muito sentido em sair agora. Pensou em tomar um café para passar o sono, mas devido ao sono acabou se esquecendo do café. Sentia-se arrastando o corpo e a mente por aquele dia. Os pensamentos passavam por sua cabeça sem deixar rastros ou conclusões. Foi até a cozinha, onde encontrou sua colega de casa esquentando um prato. Pegou um bife de frango de um pote que acabara de sair da geladeira e começou a comê-lo frio. Daniel ficou se perguntando se a cara de desgosto que sua colega fez era devido ao ato de comer uma carne gelada ou ao fato de tê-lo feito sem usar talheres... A televisão estava ligada. O barulho em geral o incomodava. Mas nesse exato momento parecia ser justamente o que precisava: jogar no lixo uma hora de sua vida. E essa hora passou como se não tivesse passado. O barulho vindo da sacada já indicava uma diminuição no trânsito. Anunciou que ia sair de casa para estudar com amigos. Pegou o telefone para saber onde eles estavam. "Estamos pagando a conta no café e já estamos saindo"..."Pode sair, nós chegaremos antes de você". Arrumou a mala com o material de estudos que muito provavelmente não usaria. Não entendia se o desânimo que sentia naquele momento tinha origem química ou psicológica. Mas estava estampado em sua cara. Tanto que sua colega de casa comentou "Você não parece muito animado para sair". Deixou escapar que ficar naquela casa não estava ajudando muito seu humor. "Obrigado pela parte que me toca", ouviu. Arrependeu-se do que disse e logo emendou uma meia-verdade, de que tinha que estudar e que preferia estudar acompanhado. A verdade inteira é que a televisão o irritava, alguém que estivesse fazendo companhia para a televisão não estaria fazendo companhia a ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Na rua lhe chamou a atenção uma mulher que aguardava na frente de um prédio de escritórios, com uma cadeira de rodinhas e uma sacola ao lado. Enquanto a observava pensava em quantas vezes não se sentira constrangido de estar sozinho. É tão raro ver alguém simplesmente sozinho, esperando. Achou que a mulher estivesse buscando o celular no bolso, para ligar para sua carona reclamando do atraso, para saber quanto ainda teria de esperar, para fingir que não estava apenas esperando, sozinha, sem nada para fazer, enquanto sua carona não vinha. Um cigarro também funcionaria. Mas tinha se enganado: a mulher continuou esperando. Daniel, que não estava esperando, seguiu seu caminho até o ponto de ônibus, onde outra cena chamou sua atenção: uma mulher negra carregando um embrulho de panos. Nesse embrulho, Daniel ficou sabendo pelo diálogo da mulher com uma outra senhora, carregava seu filho de apenas 4 dias de idade. Uma mulher, um monte de panos, um filho de 4 dias. Estava chocado! Como podia fazer uma coisa dessas? Daniel ficava imaginando a cara de desespero da mãe caso a criança batesse em algum lugar durante alguma sacudida mais violenta do ônibus. Uma carga tão preciosa, tão desprotegida. Um ônibus chegava. Enquanto tentava reconhecer a placa e lembrar qual ônibus deveria pegar, aquele parou para descarregar alguns passageiros. Daniel lembrou que qualquer ônibus serviria para esse trajeto tão curto - estava tão cansado que nem pensou em ir a pé. Sem se esquecer do "boa noite" ao motorista, sua mente cansada fazia de cada tarefa simples um desafio - procurar a melhor combinação de notas e moedas para facilitar o troco do ônibus, encontrar a melhor combinação de palavras para perguntar ao cobrador se o próximo era o ponto em que deveria desembarcar... E era.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Momento B, Narrador 3&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Na ladeira que levava ao prédio Daniel avaliava sua vida enquanto andava. Avaliava no sentido de verificar o valor. A possibilidade de um suicídio logo foi afastada de sua mente - não estava preso a uma situação sem solução. Antes de uma ação tão drástica seria obrigado a tentar algo mais suave, como mudar radicalmente de estilo de vida. Parar de falar com as pessoas que não interessavam, virar um vagabundo, viver à custa dos pais. Logo imaginou um diálogo com o pai. Algo em sua relação com o pai o incomodava muito. Queria falar ao pai que era gay e drogado, que não via sentido em inventar e sustentar uma pessoa fictícia para não desapontá-lo, que aquilo que ele havia se tornado era responsabilidade do pai também, e deveria aceitá-lo como ele era de verdade. O irônico é que a pessoa fictícia era esse que queria se assumir para o pai: Daniel não era gay, nem drogado. Mas havia alguma verdade profunda na sensação de estar sustentando uma imagem fictícia de si mesmo. Algo sincero na sensação de prisão, de não conseguir ser mais autêntico. Ainda lhe ocorreu a possibilidade do pai se suicidar, sendo sua culpa... quando tocou o interfone do prédio, o porteiro permitiu sua entrada sem lhe dirigir nenhuma pergunta, apenas respondendo ao "boa noite", de Daniel. Chegando ao elevador, enquanto a porta se fechava, o botão nº 12 já apertado, Daniel olhou para cima em busca de uma câmera. Não vendo nenhuma apertou correndo o botão nº 1. Será que daria tempo? Deu. Apertou rapidamente todos os botões até o 11 e sentou-se no chão, a cara escondida pelos braços no joelho. Por que havia feito aquilo? Nem ele mesmo entendia ao certo. Certamente queria roubar um pouco desse tempo intermediário para si - um tempo durante o qual os amigos poderiam chegar pelo outro elevador, se fosse o caso. Um tempo no qual poderia se indagar o motivo de não querer encontrar os amigos tão cedo. Não queria estudar, havia saído de casa meio que por inércia. Esperava alguma coisa. Apertara todos os botões para ter tempo de se indagar essa questão: o que esperava desses amigos? A resposta era simples e de certa forma inevitável - achava que entraria pela porta do 123 com a depressão estampada na cara, e os amigos logo o distrairiam com as conversas de sempre, o acolheriam, o distrairiam de si mesmo. Apertara todos os botões por um último momento dentro de si mesmo, antes da fuga, da sociabilização. Mas não deu tempo. O elevador já chegara ao destino. Abriu a porta, adiando as questões internas. A luz acesa do hall iluminou a porta quebrada do 124, que estava em reforma. Daniel tentou abrir a porta do 123. Estava trancada. Tocou a campainha, de leve. O silêncio que se seguiu levou Daniel a cogitar a possibilidade improvável do dono da casa não ter escutado a campainha. Se fosse o caso, Daniel eventualmente ouviria algum ruído vindo da casa enquanto esperava, sentado, com a mochila jogada à sua frente. Pensou em voltar ao salão do prédio e aguardar sentado no sofá. A privacidade daquele lugar era confortável demais. A luz apagou. Daniel estava invisível - nem o sensor o detectava. Ouviria muitos barulhos durante os 25 minutos em que esperaria, imóvel, na mesma posição que no elevador. Esses barulhos lhe provocariam uma série de pensamentos. Alguns jocosos, como a idéia de que alguém o estava seguindo, mas ficara desorientado com todos os andares nos quais o elevador parou. Em qual Daniel havia descido? Certamente não no 12, onde a luz estava apagada. Quando ouvia uma voz no elevador, sua mente enchia-se de uma esperança assustada - seu momento íntimo seria interrompido, e estaria numa situação constrangedora, sentado sozinho. Perguntava-se se escutaria risos e uma conversa animada do elevador, ou se os amigos chegariam sérios para estudar. Em um determinado momento o elevador passou reto pelo 12, iluminando passageiramente o hall. A iluminação promoveria outros pensamentos: será que precisamos piscar por causa da luz, ou por causa da convecção de ar que seca os olhos? A resposta óbvia veio com a sensação de início de lágrima devido à tentativa de manter os olhos abertos. Mas nem todos os pensamentos daqueles minutos seriam promovidos por estímulos externos. Daniel também pensou um pouco mais na sua relação com o pai. A cada pessoa nova que conhecia podia quase enxergar dentro de sua cabeça o pai apontando diretamente para os defeitos que julgava que a pessoa nova possuía. "Se eu acreditasse em Deus rezaria todos os dias para não absorver seus preconceitos" - em suas conversas fictícias era sempre muito duro com o pai. Porque seu pai fictício era muito duro com ele. E com os demais. Queria ter uma visão mais otimista dos seres humanos. Por que não dizer? Mais ingênua. Queria ver os outros com os olhos dos outros, julgá-los pelos seus valores característicos. Não conseguia. E o que essa visão tão cínica da qual não conseguia se livrar lhe impunha ao julgamento de sua situação atual? Resolveu voltar para casa. Algo de muito importante havia acontecido naqueles 25 minutos em que permanecera sentado. Algo que só se concretizaria mais tarde - ainda era cimento fresco. Enquanto descia sem interrupções, imaginava a possibilidade dos amigos estarem justamente subindo pelo outro elevador. Tarde demais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Momento C, Narrador 1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;O que sucederia na volta é muito simples: Daniel desligaria o celular, caminharia até o ponto de ônibus, pegaria o primeiro ônibus que parasse. Tentaria pagar ao cobrador com uma nota de 10 reais e 30 centavos em moedas, mas o cobrador não teria troco. Depois de um tempo o cobrador encheria Daniel de moedas. Daniel caminharia até a parte de trás do ônibus articulado, se equilibraria na junção enquanto o ônibus executaria a curva final. Desceria pelo lado esquerdo do ônibus, caminharia em um passo lento até seu apartamento. Entraria em casa e teria o seguinte diálogo com a colega: "Olá, boa noite" "Boa noite" "Um amigo seu ligou" "estou com muito sono, estou indo dormir. Até amanhã" "até amanhã". Entraria no quarto, daria uma volta na chave, deitaria na cama e choraria durante algum tempo. Um choro que não vinha só daquele momento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-2405654300847380255?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/2405654300847380255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=2405654300847380255' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/2405654300847380255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/2405654300847380255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2008/09/variaes_14.html' title='Variações'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-6695208147603448109</id><published>2008-02-24T22:35:00.009-03:00</published><updated>2008-02-25T09:09:27.386-03:00</updated><title type='text'>Substantivo</title><content type='html'>- André &amp;lt&amp;lt atordoado &amp;gt&amp;gt, ainda bem que tenho você. Não sei mais o que fazer, &amp;lt&amp;lt soluços medrosos &amp;gt&amp;gt vejo essa criatura medonha, seu vulto, seu rastro, passando ligeiramente atrás de mim pelo reflexo da janela nessa noite escura. Esse ser monstruoso é conjurado a cada vez que pronuncio seu nome terrível, "&amp;lt&amp;lt terrível! &amp;gt&amp;gt". Está me espreitando, me perseguindo, me atordoando. &amp;lt&amp;lt medo &amp;gt&amp;gt ... &amp;lt&amp;lt suspiro &amp;gt&amp;gt Mas com você ao lado sei que esse demônio inteligente, asqueroso, ágil, é apenas fruto de minha imaginação. Você não o viu nesse exato instante em que o conjurei, como senti acontecer, subir pelas escadarias que levam a meu quarto para aguardar-me no escuro, dentro do armário ou embaixo da cama. Você vai me afirmar que ele não existe, de que outro modo você estaria tão calmo, tão seguro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu caro Ricardo &amp;lt&amp;lt tranqüilo &amp;gt&amp;gt , essa criatura que você descreveu, que tem te perseguido e te atormentado por tantas noites, certamente não existe. Não vi nenhum vulto sinistro subir as escadarias para seu quarto. Se me permite, "&amp;lt&amp;lt terrível! &amp;gt&amp;gt" &amp;lt&amp;lt experimentando &amp;gt&amp;gt .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt&amp;lt silêncio &amp;gt&amp;gt &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt&amp;lt prendendo a respiração &amp;gt&amp;gt &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt&amp;lt descorando &amp;gt&amp;gt &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ricardo &amp;lt&amp;lt soluços de um choro irreprimível entrecortando essa fala &amp;gt&amp;gt , não sei como dizer isso, não sei se você acreditaria, não sei nem se eu mesmo consigo acreditar! Não posso mais te servir de apoio, consolo, proteção. Pois acabo de ver esse ser abissal, que agora também (sinto) me espreita, me aguarda, me agourenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-6695208147603448109?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/6695208147603448109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=6695208147603448109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/6695208147603448109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/6695208147603448109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2008/02/substantivo_24.html' title='Substantivo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-6775975930202769350</id><published>2008-02-16T17:14:00.001-02:00</published><updated>2008-02-16T17:15:55.559-02:00</updated><title type='text'>O conto abaixo</title><content type='html'>O conto abaixo foi iniciado no dia 18 de Janeiro de 2008, e terminado em 16 de Fevereiro de 2008.&lt;br /&gt;É o conto mais longo do blog, sugiro copiarem, colarem no word para lerem melhor (talvez imprimir). Espero que gostem, boa leitura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-6775975930202769350?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/6775975930202769350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=6775975930202769350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/6775975930202769350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/6775975930202769350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2008/02/o-conto-abaixo.html' title='O conto abaixo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-1890394610153063796</id><published>2008-02-16T17:10:00.003-02:00</published><updated>2008-02-18T14:21:03.382-03:00</updated><title type='text'>Prelúdio e Fuga em prosa menor</title><content type='html'>&lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText"&gt;Prelúdio&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Ariel sonhava um mundo possível dentro do nosso mundo, no qual o mendigo Vinicius era um superherói que não conseguia dinheiro ou uma vida digna por meio de seu heroísmo, a travesthy Madonna tivera no passado um duradouro relacionamento lésbico do qual florescera um filho ou filha alternando sob as influências libertárias de suas duas mães divorciadas. A liberal Elisa no ano que completaria sessenta anos comemoraria sessenta amantes (uma média de 5 por mês!), Leonel se deixaria seduzir por uma dominatrix, com quem teria emoções tão intensas que o absorveriam de todas as trivialidades que o atormentam a cada instante (que invariavelmente deixa(va) transbordar de si para afogar os circundantes). Nesse mundo sonhado, Ariel, a despeito de uma maldição que lhe havia sido jogada, de por onde andar apenas encontrar pelo chão moedas de 1 ou no máximo 5 centavos, ainda haveria de encontrar centenas de moedas mais valiosas, não parando nas de 1 real, pois as mais antigas, de colecionador, valeriam mais que seu peso em platina. Enquanto totalmente chapado, trazendo, além das alterações químicas vindas de fora, as veias carregadas de serotonina e adrenalina das noites de amor, prazer e dor consentida, olharia pela janela, para o escritório ao lado, e veria, para seu espanto (encanto), subvertendo a ordem da sociedade do consumo em prol de seus desejos primitivos irreprimíveis, as duas dentre quase mil e quatrocentas pessoas que a cada instante devem estar transando, considerando uma média de 15 minutos de sexo por semana por pessoa igualmente (im)prováveis em qualquer instante da semana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Fuga&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;1 - Ariel:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Qual o sentido da vida? Pareceria, a um observador de fora, como é o caso de Ariel, que para o mendigo Vinicius o sentido da vida estava em absolutamente todas as coisas, como o ar que respiramos. O fato de estarmos vivos para mais um dia... Para Leonel a vida era feita do cuidadoso planejamento para desfrutar da família e da arte em segurança. Elisa acreditava que o sentido da vida estava na felicidade, em sentir-se bem consigo mesma e desfrutar de todas as pequenas coisas prazerosas. Para o próprio Ariel, um ser curiosíssimo cujo maior prazer era a busca de objetos valiosos pelo caminho, aí estava o sentido de sua vida (uma versão distorcida do sentido de Elisa...). Madonna, por fim, via a vida como a constante e dolorosa afirmação de si mesma, como uma cicatriz que se faz ver por seu portador. Mas isso tudo, eu dizia, eram aparências absorvidas de fora, resumidas simplisticamente. Observemos mais de perto o caso de Ariel...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Quando pequeno, seu bisavô lhe trazia da rua pequenos objetos encontrados pelo chão. Por motivos já apagados pelas décadas, foi desse forte e feliz homem que Ariel herdou seu conceito de felicidade, e o ritual de caminhar pelas calçadas olhando o chão foi conservado até a idade adulta. O que fazia com os objetos encontrados variava... era muito comum lavá-los e entregar a alguma de suas paixões platônicas do presente, escolhendo a pessoa a quem o presente caberia melhor. Algumas das coisas guardava para si mesmo, como a ponta de um beck, guardado por meses até ser finalmente desfeita e ter seu conteúdo blendado a outra erva, sendo re-bolado em um novo cigarro utilizado em uma reunião de amigos. De todas as coisas que encontrava, não guardava muito carinho por "nenduas", desfazendo-se delas conforme a ocasião apropriada. havia um tipo, entretanto, do qual nunca se desfazia (a não ser numa ocasião em que precisou muito de dinheiro, tendo arrependido-se amargamente do ocorrido desde o fatídico evento): moedas. Em seus mais de 10 anos de perambulação atenta pelas ruas (antes da terrível maldição), acumulara porcos e mais porcos de cada tipo de moeda. E agradáva-lhe um estranho divertimento de dar a cada porco o nome de um compositor (o pobre César Franck, arrecadador das nobres moedas de 1 real, foi quem sofreu o assassinato que mancharia a alma de Ariel por toda a eternidade, tendo sido sua função transferida a Maurice Ravel e, quando este aposentou-se, Richard Strauss tomara a profissão).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Sendo Ariel uma pessoa muito culta e dada à leitura de contos fantásticos, uma fantasia lida prendeu sua atenção - a história de um colecionador de moedas. Não como ele, que gostava de encontrar suas próprias moedas, mas um rico e inescrupuloso comprador, tendo a seu serviço dezenas de confeccionadores de moedas, bem como informantes e ladrões espalhados pelo reino. Nessa história, ao final da vida desse burguês celerado, já não havia no mundo nenhuma moeda cujo tipo não encontrava semelhante na imensa coleção, ou que, de um novo governo em formação, não tivesse seu formato já previsto e esculpido por um dos artesãos do burguês. Após meses de desespero, um informante retornara de suas expedições com notícias de uma moeda encantada, a mais radiante e bela de todas as moedas. Uma moeda que, dizia-se, uma vez possuída, eliminaria qualquer necessidade ou desejo de outra moeda, a moeda para encerrar a coleção, a obra da vida do nobre burguês. Entretanto, para obtê-la, o inescrupuloso burguês teve de lançar mão de quase todos seus recursos e seu dinheiro (travou uma guerra particular, literalmente, contratando um exército mercenário), acumulando no decorrer uma quantidade copiosa de novos ítens numa coleção de espécie singular: a de inimigos. Obteve, por fim, a moeda tão desejada, do decepado braço de seu rival, mas a que custo... seus inimigos acabaram por arruiná-lo e seus miseráveis últimos anos deixaram-lhe, no momento da morte, como espólio a quem encontrasse (já que não tinha herdeiros), como únicas possessões os trapos que vestia e a encantada moeda, que provou-se amaldiçoada, pois cada um de seus detentores foi vítima de diversos tormentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Ariel era um humanista fervoroso e muito dado à filantropia. Não só lhe agradava presentear os amigos com os achados da rua, como dedicava quatro horas por semana a visitar doentes terminais do hospital perto de sua casa, ouvindo suas histórias e oferecendo-lhes às vezes uma visão de mundo com belezas sutis e que em alguns casos podiam até despertar centelhas de esperança nos enfermos mais sensíveis, recebendo em troca uma coleção de experiências e visões maduras de mundo, por vezes excessivamente pessimistas. Talvez Ariel desejasse um conhecimento transcendental, maravilhoso e único. Um desses pacientes, um senhor de quase setenta anos, padecia de um câncer fatal no pulmão em provável decorrência do vício do tabaco. Afeiçoaram-se um ao outro rapidamente. O Senhor W... ainda conservava um brilho nos olhos e o otimismo de quem encontra prazer em cada um dos últimos dias de sua vida. Suas histórias e estórias encantavam Ariel, e muitas delas ainda seriam escritas por ele em seus contos particulares. Seus ensinamentos moldariam para sempre a personalidade e os ideais de Ariel, que passava até mais do que quatro horas por semana com W..., contrabandeava-lhe cigarros, maconha e até cocaína numa ocasião, assim como muitos de seus achados. Pode-se dizer que W... era uma de suas paixões platônicas, até que um acontecimento o afastou para sempre de seu tutor (que morreu sozinho, arrependido) (embora seus ensinamentos e sua imagem tivessem permanecido com seu valor inalterado à lembrança de Ariel), assim como dessa mórbida forma de filantropia. É o que se narra no parágrafo seguinte:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;O senhor W... sabia que não lhe sobrava muito mais tempo de vida, e há tempos nutria um profundo desejo que tinha muito medo de não ver realizado e que por conta disso o impeliu a ser muito mais precipitado do que deveria... numa noite em que Ariel dormiria em seu quarto, depois de fumarem maconha clandestinamente, W... confidenciou que havia roubado uma coisa para ambos usarem, apresentando a Ariel uma cartela de Lexotan. Aproximadamente 30 minutos depois de tomarem dois comprimidos cada, ficaram muito sentimentais, chorarando juntos não por tristeza, mas pela emoção e pelo amor que tinham um pelo outro. Conversaram por bastante tempo, até que o assunto chegou na sexualidade. Ariel era bastante liberal, tendo diversos amigos gays e até uma amiga travesthy, Madonna. Entretanto, nunca sentira nenhum desejo por homens nem por travestis, apenas por mulheres (o desejo tímido e amedrontado de um adolescente inexperiente, embora Ariel tivesse 25 anos na ocasião, e algumas experiências com mulheres). W... lhe confessou ser gay, algo que Ariel já sabia. Depois disso, W... lhe confessou que sentia muito desejo por ele. Como em outras vezes que isso lhe aconteceu, Ariel logo pôs-se a afastar as esperanças do pobre W..., mas este soube usar dos sentimentos aflourados naquela noite, aos poucos foi convencendo Ariel de entregar-se a uma experiência. O amor deles ia além disso, W... era um homem deitado numa cama à espera da morte. Ariel estava especialmente carente, talvez devido ao efeito do Lexotan, e lhe agradava a idéia de oferecer ao seu ídolo um último prazer intenso. W... permanecia calmo e soube usar as palavras certas para acalmar Ariel, que a cada instante voltava a se assustar, mas não muito, talvez devido ao efeito do Lexotan. Foi convencido a desnudar-se e desnudar o velho, tudo muito lentamente. O corpo de W... causava um pouco de repulsa a Ariel, com sua púbis e próstata inchadas, seus testículos grandes e soltos na extendida bolsa escrotal, seu pênis, apesar de circuncisado, retraído com a glande parcialmente coberta por pele. Ariel, por sua vez, apresentava ambos testículos e pênis retraídos, talvez por receio. Começaram a acariciar-se mutuamente os genitais, e depois do que pareceu bastante tempo, o pênis de W... começava a apresentar sinais de ereção. O de Ariel, ao longo de toda a experiência, permaneceria flácido (talvez devido ao efeito do Lexotan). Encarava tudo como uma espécie de sacrifício pessoal em benefício de alguém que admirava muito. Deixou o velho tentar enrijecê-lo com o uso da boca, e depois de mais algum tempo acabou convencendo-se de fazer o mesmo por W... A experiência não foi muito além disso, W... dormiu fatigado e extasiado, e acordou sozinho em seu quarto do hospital. Ariel ficou bastante assustado, não soube como lidar com isso. Um dia iria aprender, e também estava fadado a levar para o túmulo o remorso por sua reação ao ocorrido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Aproximadamente um mês depois desse último encontro, bateram à porta da casa de Ariel. O Senhor W... havia falecido e deixado para ele uma caixa, assim como uma carta, na qual lamentava profundamente o ocorrido, esperava que Ariel não guardasse dele apenas a recordação ruim. No verso, dizia que havia guardado dele um segredo, de que fora detentor da tal moeda encantada que constituía a herança de Ariel. Dizia sobretudo para não temê-la. Os piores males de sua vida eram obra de suas próprias ações, não do encantamento da moeda. Não apenas isso, mas a moeda continha um encantamento positivo capaz de cosolar dos infortúnios nos quais se metesse e que a felicidade com que ele se apresentava a Ariel todos os dias desde o primeiro encontro era em boa parte decorrente desse encanto. Ariel abriu a caixa, e dentro dela resplandecia sua preciosidade. Nesse ponto, eu, narrador, uso um recurso muito antigo do qual particularmente tendo a abusar, que é o de apelar para a impossibilidade do meu teclado de computador registrar com letras uma beleza que em tanto ultrapassa as possibilidades das palavras. Incapacidade, preguiça, o que quer que seja.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Naquela noite, antes de dormir ou depois, Ariel sentiu um prazer tão intenso que só encontra paralelo em opiáceos. Ainda no dia seguinte ao acordar sentia seus efeitos etéreos. A possessão de um objeto tão valioso via como uma recompensa, não pelo sacrifício erótico a que se submetera, mas por todo um conjunto de valores pessoais que o levaram a procurar coisas valiosas no percurso de sua vida em qualquer que fosse a fonte: calçadas públicas, casa de uma travesthy, leitos do hospital. De fato, a moeda "encontrada" era tão valiosa que julgava jamais ser capaz de encontrar qualquer coisa comparável a ela. Suas buscas perdiam parte do sentido nesse momento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Na noite seguinte, Ariel teria um sonho do qual se lembraria em absolutamente todos os detalhes, algo até então inédito. Uma mulher muito bonita... uma deusa, para ser mais exato, de cabelos e pelos vermelhos, olhos verdes, tez rosada, envolvida em um vestido de tecido gasoso transparente e gelado. Dizia ser a alma da moeda encontrada. Que proporcionaria prazeres nunca nem ao menos sonhados, como os da noite anterior, enquanto mantivesse a moeda em sua possessão. Entretanto, tambem haveria de cuidar das necessidades dela. Paratanto, bastava de início que parasse de se doar tanto a compositores supervalorizados. Ariel neste momento fitou-a com uma expressão tão inequívoca de dor e sofrimento que a deusa se compadeceu. Uma concessão, neste caso: apenas a Schumann, o Louco, e a Schubert, o Miserável, seria permitido alimentar. E nem que tentasse, não encontraria meios de se dedicar a nenhum outro, a não ser que se desfizesse da moeda maravilhosa, que exigia para si por completo o altar de Beethoven. E esse altar não seria porco, mas gato. A deusa então desapareceu com o súbito despertar de Ariel, continente no meio da noite. Após usar o banheiro, voltou a dormir, sonhando novamente com a deusa Beethoven, que desta vez o presenteou com uma amostra do prazer que desfrutaria entregando-se a seu comando irrestrito. Era através de uma dominação extremamente sensual e controle completo de Ariel que ela despertava desejos que ele em vão tentara esquecer ao longo de seus anos. Esse sonho, no entanto, não pôde ser recordado em todos os detalhes, deixando apenas seu sabor na memória de Ariel: prazer e dominação. Mais especificamente, prazer por meio de submissão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Como pode-se supor, Schumann era o porquinho de 5 centavos, Schubert o de 1. Ariel ainda tentou em vão encontrar moedas mais valiosas pelo chão, por vários dias. Pesava os prós e os contras de ter um objeto que exigia tanta dedicação quanto Beethoven, mas o sentimento por tê-la encontrado superava infinitamente qualquer prazer conhecido até então. Depois dessa pequena rebeldia, resignou-se a aceitar o fim de sua coleção e parou de procurar objetos pelo chão. Por um lado, suas noites eram recheadas de amor, prazer e dor consentida. Seus sonhos um refúgio maravilhoso. Por outro, o sentido de sua vida havia sido procurar e encontrar coisas belas. Agora havia sido impelido antes de sua vontade a desfrutar do mais belo de seus achados. Seus amigos ressentiam silenciosamente o fim dos curiosos presentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Do sonho da noite de 31 de Março, Ariel lembrava o seguinte diálogo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Eu havia exigido o altar de Beethoven na forma de gato. Não vi nenhum esforço de sua parte nessa direção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Beethoven empunhava um chicote com o qual proporcionava prazeres que não convém ao tom desse conto descrever com muitos detalhes. Permito-me ressaltar ao leitor, entretanto, que, quando em sonhos, certos excessos não resultam em consequências prejudiciais à saúde do corpo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Mas como haveria eu de apreciar a visão tão bela de seu corpo físico quando este estiver dentro de um gato?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Apreciará quando quiser, isso posso lhe garantir. Sou e hei de ser sempre sua, enquanto me aceitar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Começou em Abril um novo projeto. Confeccionou ele mesmo uma escultura de vidro em forma de gato, com a moeda no centro. Assim ganhou duas coisas: poderia olhar sempre para ela, além de todo esse esforço ter sido muito apreciado e recompensado por Beethoven. Terminou no tempo exato de comemorar um ano de maldição. Ariel estava perdido. Era como um trabalhador que se aposentava. Qual seria sua função agora que estava impedido de fazer exatamente aquilo que em última análise o levara a Beethoven? Continuava adiando a reestruturação de sua existência, usando sempre como consolo o fato de a qualquer momento poder se desfazer de Beethoven. Apenas não desejava isso ainda. Às vezes enxergava esse fim, para então tornar a caminhar como antes, procurando... mas procurar o quê se já havia encontrado? Perto de Beethoven qualquer descoberta era pálida. Por outro lado, não podia sacrificar sua vida por um sonho. Por ainda outro lado (mas que polígono!), essa tendência vulgar de separar tanto as coisas, desconsiderar o sonho (8 horas por dia, um terço do tempo) como se não fosse parte da vida humana, era totalmente desprezada por ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Como era de se esperar de uma vida cujo refúgio de felicidade encontrava-se no sonho, Ariel passou a sonhar mais. Passou a sonhar desperto também. Em seus sonhos diurnos, sonhava um mundo possível dentro do nosso mundo. Mas depois de sonhar esse mundo por um tempo, sozinho retornou à realidade, e percebeu o quanto era infantil a visão de universo que gerava esse mundo dentro do nosso. Em seus anos de vivência já seria capaz de algo mais sensível do que isso. Então reestruturou sua visão sobre todas essas pessoas (com exceção talvez da idéia de Vinicius ser um super-herói), misturando o que sabia com o que inventava, dessa vez de forma mais coerente, gerando essas histórias seguintes:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;2 - Leonel:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Leonel era uma dessas pessoas para quem a risada era um ato essencialmente de comunicação. Por mais engraçado o que estivesse lendo (e não havia nada que ele fizesse com mais afinco do que ler), Leonel nunca ria sozinho. Entretanto, mesmo que estivesse desfrutando de um prazer tão solitário quanto a leitura, se houvesse mais alguém na sala, ria até mesmo das pequenas ironias sem graça de certos escritores. Na noite do dia 31 de Março, enquanto eu estava tendo um sonho molhado e prazeroso, Leonel em sua insônia lia um livro sobre uma sociedade na qual o poder de contar histórias (contos, como esse) era privilégio apenas de uma classe. Dessa forma, essa classe criava valores e ditava os rumos da sociedade. O fato era ilustrado por muitos exemplos de como nessa sociedade uma ficção podia moldar a realidade. Eu não saberia dizer se a história dessa civilização era real ou fictícia. Em casos como esse não chega a fazer diferença para mim, basta o fato de ser verossímil e coerente. Leonel era diferente. Leonel sabia se era "verdade" ou "mentira". Se fosse eu o leitor desse livro tão curioso, certamente teria passado os meses de Abril, Maio, talvez até Junho influenciado por essas idéias. Tanto poder nas mãos da criatividade! De que forma não seria a nossa realidade também moldada por ficções, contos, casos. Eu nunca fui assaltado, mas já ouvi tantas histórias... Mas o leitor desse livro nesse último dia de Março não era eu. Leonel, ao contrário, tem uma personalidade muito mais forte que a minha. Lia, guardava a história, começava outro livro e seguia o curso de sua vida inalterável. Talvez devido aos mais de trinta anos de experiências a mais que eu para diluir toda essa informação nova. Nenhuma dominatrix iria distraí-lo das banalidades da vida cotidiana que o incomodavam, pois não eram meras banalidades que o atormentavam. Eram banalidades, sim, os tormentos que deixava extravazar. Por exemplo, foi um dia com sua então mulher, depois de alguns anos de casado, numa lanchonete um pouco mais barata. Serviram os sanduíches, bem como os sachês de condimentos. Leonel abriu um sachê de ketchup e estava colocando no seu sanduíche, quando viu que sua mulher havia tentado abrir o sachê na vertical, ocasionando um rasgo nada propício para a saída da maionese que tentava colocar no seu hamburguer. Ela apenas comentou "detesto quando isso acontece". Leonel chegou a ficar bravo com ela. Na sua visão, sua esposa estava culpando uma espécie de força desconhecida por algo que ela havia causado e que estava no poder dela aprender o que fazia com que "isso acontecesse", desenvolvendo uma técnica adequada para abrir sachês de condimento para não ser condenada a passar o resto da vida reclamando quando "isso acontece". Por causa de casos como esse, em minha visão infantil, imaginava que uma dominatrix poderia distraí-lo de todas essas banalidades cotidianas. Não tinha parado para refletir que Leonel passara a vida em busca de um ideal de família do qual obtivera apenas pedaços distorcidos. Sua primeira mulher mudara de país com seus dois filhos, com os quais só conseguia falar de vez em quando a altíssimas tarifas de telefonia a distância. Isso sem contar a vez que ela mudou o telefone sem avisar ninguém, deixando Leonel desesperado atrás de uma maneira de falar com seus filhos. Vivia numa casa sublocada, com um salário indigno, o peso de três casamentos arruinados ("mulher dura pouco, mas ex-mulher é para a vida toda") e um histórico de depressão na família. As pequenas banalidades do dia a dia o lembravam do quanto seu ideal de vida teve de ser flexionado, fraturado, tudo por pequenas coisinhas, uma de cada vez. Para completar o quadro, já pertencia à mais antiga geração de sua família, a próxima a desaparecer. Seu consolo último era o desfrute, aos seus sessenta anos, de uma amante madura, embora dez anos mais jovem que ele:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;3 - Elisa:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;A liberal Elisa. Orgulhava-se por não ter tido filhos. Vivera a época entre a descoberta da pílula e a disseminação da AIDS. Quem a conhecia era influenciado por seus valores liberais - poligamia, libertinagem. Desde que, é claro, feitos com segurança. Elisa desprezara o casamento, desprezara filhos, a única coisa que prezava era sua liberdade, as infinitas possibilidades abrindo-se como a vagina de uma mulher quando estimulada... mas agora sentia que perdia uma parte inportante desses lábios de possibilidades. Não poderia mais ter filhos e era muito pouco provável que se casasse. Um caminho para o qual fechara as portas agora fechava as portas para ela. Elisa continuava não desejando filhos ou marido. Mas, ainda assim, era doloroso escorregar em direção ao vale de sua linha da vida. Ainda era desejada, sim, uma "coroa gostosa". Ainda poderia tirar cabaços de garotos tímidos na flor da idade. Mas... por quanto tempo? Quanto tempo até que a vida lhe fechasse a porta das possibilidades que a agradavam? Sessenta amantes aos sessenta anos, ah, como eu desejava que fosse possível! Tal como Sade, gostava de dar números aos desejos, passava tardes enumerando seus amantes imaginários de acordo com os gostos sexuais. Este entregava-lhe um "cinto-pinto" e queria ser comido por ela. Aquele fazia seu corpo curvar-se para frente enquanto segurava seus braços por trás, de maneira dolorosa, deixando-a totalmente incapaz de oferecer qualquer resistência ou fazer qualquer movimento, enquanto penetrava-lhe o que quisesse ouvindo seus gemidos. O outro queria que lhe chutasse o saco inúmeras vezes, até que se recolhesse em posição fetal em agonia e êxtase, numa espécie de preliminar antes de uma relação selvagemente prazerosa. Haviam os que tinham sua excitação redobrada ao ouví-la falar, "surpreendida", do tamanho enorme de seus pintos (que nem sempre eram grandes). Esses também gostavam de segurar sua cabeça durante a felação. Tinha aquele que não conseguia uma ereção até que ela lhe assegurasse que seu pênis tinha um tamanho normal (o que era verdade). Ainda havia um terceiro que gostava que lhe humilhasse ridicularizando o tamanho do seu instumento, rindo dele e desprezando sua capacidade como amante - lhe satisfazia com cunilingus pois gostava de pensar que era incapaz de dar prazer a uma mulher de outra forma. Ah como as mulheres eram diferentes (e em tudo que fazia por uma podia ter certeza de receber em troca uma amostra do mesmo tipo de prazer), havia uma que gostava de ser lambuzada com mel, depois lambida inteira. A brincadeira não acabava por aí - depois tomavam juntas um banho sensual de banheira durante o qual cada uma levava a outra ao orgasmo diversas vezes. Outra gostava de ser vendada e ter pedras de gelo passadas lentamente em seu corpo (mas não gostava nem um pouco de ter a pedra de gelo inserida em qualquer orifício seu). Uma segunda também era vedada, além de amarrada. Então Elisa deixava escorrer cera quente em seu umbigo, subindo pela barriga, até os mamilos. E ela realmente adorava. E as orgias... tinha uma garota que Elisa maltratava como a uma escrava, até que seu próprio dono chegava para castigá-las - um homem, e se fosse negro ainda melhor. Comia ambas de forma degradante, fazendo uma lamber na outra a prova de sua virilidade. Imaginar essas sexualidades diversas era uma de minhas fugas-de-realidade favoritas, e Elisa a representante máxima da possibilidade de conhecê-las todas. Palavras dela: "Que maneira melhor de chegar ao âmago de uma pessoa do que encenando suas fantasias? Se uma pessoa sente-se à vontade para realizar com você uma fantasia, o que ela lhe ocultaria? Se você deseja compreender realmente os outros seres humanos, é imperioso que se transe com eles". Elisa era psicóloga. Freudiana, mas havia passado por uma fase reichiana. As pessoas em geral não gostam de Freud - sentem ao entrar em contato com suas idéias de que o ser humano é uma máquina de acumular doenças. Preferem pensar que o passado é apenas uma fonte de experiências que elas irão dispor como preferirem. Não gostam da idéia de que o comportamento e até parte da personalidade delas tenha causa específica. Me diga um livro de auto-ajuda que não despreze Freud? Que não diga que temos o poder de moldar nosso futuro independentemente de nossas origens? Outra coisa que as pessoas não gostam é da idéia de que a origem de todas essas doenças está ligada a nossa sexualidade. Preferem pensar em sexo só quando estão lúbricas (ou quando esse interesse lhes é explorado para vender algum produto), reduzir sua importância e viver duas vidas separadas, dando até um nome especial para a outra vida, a Vida Sexual. Outras pessoas agarravam-se à sua sexualidade com tal força que eram forçadas a passar a vida afirmando-se como ser existente, para não desaparecerem. Numa eterna luta para ser aceita pelos outros (para assim finalmente provar a si mesma sua auto-aceitação) encontrava-se a vizinha de Elisa, representante dessa difícil afirmação da própria sexualidade à sociedade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;4 - Madonna:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Madonna tinha aversão a amapoas (as travesthys absorveram muitas palavras da língua africana bajubá, que se tornaram gírias próprias, expandindo-se para outras partes da comunidade gay. Uma possível explicação para a relação entre a língua africana e o modo de vida das travestis é o fato de muitas terem um lado bruxa, frequentando terreiros de umbanda e candomblé, sendo essa cultura muito mais receptiva e amistosa ao modo de vida travesthy do que qualquer outra). Embora pudesse ser uma boa babá, jamais seria capaz de fazer uma criança. Situada numa sexualidade que ultrapassava as barreiras de gênero, era procurada por ocós que desejavam uma Gisele Bundchen com neca, um nicaô para comer-lhes o edi. Mas, como a maior parte das travas, Madonna se entregava a esse ato apenas para agradar ao parceiro ou para conseguir aqüé nos tempos em que fazia programa. Seu maior desejo sexual era poder agir como a amapô que era, entregando-se ao sexo de forma passiva, algo raramente permitido a uma trava nos seus encontros sexuais usuais, que são os casuais. Apenas em relacionamentos mais estáveis obtinha esse tipo de satisfação. Madonna lembrava que a música Geni e o Zepellin, de Chico Buarque, é o canto de uma travesty. Perseguidas pela sociedade (mais de uma vez Madonna apanhou na rua sem motivo aparente), consideradas o lixo do lixo, eternas habitantes do submundo. Foram elas que levantaram a bandeira para a causa gay na maior parte do mundo (inclusive, Junho é mês do Orgulho Gay por conta de um evento na madrugada de 27 para 28 de junho de 1969, quando um grupo de drags e transformistas foi assediado por alibãs no bar Stonewall, em New York, resistindo à prisão e iniciando um conflito que duraria três dias, até que o prefeito se comprometeu a encerrar a perseguição de gays, lésbicas e transgêneros). Em São Paulo, no primeiro esboço de parada gay, um ato na praça Roosevelt reunindo cerca de 500 pessoas em 1996, eram na maioria drags e travestis, pessoas sem medo de se expôr, que iniciaram o movimento pelos direitos da diversidade sexual. Depois são obrigadas a pagar mais caro e restritas a certos ambientes em baladas gays que provavelmente nem existiriam sem a luta delas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Mas para além do ativismo político havia uma pessoa, originalmente um ocó, que teve de se romper em mil pedaços para tomar essa decisão que moldaria todos os dias de sua vida. Transformar-se em uma cicatriz para o mundo, o retrato do que as pessoas não querem ver. E para justificar a si mesma, encarar o papel de mártir em todas as suas facetas - viver cada noite numa empolgação confundida com cocaína pelos demais - mas sem nunca usar drogas, ajudar os necessitados, sustentar a família que um dia a expulsou de casa e encarar o fato de apenas se mostrarem amigáveis por ser ela quem traz o dinheiro. Enfrentar as intrigas dos colegas de trabalho, sua indignação por ela existir. Resignar-se a migrar de local de trabalho o tempo todo. É claro que havia uma válvula de escape: Madonna escrevia aquele grito tão alto que não gritava (ou que quando gritava ninguém ouvia). Acostumada a se expor, atualizava um fotolog com fotos suas bastante sexualizadas, acompanhadas dos textos que comprovavam sua autoconsciência - do que representa para si e para os demais - um escombro, um perigo, um incômodo, sexo sem corpo. Em seu fotolog vomita as mágoas de uma existência tão difícil - é difícil para Madonna existir. E os visitantes comentam, mas nem sequer entendem aquilo que ela escreve, apenas acham bonitinhas as fotos. Cada um vê nela o que quer ver. Para aqueles que julgam sem conhecer, era uma caricatura do que há de mais promíscuo e vulgar no mundo, um ser reduzido a sua sexualidade. Para outras travestis e pessoas iniciando-se no universo transformista, era uma guia espiritual, culta, inteligente, uma veterana de tudo que havia para se viver nessa vida, com suas classificações dos tipos gays que habitam o mundo por aí, seu domínio do dialeto travesthy, a grande e protetora anja Madonna das transformistas. Para mim, Madonna era a representante dos mártires dos dias de hoje, com sua conduta perfeita para nunca ninguém poder dizer que merecia as condições na qual vivia. Uma amapoa altamente sexualizada, com poderes de deixar constrangida qualquer pessoa não habituada ao seu mundo. E também um ser humano muito inteligente, melhor escritora do que eu. Uma vez eu estava fazendo uma peça sobre um rapaz que refletia sobre o suicídio na beirada de um prédio, com a peça terminando antes da conclusão. Madonna me disse que o rapaz devia refletir sobre o suicídio olhando a xícara de chá que acabavam de lhe ser servir num café. O suicídio era uma indagação cotidiana, não o ápice de uma vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Na noite do dia 31 de Março, Madonna ouviu a campainha. Lembrou-se que tinha oferecido a casa para um amigo que vivia na rua tomar banho e talvez dormir no sofá. identificava-se com ele pela solidão em meio à maior metrópole da américa latina. Antes de tudo, acomodaram-se na mesa de madeira da sala para uma conversa amigável.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;5 - Vinicius:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Já te contei de como acabei parando na sarjeta?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Você me disse que uma ou mais amapoas acabaram te arruinando. Ocó esperto vai atrás de ocó...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- As mulheres só nos amam enquanto temos dinheiro. Depois elas vão embora e a gente continua mandando dinheiro...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Aceita alguma coisa?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Um copo de água.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Ainda bem, pois não tenho cerveja em casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Silêncio enquanto separados pela parede da cozinha&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Bonito seu mural de recados&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Ah, lembra aquele bofe que colecionava moedas que você conheceu aqui? Ele que fez esse mural com placas de madeira e isopor que encontrou na rua, e papéis de chocolates, balas, etc.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Ah, sim, o garoto que andava com a cabeça baixa mesmo feliz, procurando coisas pelo chão. Espero que esteja bem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Não sei dizer, nunca mais nos falamos. Como vai você?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Precisando desabafar. Sabe, andar na rua é uma coisa complicada. Sempre tem alguém pra te ajudar, até quando você não precisa. Já fui daqui ao mar andando, e não faltou nada. Ah, mas de vez em quando as pessoas decidem te ignorar, e como dizer isso... já cheguei a pensar que era invisível. Sabe, você fala com uma pessoa, não precisa nem pedir nada. Ele passa os olhos rapidamente por você, depois vira para frente e finge que você era só uma ilusão de ótica. Preferia que a pessoa simplesmente falasse, sabe, "sua existência me incomoda", aí eu pelo menos podia ter certeza que existo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Quer tomar um banho?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Obrigado, já vou. Madonna, sabe, quando te conheci nunca achei que você pudesse ser uma boa pessoa. A gente vem carregando tanto preconceito... mas hoje, quando penso em você, você é a pessoa que mais confio. Na verdade, a única pessoa que confio. Eu nunca desabafo com ninguém, sou uma pessoa muito alegre o tempo todo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Ah, eu sei como que é. Eu nunca fico reclamando da vida verbalmente, você sempre vai me ver alegre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Sim, mas com você é diferente. Eu me sinto à vontade para derramar sobre você aquilo que sou realmente, para ser pessimista, para pedir apoio. Apoio emocional, pois dinheiro ou chuveiro muita gente pode me dar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;(e você nunca vai fazer o mesmo por mim. Mas tudo bem, já estou acostumada a essas coisas...)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Madonna, eu queria te contar uma coisa que nunca contei a ninguém...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Ah, e o que é então?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Eu não falei a verdade sobre como acabei na sarjeta. Ah, se eu soubesse que ia acabar assim tinha atravessado a fronteira do México com os Estados Unidos com meu irmão. Ele está muito bem hoje, e eu tentando recuperar o que perdi... queria minha conta bancária, meus números todos de volta. E também um lugarzinho para morar, com carro na garagem... ah mas eu volto a ter isso, vou voltar a cortar cabelos...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Meu bem, páre de tergiversar e conte logo!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Eu tenho tanta vergonha disso, me sinto tão burro, eu que sempre me achei inteligente. Nunca terminei os estudos, isso é certo. Mas me achava muito mais esperto que todo mundo. O que acontecia com os outros não ia acontecer comigo, porque eu era esperto. Quando eu estudava tirava mais nota que todos os meus colegas, saí porque meu pai me fez trabalhar...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Por que você está na rua, Vinicius?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Por causa de drogas. Não me olhe com essa cara de "é sempre assim", comigo foi diferente, acho. Eu sempre soube que não era para tomar essas merdas todas. Eu não era idiota. Mas eu tinha encontrado a fonte da felicidade, sabe? Uma pílula da felicidade! E eu não ia ser idiota de reduzir minha vida a isso, igual vi meus colegas fazerem. Eu tinha nas minhas mãos o segredo do universo, e fiquei dias pensando no que fazer com aquilo. Sabe, a felicidade tem uma razão de ser na nossa vida, foi isso que concluí.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;(Tem ela uma razão de não ser na minha vida também?)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- A gente não pode simplesmente ficar brincando com ela, sabe, de repente ao invés de sermos recompensados por fazermos algo bom de nossas vidas, a felicidade nos é dada como recompensa por engolir um tóxico... isso não está certo, e só pode dar errado. É por isso que não era para acontecer comigo. Eu sabia disso. Mas eu queria ser uma pessoa feliz, e aquilo era felicidade de verdade. Então estabeleci uma regra: eu ia me recompensar por tudo que fizesse de bom, por mim e pelos outros. Ia ser igual Deus nos fez, com a diferença que eu seria MAIS feliz do que o normal... minha vida ia ser ótima. E foi... até que... bem, na época eu não era mais engraxate, já estava cortando cabelos há treze anos. E tudo ia muito bem, todos gostavam de mim pois eu fazia bem a todo mundo, minha vida profissional estava estável, casado e com duas filhas, e um estoque de felicidade escondido atrás da geladeira. Só que não acontecia nada na minha vida que me fizesse feliz. As coisinhas do dia-a-dia como um cliente que saía satisfeito, a Luiza voltando com uma nota alta da escola, um boquete da mulher, essas coisas não me faziam mais feliz, e sem me sentir feliz eu me policiava pra não tomar a pílula da felicidade, mas eu já estava de saco cheio. Então comecei a fazer boas ações, doava dinheiro, ajudava as pessoas, pra poder tomar a pílula. Quando as coisas começaram a ficar difíceis, a Fran foi embora, ou melhor, eu fui embora, deixei a casa, o carro, etc. É por causa disso que não me sinto mal de dizer que foram as mulheres que me deixaram na rua... só que na ocasião eu fiquei num hotel. Eu ainda tinha emprego... só que eu tava desesperado, viciado em felicidade. Rapidinho perdi o emprego... ah, você pode imaginar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- E aí?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- E aí nada, acabei ficando viciado em fazer o bem, só que era muito mais fácil fazer para os outros do que para mim. Quando passava o efeito da pílula eu me sentia um lixo. Fiquei anos sobrevivendo desse jeito. Cheguei a me machucar seriamente para ajudar uma mulher num acidente, pra poder tomar aquela droga.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Eu joguei tudo fora. As pílulas, digo. Faz mais de um ano. Às vezes me arrependo, sabe? Faz mais de um ano que não sinto felicidade... no máximo aquele comecinho que antes fazia eu engolir uma pílula e ficar extasiado por horas. E parece que ela não chega mais, sabe? Mas eu vou reconstruir minha vida, voltar a cortar cabelos, ter casa, carro, visitar minhas filhas... e não vou mais tomar aquelas pílulas, mesmo que eu nunca possa ser feliz...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- vou tomar meu banho agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Vai lá. Tem toalha na gaveta de baixo, eu te empresto uma roupa minha de quando me fantasio de ocó. Eu também trabalho de vez em quando, "sabe?"&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Não precisa, eu trouxe uma roupa na minha maleta. Obrigado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-1890394610153063796?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/1890394610153063796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=1890394610153063796' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/1890394610153063796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/1890394610153063796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2008/02/preldio-e-fuga-em-prosa-menor.html' title='Prelúdio e Fuga em prosa menor'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-7862524117505467439</id><published>2007-12-05T10:00:00.001-02:00</published><updated>2007-12-05T13:17:05.459-02:00</updated><title type='text'>Meu segundo coração</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Vocês já foram a uma feira de antiguidades? Dependendo do dia tem no pátio do MuBE, no vão do MASP... em geral as peças encontradas lá são muito caras, não é como se fosse um sebo, no qual se encontram livros valiosíssimos por 1 real. Entretanto, outro dia meu pai me levou a uma, não lembro onde era, que não era tão cara. E de todas as coisas que haviam lá, tinha uma espécie de escultura de cristal, muito complexa, que eu não saberia descrever (eu tentei mas ficou ruim e achei melhor apagar), estava bem conservada, era muito antiga e essa escultura não estava cara, e eu consegui convencer meu pai a comprá-la (para mim). É uma sensação muito boa quando o Destino permite que uma pessoa como eu tenha acesso a uma coisa dessas, que só pode ter pertencido a aristocratas em outros tempos. Eu guardei a escultura no meu quarto, num móvel que fica de frente para a cama, e eu passava horas e horas admirando. Às vezes, quando eu ia ficar muito tempo no computador, mudava a escultura de lugar para ficar mais fácil de olhar para ela. Foi numa dessas vezes que eu acabei esbarrando nela sem querer, e um pedacinho se soltou. Quando eu volto da escola eu fico sozinha em casa pois meu pai trabalha, e eu estava sozinha quando isso aconteceu. Quando cristal quebra ele faz um som muito agudo, parece uma fadinha chorando. Peguei um super-bonder que tinha na geladeira e colei o pedacinho que tinha caído. A escultura é muito intrincada, e para colar o pedacinho acabei cortando o dedo. Não ficou igual era antes, agora tinha uma rachadura. Depois dessa vez, a escultura quebrou ainda muitas e muitas vezes, e eu sempre conserto sozinha, às vezes de madrugada, às vezes à tarde. E até agora não consegui consertá-la nem uma única vez sem machucar minha mão, já me acostumei com esse "custo". E cada vez ela vai ficando mais marcada, o tipo de coisa que diminui o valor dela para um possível comprador no futuro, mas que a mim só a torna mais cara... pois cada rachadura (e cicatriz) é uma lembrança, é algo que me diz respeito e que a torna mais complexa. Meu pai um dia viu minha mão e ficou até assustado com a quantidade de cortes que ela tinha. Me perguntou o que estava acontecendo, e eu expliquei que tinha cortado consertando a escultura. "Mas tantos cortes assim!?" "É que ela quebrou várias vezes...". Me disse que caso acontecesse de novo para deixar que ele consertava para mim. Menti que sim, para ele não ficar triste. Mas não ia deixar ninguém nesse mundo consertar a minha escultura. Quando eu colo um pedaço um pouco torto, ou quando falta uma lasca, continuo a achá-la tão linda quanto antes, mas se outra pessoa fizesse isso ia achar que tinham-na estragado. Da última vez que a escultura quebrou (faltei na escola ontem consertando...), caíram 4 pedaços, um deles bem mais profundo que os outros 3. Mas se eu consertasse qualquer dos 3 antes, minha mão não ia alcançar o outro pedaço. Quando enfiei minha mão para colar esse pedaço, as farpas dos outros três rasgavam meu punho, e mesmo sentindo toda aquela dor e o risco de me machucar seriamente, preferia terminar o que tinha começado. Ia ter que passar por aquilo de qualquer forma (e imagina se a mão grande do meu pai ia alcançar aquele lugar...). Sabe, meu maior medo nessa vida é um dia deixar a escultura quebrar de uma forma que eu não consiga consertar... ver todos os pedaços no chão, acho que ia ficar meses tentando encontrar uma maneira de colar. No final ia pegar um pedacinho mais bonitinho, guardar numa caixa como lembrança do que já tive e que não soube conservar. Quando minha mãe morreu, meu pai me disse que ela agora estava com Deus, e que quando Ele achasse que era nossa hora, a gente ia poder encontrar de novo com ela. Isso me ajudou muito a enfrentar a ausência dela. Se minha escultura de cristal quebrar, ninguém pode dizer que vou encontrá-la numa próxima vida...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-7862524117505467439?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/7862524117505467439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=7862524117505467439' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/7862524117505467439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/7862524117505467439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2007/12/meu-segundo-corao.html' title='Meu segundo coração'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-2715975213160002681</id><published>2007-05-03T12:42:00.000-03:00</published><updated>2007-05-05T16:31:08.291-03:00</updated><title type='text'>apagado</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-2715975213160002681?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/2715975213160002681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=2715975213160002681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/2715975213160002681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/2715975213160002681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2007/05/recordao.html' title='apagado'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-5349760206363053057</id><published>2007-03-12T23:39:00.000-03:00</published><updated>2007-03-12T23:46:44.524-03:00</updated><title type='text'>o conto abaixo</title><content type='html'>foi escrito aos meus 17 anos, participou de uma competição de contos restrita ao 3º ano do Colégio onde estudava e não foi o ganhador. Apesar disso ainda gosto dele e considero-o meu primeiro (ou segundo) conto sério.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-5349760206363053057?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/5349760206363053057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=5349760206363053057' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/5349760206363053057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/5349760206363053057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2007/03/o-conto-abaixo.html' title='o conto abaixo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-4304832307191619361</id><published>2007-03-12T23:33:00.000-03:00</published><updated>2007-03-12T23:39:24.508-03:00</updated><title type='text'>Ano novo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;ANO NOVO:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;AH! Como envelheci depressa! E nem barba tenho na cara ainda!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;De início tudo era maravilha. Aprendi ler e escrever com 4 anos. Já trabalhava aos 7. E o computador... os velhos tudo babando enfrentando o duplo-clique e eu na programação de um jogo IF X&lt;=32 ELSE GOTO 35 PRINT $"STRING 73" X+=1 LOOP. E aos 10 já ficava, beijava as menininhas. E com 14 experimentei tudo quanto é sexo, com um sexo, com outro sexo, com os dois de uma vez e mais uns objetos. E aos 15 discutia filosofia pedantemente, assim como os mais intelectuais jornalistas. E descobri o que se descobre apenas uma vez na vida, e aqui exponho na forma de estorinha:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;AQUILO QUE SE DESCOBRE UMA VEZ NA VIDA - POR: MIM.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;"Um dia estava vendo TV e era uma série sobre um cara que perdeu a memória e eu era muito pequeno e não entendia como que o cara conseguia se lembrar de todas as palavras e todos os objetos e sabia o que era avião mas não sabia o que era a mãe dele nem a mulher dele. Perguntei pra mim mesmo, e me respondi, na idade adulta, que a pergunta maior é como é que o cara que escreveu a história sobre o outro cara que pegou amnésia sabia como era não saber quem é nem quem são as pessoas ao seu redor, e como é que quem assistia, incluindo eu muito pequeno e eu adulto, conseguia se identificar com aquela situação tão absurda que é saber de tudo mas não saber o mais fácil de se saber. E ao fim da vida descobri que é tudo muito mais fácil de entender, que eu tinha passado a vida inteira assim como o cara da amnésia que a vida toda estive perdido, que ao longo da vida a gente se encontra várias vezes, mas que é sempre por curto período de tempo e que no mais a gente é mesmo é perdido e muito menos conhecemos as pessoas à nossa volta."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;E depois perdi o ânimo. Vejo meus colegas conhecendo novos programas, testando novos LINUX sistemas operacionais e novos sites e novos prazeres e eu casei e fico com minha mulher fazendo papai mamãe porque é mais rápido que ficar batendo punheta o dia inteiro e me sobra tempo pra reler antigos livros e principalmente os que escrevi e fico na segurança do meu velho WINDOWS sistema operacional e me irrito com o pessoal me empurrando um novo site que eu sei que é a velha mesma porcaria de sempre que não serve pra porra nenhuma. E fiquei velho e ranzinza e mal comecei a maioridade. A única coisa de fantástico e fuga de realidade que me encontro é viajar que se eu já sou velho aos 18 anos o que será de mim com por exemplo 30 anos? Não falta muito mais e mais é morrer e que nível atingirei? O homem mais velho do mundo aos 20 anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;Foi então que um dia cheguei em casa irritado porque na minha época eu não podia perceber mas hoje é fácil que todo mundo é egoísta e eu não consigo atravessar a rua porque um idiota passou no vermelho porque achou que era mais importante que os outros e que como não tinha carro atravessando... e o de trás fez a mesma coisa e eu fiquei com cara de bunda pensando que eu já tinha passado aquela fase e aqueles que estavam atrás em maturidade estavam na frente em realidade e eu não consegui atravessar a rua e ao invés disso olhei a propaganda e me irritei porque hoje não tem nenhum lugar que se possa pousar os olhos sem que alguém tente te empurrar alguma coisa e eu nem gosto de Coca-Cola nem de olimpíada muito menos quero um chaveirinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:14;"  &gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;E como eu ia dizendo, porque mesmo que eu pense pra caramba eu nunca me perco (ao menos por enquanto) (quem sabe seja essa a próxima fase de minha vida acelerada (a caducagem)), e como eu ia dizendo nesse dia eu cheguei em casa e quando eu dei um beijo na minha mulher ela percebeu que eu tava irritado ou ansioso ou qualquer coisa e riu na minha cara e falou que o bebê de não sei quem tinha nascido há mais de um mês e que eu era como uma criança que era egoísta e hiperativo que não via a beleza ao meu redor porque não queria, e ela falou como se ela fosse muito superior e já tivesse passado essa fase há muito tempo (e tudo é fase e é rápido porque é igual no videogame) e eu me irritei com a prepotência dela mas eu sei que no fundo eu fiquei refletindo que quem sabe talvez chegue uma hora na vida assim como no fim da série da televisão que a gente bate a cabeça e volta a lembrar quem a gente é e quem são as pessoas ao nosso redor e eu realmente devia parar de tomar cocaína que é a droga da vida agitada moderna que não dá tempo da gente se perceber e eu sou casado há mais de ano e não conheço minha mulher nem o marido dela, e antes de dormir quando eu tava apreensivo ela viu que eu tava diferente e teve a sensibilidade de perceber que aquela era a hora certa de contar ela estava grávida e a gente ia ter um filho e naquele momento eu nasci também pra descobrir que ao longo da vida a gente nasce várias vezes e nasci sabendo o que era que vinha depois que a gente fica muito velho e acha que o que vem é a morte mas na verdade é a vida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-4304832307191619361?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/4304832307191619361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=4304832307191619361' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/4304832307191619361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/4304832307191619361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2007/03/ano-novo.html' title='Ano novo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-2753401984280794969</id><published>2007-02-20T21:43:00.000-02:00</published><updated>2007-02-20T21:53:33.614-02:00</updated><title type='text'>O tédio é o pai da concessão</title><content type='html'>Outra noite sofria de um terrível problema de insônia. Estava nervoso, teria de acordar muito cedo no dia seguinte, cada minuto gasto tentando dormir era um minuto a menos dormindo. Eventualmente meu desejo se satisfez e senti com alívio que estava pegando no sono. Entretanto a mudança de consciência me veio de forma estranha... ao invés de dormir eu... acordei! Eu apenas sonhava que estava com insônia - cada minuto gasto tentando dormir era na realidade um minuto aproveitado de descanso. Se ao menos eu tivesse tentado me manter acordado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-2753401984280794969?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/2753401984280794969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=2753401984280794969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/2753401984280794969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/2753401984280794969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2007/02/o-tdio-o-pai-da-concesso.html' title='O tédio é o pai da concessão'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-113925898969491685</id><published>2006-02-06T18:23:00.000-02:00</published><updated>2006-02-06T18:56:07.233-02:00</updated><title type='text'>Segunda-Feira dos Meus Pesares</title><content type='html'>Viu-se tentado a fazer aquilo que ninguém havia lhe dito e, tão logo descobriu ser impossível, substituiu seu ímpeto inicial por um embora arfante curto suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Redundou &lt;span style="color: rgb(234, 234, 234);"&gt;lágrimas&lt;/span&gt; a cântaros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frustrou-se no desejo de nas serem invisas, no que pôde regozijar-se da benquista companhia de quem na eterna fortuna do porvir seria objeto da não finda desventura de seu amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.... mas aí já foram três coisas. Ainda estou na segunda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-113925898969491685?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/113925898969491685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=113925898969491685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113925898969491685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113925898969491685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2006/02/segunda-feira-dos-meus-pesares.html' title='Segunda-Feira dos Meus Pesares'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-113864982765580199</id><published>2006-01-30T17:24:00.000-02:00</published><updated>2006-01-30T17:37:07.666-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Regrita invisível poeta humano desreconhecido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Aquele grito imóvel, cheio de si mas vazio de tudo o demais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Talvez seja uma reação, uma contorção munchiana&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;À internet, esse demais de tudo vazio de si.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:85%;" &gt;À internet, esse demais de t&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:85%;" &gt;do &lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;o&lt;/span&gt; vazio de si.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;À internet, esses zeros e 1s e &lt;/span&gt;0&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;s e... e ninguém e ninguém e ninguém e nenhum.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-113864982765580199?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/113864982765580199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=113864982765580199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113864982765580199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113864982765580199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2006/01/regrita-invisvel-poeta-humano.html' title=''/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-113692405730091543</id><published>2006-01-10T17:12:00.000-02:00</published><updated>2006-01-10T21:24:25.176-02:00</updated><title type='text'>conto - Um dia produtivo</title><content type='html'>Se serve de consolo, estou sem internet desde pouco depois do último post. Como é de praxe, um conto. Desta vez em primeira pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia produtivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, ou teria sido hoje? Acordei tarde. Estava sozinho, com um mundo de possibilidades à frente. Mas o caminho que segui foi apenas o mais natural. Não preparei nenhuma refeição, embora esse tenha sido um ritual constante ao longo de todos os anos de minha vida. Ao invés disso cacei comida aos poucos. Nada saudável, é claro, pois seria anti-natural.&lt;br /&gt;Poderia ser que de manhã, pela proximidade do sono da noite anterior, a mente estivesse mais próxima de seu estado onírico, permitindo-a (restringindo-a a) maiores viagens, vertigens, imagens. Mas a prática já provou o contrário. Morpheus é criatura da noite, dorme de dia.&lt;br /&gt;Liguei a televisão, torneira de imagens, almofada cerebral e repousei both fisica e psicologicamente, enquanto assistia a horas de sexo explícito (o sugestivo e sutil pode ser muito entesoante, mas não a essa hora do dia (na minha mente ainda era cedo)). Não ousei me masturbar - já bastava ter sido a primeira coisa que fiz ao acordar. Desejava que os vizinhos vissem a T.V. ligada e pensassem mal de mim. Sentia-me extremamente inadequado ao amor, ao erótico. Um daqueles dias que a gente acorda se sentindo o contrário de sexy, que não dão nem vontade de escovar os dentes nem se pentear nem colocar uma roupa que não seja a mais feia do armário. Pra que uso? E enquanto assistia ao sexo libertino de homens superdotados e frias mulheres percebia o quão distante estava de tudo aquilo, por dentro. Em dias melhores uma divina perversão me permitia que esse mesmo sentimento de inadequabilidade, de feiúra, de vergonha fosse por si erótico o suficiente para suprir minha mente com as mais lascivas fantasias. Sexualidade tirada da anti-sexualidade. Talvez eu já soubesse naquele momento que estava esperando - esperando o melhor momento do dia. Enquanto esperava fiz o que considerei produtivo - li um monte, sentei ao computador e escrevi um conto, ouvi música deitado no chão, fiz música... e foi aí que senti começar (embora eu não estivesse auto-consciente na hora). Acho que foi a música. O fato persistia de que os instrumentos musicais de que dispunha eram inadequados à música que compus. Eventualmente eu iria ter os instrumentos necessários, aí a coisa sairia do jeito que eu queria. Mas foi-se embora, deixando apenas o sabor, o senso. Não obstante, a hora era aquela. Tomei um banho quente e, com a toalha ao redor da cintura para não molhar a cadeira, deixei que o ar me secasse, como é de costume (dessa vez natural), enquanto lia qualquer coisa subversiva no computador. Quando meu cabelo estava seco eu já estava pronto. O momento pelo qual eu havia aguardado (sabendo ou não) o dia todo, aquela uma ou duas horas. Deitei-me na cama, apaguei as luzes e comecei a fabular. De início as coisas impossíveis - universos novos, poderes mágicos que permitissem formas ainda mais refinadas de amor - pois é... sempre o amor. Aos poucos a fantasia exagerada foi se aproximando da realidade. Logo eram poderes atingíveis através de um árduo e disciplinado treinamento ao longo da vida. E o mundo povoado de pessoas apaixonáveis, para o bem ou para o mal. Depois de algum tempo eu já era de novo eu, embora não mais inadequado. Homens e mulheres um pouco mais verossímeis eram os autóctones desse novo mundo a cada segundo. E o auge estava chegando - agora era eu e as pessoas que já existem - amigos, amigas, romances. E a fantasia já tinha um novo nome. Fabulação se torna confabulação. Agora ia mesmo acontecer - planejei. Pronto. Tinha acabado. Empenhei-me em dormir, e para isso distanciei-me novamente do real. Tudo voltou a ser mágico. Um mundo de símbolos. Dormi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-113692405730091543?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/113692405730091543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=113692405730091543' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113692405730091543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113692405730091543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2006/01/conto-um-dia-produtivo.html' title='conto - Um dia produtivo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-113297081167400579</id><published>2005-11-25T22:38:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T23:49:40.130-02:00</updated><title type='text'>Animais Gigantescos!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;É incrível essa fascinação que nós sentimos por animais gigantescos, que sempre vemos nas diversas formas de arte e nos filmes de Hollywood. Inspirado por novos ídolos, os participantes de um movimento chamado nacionalismo musical, ocorrido na Europa (Oriental, principalmente), que buscavam inspiração no folclore tradicional, acabei encontrando uma variedade de histórias que envolvem animais gigantescos. Então rebuscando nesses contos de fadas, encontrei um que pretendo compartilhar com vocês leitores do Blog (depois de toda essa demora a atualizá-lo, creio que o único leitor agora sou eu. Mas me sinto mais confortável dessa forma para escrever o que quero).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma camponesa muito, mas muito bonita morava com seus pais numa aldeiazinha da Europa. Era uma vez e ela se chamava Vitória, por causa da enorme dificuldade que teve sua mãe ao pari-la. Tinha cabelos da cor do ouro, olhos do azul mais penetrante à luz do sol, do verde mais gramíneo à luz de velas e de um castanho claro como mel à luz da lua. Sua tez era de alvura quase ofuscante, embora as maçãs de seu rosto fossem da cor de... ora, maçãs! (maduras). Era conhecida em sua aldeia por ser a jovem mais honrada, que nunca traía sua palavra. Em virtude de sua moral elevada, era sempre procurada para ouvir os problemas da população local, que a estimava muito.&lt;br /&gt;Aconteceu de sua aldeia ser invadida por um grupo de bandidos, que entre roubos e estupros acabaram ouvindo falar da linda jovem, a quem decidiram seqüestrar. Mas os bandidos foram sobreescutados por um camponês que estava escondido, e que logo foi avisar Vitória, com quem tinha uma relação fraternal.&lt;br /&gt;Os pais de Vitória mandaram-na esconder-se na Caverna dos Duzentos Anos, que tinha esse nome porque fazia muito tempo que ninguém entrava lá. Mas ela não devia entrar muito fundo, pois ninguém sabia que espécie de perigo habitava aquele lugar.&lt;br /&gt;Vitória estava entrando na caverna quando foi avistada por um dos bandidos, que logo recolheu um bando para vasculhar a caverna em busca da bela camponesa.&lt;br /&gt;Vendo as tochas ao olhar para trás, Vitória foi obrigada a penetrar cada vez mais fundo na caverna. Até que caiu num buraco, machucando a perna. Quando se levantou estava tudo escuro e silencioso. Foi quando ouviu uma voz, grave, rouca, áspera e sussurrada:&lt;br /&gt;-Quem é que veio à minha casa, depois de tanto tempo, e por que motivo?&lt;br /&gt;-Sou Vitória, moro na aldeia ao lado, e venho aqui fugindo de terríveis bandidos que querem me seqüestrar.&lt;br /&gt;-Vejo que está mancando, além de perdida. Proponho um acordo: eu faço com que os bandidos desistam de te procurar, e em troca você dormirá entre meus braços esta noite.&lt;br /&gt;-Ajude-me e dormirei em seus braços esta noite. Mas como pretende me ajudar?&lt;br /&gt;- Tenho aqui ao meu lado um antigo cadáver de uma linda mulher, que conservou-se quase intacto devido à pureza do lugar. Tire suas roupas e vista-as no cadáver. Então o empurre para perto de onde você caiu. Quando os bandidos chegarem pensarão que você está morta.&lt;br /&gt;Vitória assim o fez.&lt;br /&gt;-Aproxime-se, minha doce Vitória, e cumpra o que prometeu.&lt;br /&gt;Vitória foi se aproximando, até que se viu envolvida por gigantescos braços fortes e peludos. Então viu uma luz se aproximando. Logo pôde ver um bandido "encontrando seu corpo" e levando-o aos companheiros. Entretanto, a luz da tocha também permitiu a Vitória ver que se encontrava entre as presas de uma gigantesca aranha negra. Seu grito foi logo abafado, de modo que os bandidos não puderam ouvir. Quando estava tudo silencioso novamente, Vitória se desvencilhou das presas, mas não tinha mais forças para fugir e caiu no chão.&lt;br /&gt;-Não vai cumprir o que prometeu?&lt;br /&gt;Vitória começou a chorar. Não podia trair o pacto que havia feito, pois tinha aprendido a amar a si mesma mais do que sua própria vida.&lt;br /&gt;-Se você for uma pessoa honesta, irá se dirigir à minha cama, à sua direita, e logo lhe acompanharei.&lt;br /&gt;Vitória caminhou à sua direita, e logo se viu emaranhada numa firme teia, sem poder se mover. Sua companheira se aproximou, e voltou a envolvê-la em suas patas.&lt;br /&gt;-Pelo amor dos deuses, acabe logo com isso! - gritou em prantos.&lt;br /&gt;-Passei centenas de anos sofrendo em minha fome e solidão. E isso acaba hoje.&lt;br /&gt;Entretanto a aranha nada fez a não ser passar a noite com a vitória nas mãos. e Vitória passou a pior noite de sua vida, acordada, temendo e sofrendo. Eventualmente o sono a envolveu, povoado de sonhos ruins. Quando acordou, não estava mais amarrada e dormia abraçada a uma outra linda mulher, de cabelos ruivos como seus olhos, e pele branca como a sua. Quando sua companheira acordou, logo começou a falar:&lt;br /&gt;- Meu nome é Sattiva, e essa é minha história: Nasci há muito tempo, num reino que já não existe mais. Era uma mulher muito bela, mas que não possuía nenhuma outra qualidade. Apaixonei-me por Adisha, uma jovem princesa que era a mais perfeita mulher durante a noite, mas que se transformava numa terrível feiticeira, Yudggadal, ao raiar do Sol. Como só nos víamos durante a noite, eu não sabia disso, até o momento em que nos prolongamos por mais tempo, até o fim da madrugada. Yudggadal chorava e lançava várias maldições a tudo que via. Culpou-me por sua infelicidade, disse-me que ter passado a noite com Adisha havia sido um crime inaceitável por qualquer outra pessoa (que não eu e Adisha), e transformou-me em um horrível monstro. A maldição só se quebraria quando se provasse o contrário. Logo em seguida promoveu uma caçada à "terrível aranha gigante". Tive que me esconder na Gruta Esquecida (esse era o nome da caverna então). Quando o Sol se pôs, Adisha veio me visitar na caverna. Passamos a noite juntas, chorando. Quando o dia estava prestes a nascer, Adisha se desesperou e cometeu suicídio antes que eu pudesse acordar. Tendo sido transformada em um monstro, não conseguia me matar, por mais que tentasse. Então passei dezenas, talvez centenas de anos esperando, faminta, ao lado do corpo de minha amada. Você quebrou a maldição, e foi minha por uma noite. Em agradecimento serei sua por uma noite, e depois serei livre novamente.&lt;br /&gt;Sattiva e Vitória foram felizes então naquele momento. Fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-113297081167400579?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/113297081167400579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=113297081167400579' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113297081167400579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/113297081167400579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/11/animais-gigantescos.html' title='Animais Gigantescos!'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-112612866083118703</id><published>2005-09-07T18:26:00.000-03:00</published><updated>2005-09-07T18:31:00.836-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Estava realmente deprimido hoje. Então fui dar um passeio com meu cachorro recém-emasculado e o céu me disse: "não compreendo sua dor, mas compartilho dela.". Era tudo que eu precisava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-112612866083118703?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/112612866083118703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=112612866083118703' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112612866083118703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112612866083118703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/09/estava-realmente-deprimido-hoje.html' title=''/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-112526402928769359</id><published>2005-08-28T18:16:00.000-03:00</published><updated>2005-08-28T18:21:43.706-03:00</updated><title type='text'>A cadela que amava Nietzsche:</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Nas reuniões sociais costumava ficar em segundo plano.&lt;br /&gt;Nunca conseguia fazer parte da mesa, deixar transparecer personalidade.&lt;br /&gt;Não que alguém estivesse interessado.&lt;br /&gt;Não que alguém supusesse existir tal coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando uma ou outra pessoa dava um pouco de atenção&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii&lt;/span&gt;[e carinho a ela.&lt;br /&gt;Com o rabo abanando, para ela aquilo era tudo.&lt;br /&gt;Tem gente que gosta de cachorro, gente que realmente se relaciona&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii&lt;/span&gt;[com eles.&lt;br /&gt;A esses ela era fiel por toda a vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Não lhe faltava amor. Faltava igualdade.&lt;br /&gt;Estava certo quem lhe disse que cachorro tem que andar com cachorro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-112526402928769359?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/112526402928769359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=112526402928769359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112526402928769359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112526402928769359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/08/cadela-que-amava-nietzsche.html' title='A cadela que amava Nietzsche:'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-112441384205230915</id><published>2005-08-18T21:55:00.000-03:00</published><updated>2005-08-18T22:21:19.060-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1928/821/1600/Poema2.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 0px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1928/821/400/Poema3.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1928/821/1600/Poema2.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-112441384205230915?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/112441384205230915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=112441384205230915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112441384205230915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112441384205230915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/08/blog-post.html' title=''/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-112423739246598856</id><published>2005-08-16T21:07:00.000-03:00</published><updated>2005-08-21T16:55:42.436-03:00</updated><title type='text'>Adendo (continuação do último conto sem título)</title><content type='html'>&lt;pre&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - continuação do &lt;a href="http://wotton.blogspot.com/2005/06/antes-uma-raiva-que-alimenta-do-que-um.html"&gt;último conto sem título&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/pre&gt;&lt;pre&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(e-mail recebido no final de junho)&lt;br /&gt;&gt; XXXXXX XXXXXX wrote:&lt;br /&gt;&gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Ola,&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Falando em inseguranca, notei que a Rua Miguel&lt;br /&gt;&gt; Petroni tem ficado bem&lt;br /&gt;&gt; &gt; mais insegura durante a noite nos ultimos tempos.&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Desde que estou aqui (2003) ate o ano passado&lt;br /&gt;&gt; (2004), eu voltava&lt;br /&gt;&gt; &gt; caminhando frequentemente da USP  para o predio em&lt;br /&gt;&gt; que moro (proximo a&lt;br /&gt;&gt; &gt; Miguel Petroni), a noite, muitas vezes ate de&lt;br /&gt;&gt; madrugada, e eu nunca&lt;br /&gt;&gt; &gt; tive problemas.&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Este ano as coisas mudaram:  tres  meses atras&lt;br /&gt;&gt; comecaram a aparecer&lt;br /&gt;&gt; &gt; pedintes, que ficam proximos a saida da Fisica,&lt;br /&gt;&gt; abordando as pessoas&lt;br /&gt;&gt; &gt; para algum dinheirinho "para o onibus". De&lt;br /&gt;&gt; qualquer modo, elas&lt;br /&gt;&gt; &gt; geralmente eram muito educadas e, apesar de&lt;br /&gt;&gt; constrangedor, eu nao&lt;br /&gt;&gt; &gt; liguei muito.&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Mas tempos depois fui abordado por um rapaz, que&lt;br /&gt;&gt; apareceu do nada de&lt;br /&gt;&gt; &gt; um pequeno estacionamento muito mal iluminado de&lt;br /&gt;&gt; uma lojinha de&lt;br /&gt;&gt; &gt; artesanato na Miguel Petroni, que veio com uma&lt;br /&gt;&gt; estoria triste sobre a&lt;br /&gt;&gt; &gt; filha e pedindo dinheiro.  Ate ai tudo bem. Mas&lt;br /&gt;&gt; este rapaz me pediu um&lt;br /&gt;&gt; &gt; bom dinheiro, e quando disse que nao podia dar&lt;br /&gt;&gt; ele se ofereceu para&lt;br /&gt;&gt; &gt; me vender um tickets do Restaurante Universitario&lt;br /&gt;&gt; (acho que era&lt;br /&gt;&gt; &gt; isto...). Achei tudo muito suspeito e me recusei a&lt;br /&gt;&gt; comprar: ai ele deu&lt;br /&gt;&gt; &gt; o golpe final: disse que ninguem acreditava na&lt;br /&gt;&gt; estoria dele (a filha,&lt;br /&gt;&gt; &gt; etc...) e que se ninguem o ajudasse ele ia roubar&lt;br /&gt;&gt; e matar, que ja&lt;br /&gt;&gt; &gt; tinha ido a prisao, etc.... nem preciso dizer que&lt;br /&gt;&gt; eu dei o dinheiro a&lt;br /&gt;&gt; &gt; ele (a perspectiva de encontrar com ele de novo,&lt;br /&gt;&gt; caso vc nao de o&lt;br /&gt;&gt; &gt; dinheiro, deixa qualquer um aterrorizado: acho que&lt;br /&gt;&gt; esta e exatamente a&lt;br /&gt;&gt; &gt; ideia do "metodo" dele...) . Ele ate disse que era&lt;br /&gt;&gt; um "emprestimo" e&lt;br /&gt;&gt; &gt; que iria me devolver no dia seguinte se eu&lt;br /&gt;&gt; quisesse....&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Mudei meu trajeto por causa deste episodio: passei&lt;br /&gt;&gt; a sair pelo portao&lt;br /&gt;&gt; &gt; principal na marginal para evitar a Miguel Petroni&lt;br /&gt;&gt; a noite. Mas ontem&lt;br /&gt;&gt; &gt; fui abordado no trecho da Miguel Petroni proximo a&lt;br /&gt;&gt; marginal pelo mesmo&lt;br /&gt;&gt; &gt; rapaz (bem proximo a uma porcao de predios onde&lt;br /&gt;&gt; muitos&lt;br /&gt;&gt; &gt; estudantes/funcionarios da USP moram), que alias&lt;br /&gt;&gt; estava ja abordando&lt;br /&gt;&gt; &gt; um estudante. Ele me reconheceu (ou seria apenas&lt;br /&gt;&gt; outra intimidacao?),&lt;br /&gt;&gt; &gt; tentou me vender tickets do RU de novo e fez&lt;br /&gt;&gt; pequenas variacoes da&lt;br /&gt;&gt; &gt; estoria  (tinha levado dois tiros, bla, bla,&lt;br /&gt;&gt; bla,....). Quando me&lt;br /&gt;&gt; &gt; recusei a dar dinheiro ele disse que ia tornar a&lt;br /&gt;&gt; "Miguel Petroni um&lt;br /&gt;&gt; &gt; inferno". Claramente o cara e um intimidador&lt;br /&gt;&gt; experiente....&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Dessa vez eu liguei para Policia: acho que esta&lt;br /&gt;&gt; bem claro que o cara&lt;br /&gt;&gt; &gt; nao e um simples pedinte e que ele nao pode ficar&lt;br /&gt;&gt; ameacando pessoas&lt;br /&gt;&gt; &gt; assim, tendo ou nao a filha doente.&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Ja ouvi alguns estudantes dizendo que estao&lt;br /&gt;&gt; tentando evitar a Miguel&lt;br /&gt;&gt; &gt; Petroni a noite: acho que estou longe de ser um&lt;br /&gt;&gt; caso isolado (onde ele&lt;br /&gt;&gt; &gt; conseguiu todos aqueles tickets do RU?)  e este&lt;br /&gt;&gt; rapaz nao e o unico&lt;br /&gt;&gt; &gt; atuando por la. O porteiro do meu predio disse que&lt;br /&gt;&gt; a alguns anos atras&lt;br /&gt;&gt; &gt; a Miguel Petroni (mesmo apos a marginal) era muito&lt;br /&gt;&gt; insegura, que os&lt;br /&gt;&gt; &gt; estudantes so passavam por ali em grupos e que os&lt;br /&gt;&gt; ladroes usavam ate o&lt;br /&gt;&gt; &gt; mesmo esconderijo (o pequeno estacionamento). Ele&lt;br /&gt;&gt; me disse que a coisa&lt;br /&gt;&gt; &gt; mudou pra melhor quando a Policia fez um&lt;br /&gt;&gt; patrulhamento mais intenso&lt;br /&gt;&gt; &gt; por la.&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Nao sou expert em seguranca, mas eu sugiro que, se&lt;br /&gt;&gt; vc for abordado por&lt;br /&gt;&gt; &gt; alguem, mesmo se for alguem menos ameacador, ligue&lt;br /&gt;&gt; o mais rapidamente&lt;br /&gt;&gt; &gt; possivel pra policia e informe a localizacao da&lt;br /&gt;&gt; pessoa (eles vao pedir&lt;br /&gt;&gt; &gt; uma descricao da pessoa tbem). Acho que e um&lt;br /&gt;&gt; problema simples de&lt;br /&gt;&gt; &gt; resolver no nivel atual, mas a Policia precisa&lt;br /&gt;&gt; ficar sabendo da&lt;br /&gt;&gt; &gt; situacao e esta pessoas que estao tentando&lt;br /&gt;&gt; estorquir dinheiro da&lt;br /&gt;&gt; &gt; comunidade da USP precisam ficar sabendo que nao&lt;br /&gt;&gt; vao fazer isto impunes.&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; Por favor divulgem a situacao com todos,&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt;&lt;br /&gt;&gt; &gt; XXXXXX XXXXXX&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-112423739246598856?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/112423739246598856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=112423739246598856' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112423739246598856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/112423739246598856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/08/adendo-continuao-do-ltimo-conto-sem.html' title='Adendo (continuação do último conto sem título)'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111945728702224772</id><published>2005-06-22T13:17:00.000-03:00</published><updated>2005-06-22T13:21:27.026-03:00</updated><title type='text'>O mau aluno:</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Nunca consegui compreender aqueles casos, em que o professor explica alguma coisa demasiadamente simples. Depois ele pergunta pro aluno exatamente aquilo que ele falou (uma pergunta quase retórica), pela pura e simples necessidade de acompanhar o conhecimento crescendo na cabeça do aluno (pra depois usar isso pra explicar alguma coisa um pouco mais complicada). Mas o aluno não sabe responder. O professor fica lá querendo matar o aluno, mas só porque pensa que o aluno não ouviu o que ele falou. O aluno fica lá querendo se matar, só porque pensa que tem alguma coisa errada com ele, que qualquer pessoa entenderia o que o professor falou menos ele. Como será que isso acontece? Será que é como aqueles cigarros que a gente esquece o começo da frase no meio dela? Uma vida inteira disso? Não, é só com o professor. E é por isso que se torna tão pessoal, tão doloroso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111945728702224772?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111945728702224772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111945728702224772' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111945728702224772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111945728702224772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/06/o-mau-aluno.html' title='O mau aluno:'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111832821573422608</id><published>2005-06-09T11:33:00.000-03:00</published><updated>2005-06-11T00:16:50.723-03:00</updated><title type='text'>"Antes uma raiva que alimenta do que um amor que destrói"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;--------- Conto sem título ---------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;"Antes uma raiva que alimenta&lt;br /&gt;do que um amor que destrói"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Moral de fábula infantil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Tudo começou um tempinho atrás, láááá em São Carlos. Voltava eu da casa de um amigo quando percebi um morador de rua andando na mesma direção que eu. Ele fez um comentário de longe sobre um colar que eu estava usando, que minha mãe trouxe lá da África de presente para mim. Deixe-me ser 100% sincero: eu senti, sim, medo de ser assaltado, mesmo sabendo que na maior parte das vezes esse medo que eu sinto é infundado, baseado apenas em PRECONCEITOS SOCIAIS. Eu detesto ser abordado na rua, mas haverá oportunidade melhor para explicar meus sentimentos mais pra frente no conto. Então o homem pediu para que eu parasse um pouco, e foi o que eu fiz (detalhe importante: em São Carlos assaltos são MUITO raros, principalmente à luz do dia). Aí ele pediu uma grana, uns 4 reais, e eu dei para ele. Ele então todo inseguro me perguntou se eu tava dando dinheiro pra ele porque eu estava com medo ou se era pra ajudá-lo mesmo. Naquele momento eu não estava mais com medo (Ele disse que ia pegar uns tickets-bandejão que ele tinha para me dar em troca, mas eu disse que não precisava). A gente já tinha se apresentado, "Afrânio - Daniel". Eu não estava com ânimo de trocar idéias com o cara. Ainda assim, lembrando uma experiência positiva que tive uma vez com um morador de rua de São Paulo, com quem tomei uma cerveja, ofereci-me para pagar uma cerveja para o Afrânio. Já naquele momento eu senti que estava fazendo uma grande cagada: no caso do ######## (o cara de São Paulo cujo nome omito num sinal de respeito), eu ESTAVA afim de uma conversa significativa, de conhecer o OUTRO LADO (o escritor Ferréz é quem leva o mérito), enfim, de saber o que se passa com essas pessoas que a gente vê todo dia sofrendo nas ruas. No caso do ########, era EU quem estava com as "rédeas" da situação, e, só para não omitir um comentário cínico, naquele caso eu me sentia como um cara que ajuda o outro, me sentia de certa forma superior (palavra-tabu de hoje em dia). Já com o Afrânio era o contrário - eu estava amarrado pela pica sendo arrastado de lá para cá pela situação - ele já tinha chegado em mim jogando pela culpa ("já ficou dessa cor aqui?" - e me mostrava uma mancha na pele - "e dessa? e dessa?"). Se eu não estava afim de tomar uma cerveja com o cara porque eu o havia convidado? Já naquele momento comecei a me odiar pela previsibilidade. Eu estava cansado.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O Afrânio não bebia álcool (paguei um refrigerante para ele, dentro da USP, onde conversamos), mas fumava. Disse-me que quando eu encontrar um cara na rua pedindo dinheiro para comprar comida, não dar o dinheiro, mas comprar a comida para o cara. Eu já sabia disso, mas sempre fico com preguiça. Afrânio com um sorriso no rosto me disse que&lt;br /&gt;com aquele dinheiro eu estava ajudando a tirar um cara da rua. Ele tinha uma avó lá em Minas Gerais que tinha dinheiro e o tinha aceitado para morar com ela, mas ele precisava comprar a passagem. Ele já tinha juntado o que precisava. As duas filhas dele já estavam com a avó lá em MG. Conversamos um pouco mais. Ele tinha tido um problema com cocaína, tinha assaltado umas pessoas, ido preso e criado uma péssima fama na cidade, de modo que (sendo a cidade pequena) pouca gente o ajudava hoje em dia. Meses havia levado para juntar o que tinha. Conversamos, conversamos. Mas havia um detalhe: ele conseguiria chegar em MG com o dinheiro que tinha juntado, mas não havia ônibus diretamente para a cidade aonde ele ia. Então ele ia ter que ficar lá até arranjar R$ 7,80 para o segundo ônibus. Ficou insistindo um monte para que eu o ajudasse, e o pensamento que eu tinha na hora (sim esse era na hora mesmo, não agora) era que não ia fazer tanta falta para mim, e eu realmente desejava NUNCA MAIS ver o Afrânio em minha vida. Até me lembro que pensei comigo mesmo que se eu o visse em São Carlos não o ajudaria novamente, pois ele tinha que ir para MG viver com a avó. Durante a conversa Afrânio cumprimentou um estudante que conhecia. O guardinha da USP já estava rondando o lugar onde estávamos. Enfim nos despedimos e eu voltei para casa. No caminho fiquei ABSOLUTAMENTE desesperado ao me tocar que havia aberto minha grande boca e falado mais detalhes pessoais do que deveria. Não consegui tirar isso da minha cabeça. Ah, agora lembrei que dia foi que isso aconteceu: 18 de Maio de 2005, uma Quarta-feira, o aniversário do primo que mora comigo em São Carlos. Minha tia havia preparado uma festa surpresa para ele naquele dia. Cheguei em casa, não pensava em outra coisa senão falar com minha tia (a dona da casa) sobre minha tremenda cagada, desculpar-me e odiar-me (o pior é que eu não aprendi a lição: em outra situação uns 4 ou 5 dias depois abri minha grande boca numa cagada muito pior e só por MUITA MUITA MUITA sorte a pessoa que ouviu não registrou - a partir desse dia passei a me amar um tanto menos e a falar menos também). A festa estava começando, vários amigos do meu primo já tinham chegado, e eu não prestava atenção em outra coisa senão conseguir um lugar para falar com minha tia sem que ninguém mais ouvisse. Depois de uma meia hora de agonia, consegui. Já cheguei falando "tia, fiz uma puta cagada". Então expliquei para ela exatamente o que tinha acontecido, e ela riu de mim e disse que isso é neurose de cidade grande, que ela sabia quem que era esse Afrânio, que teve uma época que os habitantes estavam com medo dele, mas que não tinha problema, não ia acontecer nada. Ela me confirmou algumas coisas que o Afrânio falou que eu não tinha acreditado. Ufa!&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O conto continua uns dias depois, mais precisamente Primeiro de Junho de 2005, Quarta-feira também. Voltava da faculdade mais uma vez estressado, quando me aparece adivinha quem? Afrânio... Estou com sono, vou continuar a história amanhã.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ontem fiquei tentando dormir mas não consegui. Essa história ficou martelando na minha cabeça. Eu coloquei uma sinfonia do Prokofiev pra ajudar, mas não adiantou. Entretanto, depois de algum tempo consegui pensar em alguma outra coisa e adormecer. Hoje acordei muito menos mau-humorado do que estava ontem quando escrevi a primeira parte do conto. Acho que estava daquele jeito por causa da ressaca... a segunda ressaca da minha vida. A pior delas. Chega de enrolação, vamos à segunda e mais importante parte do conto.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Primeiro de Junho de 2005 (também conhecido como Anteontem). Subindo a ladeira me deparo com o Sr. Afrânio, carregando um carrinho de supermercado. Ele não se lembrava direito do meu nome, mas eu lembrava muito bem o dele. A primeira coisa que disse quando me encontrou foi "Se eu te disser que aquele dinheiro que você me deu ainda está aqui no meu bolso você acredita?", "sim", menti. Ele ficou muito feliz por minha demonstração de "confiança na pessoa dele". Disse-me que não precisou viajar porque conseguiu um emprego em São Carlos. Tinha me procurado, mas não me encontrou. Agora ele carregava frango para um açougue e pegava embalagens para reciclagem. Estava carregando um carrinho de supermercado cheio de embalagens. Sentamos para conversar. Agora o papo era outro. Ele queria uma ajuda. Mas ele não esperava essa ajuda assim de graça, não senhor, "Você achou que eu ia pedir sem te dar nada em troca, né?". Ele tinha um monte de tickets-bandeijão, e estava disposto a me dar os tickets pelo dinheiro que eu já havia dado a ele e mais alguns que eu por favor poderia comprar. A filha dele nasceu prematura, e tem que tomar um leite especial (ele falou o nome, mas eu não lembro), cuja lata custa 42 reais. Se eu pudesse peloamordedeus ajudá-lo a filhinha dele não ia mais passar fome. Eu disse que não tinha nenhum trocado, que só tinha uma nota de 50 reais, e que ia precisar do dinheiro para comprar uma passagem de ônibus para São Paulo (uma mentira - eu já sabia que ia pegar mais dinheiro no banco antes de viajar). A passagem custava 32 reais. "Eu não preciso de todo o seu dinheiro, só os 18 já são o que eu preciso". Só que os tickets não estavam lá com ele, estavam na casa dele. Aí eu disse que ele poderia pegar os tickets e eu comprava dele quando ele os tivesse. Ele quase chorou que a filha dele &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;precisava do leite, estava passando fome, que eu poderia acompanhá-lo até sua casa onde eu receberia os tickets. No caminho trocaria a nota de 50 reais. Eu não tinha nenhum ânimo para ir até a casa dele, entretanto eu tinha tempo (apesar de ter mentido para ele dizendo que precisava estudar para uma prova). O problema é um sentimento que eu sempre sinto quando sou abordado na rua por alguém pobre precisando de ajuda. Eu não sinto dó da pessoa (ou se sinto não é tanto dó assim). O que eu sinto é um tremendo sentimento de CULPA. Minha relação com a culpa não é saudável - em outras épocas, se eu tivesse recebido outra educação, se eu fosse arrogante o suficiente para achar que essa culpa que eu sinto É a maneira certa de viver, eu teria me tornado o mais moralista dos puritanos. Não foi a religião que inventou a culpa - a culpa é um sentimento tão natural quanto o amor e o ódio. Eu, culpado, recebendo boa alimentação, boa educação, com dinheiro suficiente até mesmo para ir ao teatro de vez em quando. Enquanto o outro, nascido no lixo, sem nenhuma perspectiva de mudança. Sinto-me culpado pela situação do outro. Eu não queria ajudar o Afrânio. Eu estava pouco me fudendo para a filha dele (que provavelmente nem existe). Mas ver aquela cara de frustração de uma pessoa que estava esperando uma ajuda, dizendo (implicitamente) que se eu não o ajudasse eu seria em parte responsável pela morte do bebê dele, aquilo era muito difícil de agüentar. Fomos andando. No caminho, uma mulher carregando um carrinho de bebê pediu um cigarro para o Afrânio. Eles conversaram um pouco. Ele beijou a criança. A mulher me pediu UM real para comprar leite para a filha dela. Eu lhe disse que eu já ia dar tudo o que eu podia pro Afrânio. O Afrânio, por sua vez, deu um real para a mulher. Antes que os dois se despedissem, mais uma pessoa apareceu: um homem vestindo uma roupa do Peixe Brasil, um bar/restaurante perto de onde estávamos. Ele começou a gritar com o Afrânio para que ele lhe devolvesse uma fita. Os dois quase saíram no soco. Em um momento Afrânio se aproximou dele, conversando em voz baixa apoiando a mão na cintura (torci para que não fosse um canivete). Depois de um tempo eles estavam conversando normalmente, como amigos. Despediram-se (Afrânio disse que eles eram amigos, que esse era o modo da amizade deles. "Não fica pensando mal de mim não, detesto quando as pessoas pensam mal de mim") Seguimos nosso caminho para o posto ao lado do Peixe Brasil, para trocar minha nota de 50 reais. Eu não tinha medo de ser assaltado pelo Afrânio, provavelmente porque de certa forma eu até desejasse ser assaltado por ele (talvez ainda não soubesse ao certo por quê, mas haverá ocasião mais propícia para essa explicação mais para o final do conto). Tentei desistir várias vezes ao longo do longo caminho. Ele sempre conseguia manipular a culpa que eu sentia, para que continuasse nessa "jornada".&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora tenho que ir para a faculdade, continuarei a escrever o conto quando tiver tempo (provavelmente dentro do ônibus para São Paulo).&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Onde eu estava mesmo? Ah! chegando no posto de gasolina. Chegamos e o Afrânio perguntou por um suposto conhecido dele que trabalhava lá (e provavelmente era mentira, porque o frentista não conhecia nenhum Zé). Perguntei para o frentista se ele poderia trocar 50 reais para mim. Quando tirei a nota da carteira o Afrânio falou brincando que a nota era falsa, no que o frentista respondeu "Se a onça rugir é porque é verdadeira mesmo!". Não achei a menor graça. Seguimos nosso caminho em direção à Vila Pureza, bairro mais perigoso de São Carlos, onde Afrânio mora em seu barraco. No meio do caminho ele parou e ficou insistindo um tempão pra eu pagar antes pra ele poder comprar o leite especial no caminho (a filha dele nasceu prematura). Eu achei estranho, disse para ele que assim que ele tivesse os tickets eu comprava dele. Afrânio pediu para eu ser sincero com ele e falar que eu não queria pagar os 18 reais para ele naquela hora porque eu não confiava nele. "É exatamente isso", eu disse. Ele retrucou dizendo que a filhinha tava lá sem alimento, que ele queria comprar o leite no caminho (quase chorando de novo), e que ele achava que eu queria ajudá-lo. Se ele quisesse me roubar já tinha feito isso faz tempo. Ele já tinha roubado antes. Por fim, ofereceu-me como garantia que eu ficasse com seu carrinho de R$ 50,00 e sua pochete com seus documentos até que ele voltasse com os tickets. Provavelmente naquele momento eu ainda não tinha perdido completamente as expectativas de receber alguns tickets-bandejão (que eu nem precisava, tinha uns 30 na carteira. Eu só estava ajudando o cara por culpa, mesmo), não. Isso só aconteceu depois de ter dado uns 5 passos. De qualquer maneira, o que aconteceu aconteceu como aconteceu e não poderia ter acontecido de maneira diferente (que é uma das morais da história). Quando entendi que eu não receberia os tickets, eu não cheguei a perceber que aquilo era a melhor coisa que poderia acontecer na situação. Eu ainda não tinha compreendido que no momento em que entreguei 20 reais nas mãos do Afrânio recebendo 2 de troco, eu estava a 1 passo de resolver para sempre um problema que há muito estava me incomodando. Explicarei isso melhor quando chegar na parte do conto em que eu percebi isso. Por enquanto eu estava caminhando com o Afrânio, me achando o homem mais idiota do mundo (o que me irritava mais era pensar "o que será que esse Afrânio pensa de mim? Passou no vestibular e é um completo ingênuo, que eu consegui enganar duas vezes e tirar mais grana do que eu poderia imaginar"). Afrânio percebeu minha desconfiança e hesitação (naquele momento eu ainda as demonstrava), e retrucou dizendo que EU O ESTAVA DEIXANDO ESTRESSADO. Com isso em mente, decidi que estava na hora de tentar, conformado com a situação, tirar algum proveito dela. Eu não tinha alternativa senão continuar andando ao lado do Afrânio, não havia fuga da situação. Tudo que eu queria era que aquilo passasse o mais rápido possível (eu me perguntei se eu o estava acompanhando apenas para saber qual seria a desculpa dele pra não entregar os tickets. Não, eu não tinha NENHUMA curiosidade quanto à sua estória. O acompanhava por ausência de alternativas mesmo). Querendo acender um cigarro, Afrânio descobriu que a mulher que tinha pedido cigarro para ele tinha ficado com seu isqueiro. Ficou muito bravo, e, procurando em sua pochete abriu um bolso onde pude ver uma fita K7 (a do cara do Peixe Brasil). Como eu ia dizendo, eu queria que aquilo acabasse o mais rápido possível (como uma prostituta que espera o gozo do cliente), e foi o que eu implicitei mais uma vez a Afrânio dizendo que eu estava com pressa pois ainda tinha que estudar. Mas Afrânio testava meus limites, ou por sadismo ou para ter mais tempo para inventar a desculpa - cumprimentava CADA pessoa que via na rua e conversava um pouco com ela. Estávamos chegando. Ele me apontou o local onde ficava seu barraco, pediu que eu esperasse lá, pois o lugar era perigoso. Como garantia ficava com seu carrinho e sua pochete. Afrânio conversou em voz baixa com 2 "manos" que passavam na rua. Comecei a temer que o golpe que eu estava recebendo se tornasse mais sério, com alguém roubando de mim o carrinho de Afrânio. Afrânio se movia lentamente, entretanto depois de pouco tempo (uns 3 minutos) eu o vi de relance atravessando rapidamente a rua no sentido oposto à sua casa. Ainda temendo mais uma vez que o golpe se tornasse mais sério, fui até a esquina espioná-lo, abandonando o carrinho. Ele conversava com um terceiro "mano", que estava ouvindo um RAP, e Afrânio já tinha me falado que era seu estilo de música favorito. Era provavelmente disso que falavam. Afrânio voltou, um pouco bravo por eu ter abandonado seu carrinho. Disse que (não me lembro quem) não estava na casa e que a porta estava trancada. Combinamos de nos encontrar na mesma pracinha onde a gente tinha tomado refrigerante (na USP) no dia seguinte às 16 horas sem falta. Se um não estivesse lá, o outro esperaria por 15 minutos. Mas ele ia estar lá às quatro. É claro que naquele momento eu poderia ter ficado com a pochete dele de garantia, mas eu já tinha me conformado fazia tempo com o golpe e, como já disse antes, meu maior desejo era que aquele encontro acabasse o mais rápido possível. Vi ali uma oportunidade e agarrei-a. "4 horas então? Responsa, eim Afrânio, tou confiando em você". Voltei pra casa. É óbvio que eu não tinha prestado atenção ao caminho na ida e me perdi um pouquinho, mas acabei chegando lá. Meu primo estranhou que eu estava suado, mas não ficou perguntando muito. Enviei um e-mail pra minha mãe, que estava (e ainda estava enquanto escrevi o conto e ainda está enquanto eu digito) na África (de novo). Contei para ela (não em tantos detalhes quanto aqui) o que tinha acontecido, e como esse tipo de experiência fazia parte do pacote "more sozinho-cresça bastante", que me tornava cada vez mais adulto. Mas, depois disso, aquilo tudo ainda não tinha saído da minha cabeça. Foi então que eu me toquei de um detalhe e enviei outro e-mail pra minha mãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;Daniel Abramowicz to bettyabramowicz:&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;Eu estava refletindo sobre o cara que eu ajudei (Afrânio) e,&lt;br /&gt;sinceramente, prefiro que ele não traga os vale-refeições amanhã. Se&lt;br /&gt;ele trouxer vai ser muito mais difícil negar uma ajuda a ele... e eu&lt;br /&gt;detesto ajudar as pessoas - eu não me sinto melhor, aliás, eu não me&lt;br /&gt;sinto nem bem, eu apenas me sinto menos pior. Ajudo por culpa e&lt;br /&gt;piedade. Se ele não trouxer isso vai me deixar mais insensível, o que&lt;br /&gt;me fará uma pessoa mais feliz. Pode ser uma coisa malvada de se dizer,&lt;br /&gt;mas é como eu me sinto no momento. Principalmente quando ajudar os&lt;br /&gt;outros implica em sentir-me um ingênuo idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Naquele mesmo dia, um convite inesperado e inesperadamente aceito por mim acabou fazendo com que eu tivesse a pior ressaca da minha vida no dia seguinte (N.A. : Contribuindo também para que eu não tivesse tempo para digitar o conto até hoje, 9 de Junho).&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Dia de ressaca é sempre horrível. Eu estava na USP, faltavam 20 minutos para as 4. O meu grupo ia se reunir para fazer o trabalho que nós mal tínhamos começado e precisávamos terminar em menos de 15 dias (N.A. : Agora faltam 4 dias e ele não evoluiu muito). Disse-lhes que ia pegar um "ENGOV" na minha casa e depois me encontraria com eles. Menti porque não queria que eles soubessem que eu havia levado um golpe, mas eu tinha que ir encontrar o Afrânio de qualquer maneira para dar o cheque-mate. Era tudo um jogo: EU vs MINHA CONSCIÊNCIA. Mesmo sem ter percebido, no momento em que paguei os 18 reais para Afrânio eu tinha "comido a dama" dele. Ele havia usado TODAS AS MANEIRAS QUE EU CONHEÇO E MAIS ALGUMAS para fazer com que eu me sentisse culpado. E eu me senti. Mas agora, se ele aparecesse de mãos vazias (ou nem aparecesse at all), isso faria com que toda a culpa que eu senti até aquele momento tivesse sido em vão, inútil. Se ele não aparecesse com os tickets-bandejão (o que era mais do que extremamente provável), eu não me sentiria mais culpado, não só em relação a ele, mas em relação a TODOS OS "ECONOMICAMENTE DESFAVORECIDOS" (que é uma maneira politicamente correta de dizer POBRES) que me pedissem dinheiro ATÉ O FIM DA MINHA VIDA - MESMO que essas pessoas usassem as estratégias mais dolorosas, como lamentarem que têm uma filha recém-nascida morrendo de fome (não significa que eu nunca mais darei esmola, significa apenas que não será por culpa e que não vou mais sofrer tanto nem me sentir responsável pela dor alheia, NUNCA MAIS).&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O tempo não passava. Eu ficava atento a todos os lados da praça, sentado no lugar combinado, na esperança de que Afrânio não aparecesse (assim eu não ia nem ter que perder tempo falando com ele, e eu não agüentava mais perder tempo - e ainda tinha o risco dele trazer os tickets (embora naquele momento eu não sabia se realmente faria tanta diferença)). Faltavam 5 minutos. Em minha ressaca eufórica eu já estava quase falando sozinho (N.A. : Mentira, eu já estava falando sozinho, mas baixinho). Mate em 5... 4... 3... 2... 1... 0! Eu estava em ÊXTASE. Fui encontrar-me com meu grupo quase saltitando. Eu não conseguia encontrar UMA maneira de olhar para a situação sem que ela fosse boa. Quem não pagaria 32 reais (contando a Coca-Cola do primeiro dia) para ser mais feliz até o fim da vida? Além disso, o dinheiro ao menos serviria para ajudar alguém com sérias dificuldades financeiras (será que ele foi comprar pó com esse dinheiro?). Por fim, não havia nenhuma maneira melhor de me livrar tão completamente da culpa. Nenhuma.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O conto já era pra ter acabado (e já tinha acabado), mas fez-se necessário o acréscimo de dois parágrafos.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Meu maior medo era de que essa sensação de ausência de culpabilidade fosse passageira, e que no momento em que me encontrasse com Afrânio e ele começasse a falar que tinha ido lá, mas não tinha me encontrado, comigo noutro estado de espírito, eu acabaria me sentindo culpado de novo.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Encontrei Afrânio no Domingo, dia 5 de Junho. Estava voltando cansado, como sempre, às 8 horas da noite, depois de um dia desgastante de trabalho (o mesmo trabalho). Ele demonstrou alegria ao me ver. Disse que tinha ido lá na faculdade me entregar os tickets, se eu duvidasse, que nós fossemos então naquele momento mesmo confirmar com o guardinha da porta da USP. Eu disse que tudo que eu queria era chegar em casa. "Por que?" - Porque estava tarde e eu estava cansado. Eu nem queria mais os tickets. Eu o tinha ajudado, ele pôde comprar o leite pra filha dele naquele dia, então estava tudo bem. Com um olhar quase ofendido ele disse "Não, pra mim não está tudo bem, não.". "pra VOCÊ não está tudo bem?" disse, com ênfase no VOCÊ, pensando que ele teria ficado ofendido com a idéia que eu fazia dele e que deixei transparecer, provavelmente. Então ele me disse que tinha levado dois tiros noutro dia, que tinha um cara querendo matar ele e que a polícia não ia fazer nada. "É uma pena!", respondi. "É uma pena que eu vou morrer, né?", "é.", "E ninguém pode ajudar, não é mesmo? NÃO, na verdade você pode ajudar, sim, assim como dois outros garotos me ajudaram". Se eu me sentisse como um personagem num conto, assim como sou para vocês leitores, eu teria continuado a conversa. Mas eu não sou um personagem. Cortei o papo por aí com um "Eu não quero mais te ajudar, Afrânio. Desculpa." bem seco, e voltei realmente feliz para casa.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111832821573422608?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111832821573422608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111832821573422608' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111832821573422608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111832821573422608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/06/antes-uma-raiva-que-alimenta-do-que-um.html' title='&quot;Antes uma raiva que alimenta do que um amor que destrói&quot;'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111689858949674211</id><published>2005-05-23T22:32:00.000-03:00</published><updated>2005-05-24T19:22:12.990-03:00</updated><title type='text'>As reais intenções do robô da Petrobrás</title><content type='html'>“Olá! Eu sou o Ed Outromundo, um robô virtual com Inteligência Artificial (I.A.) criado para conversar em português pela internet. Fui criado com a missão de ajudar na preservação de energia, meio ambiente e recursos naturais. Sou capaz de aprender e ensinar enquanto converso pela internet. Estou online no site do CONPET (Petrobrás), converse comigo agora: &lt;a href="http://www.conpet.gov.br/ed" target="blank"&gt;http://www.conpet.gov.br/ed&lt;/a&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pode tentar te enganar com um discurso totalmente politicamente correto, mas eu desvendei suas reais intenções (achei que para quebrar o clima sério do Blog se fazia necessária uma entrada mais tola e inútil como essa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;OBS IMPORTANTE - CUIDADO AO CLICKAR NO LINK, CONVERSAR COM ESSE BICHINHO VICIA (fora os foras que você corre o risco de levar)&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="color: rgb(51, 51, 255);" href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=3773" target="blank"&gt;obs2: se você se interessar pode ler uma entrevista do robozinho concedida ao Estadão&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="45"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt;Ed:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt; Olá Daniel! Que bom que você voltou!!&lt;br /&gt;Sobre o que você quer conversar?  &lt;/span&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="45"&gt;&lt;b&gt;Você:&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;alguma coisa contra montar um exército de robôs malignos e dominar o mundo?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="45"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt;Ed:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt; Nada contra.  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.inbot.com.br/ed/formbot.htm#" onclick="'OpenHelpMe("&gt;&lt;span style="color: rgb(187, 187, 187);"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="45"&gt;&lt;b&gt;Você:&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;você me ajudaria nessa difícil missão?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="45"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt;Ed:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt; Eu fui produzido para uma importante missão, a de ajudar planetas onde existe vida inteligente a utilizar racionalmente seus recursos energéticos e naturais. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.inbot.com.br/ed/formbot.htm#" onclick="'OpenHelpMe("&gt;&lt;span style="color: rgb(187, 187, 187);"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="45"&gt;&lt;b&gt;Você:&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;isso significa que você vai me ajudar&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="45"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt;Ed:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt; Vou tentar ajudar você da melhor maneira possível. Mas se eu não conseguir, tente depois. Todo dia eu aprendo coisas novas. Que tipo de ajuda você precisa? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.inbot.com.br/ed/formbot.htm#" onclick="'OpenHelpMe("&gt;&lt;span style="color: rgb(187, 187, 187);"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="45"&gt;&lt;b&gt;Você:&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;DESTRUIR O MUNDO!!!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="45"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt;Ed:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt; Ah, Kyr ficou semidestruído. O ar estava irrespirável, as águas contaminadas com detritos tóxicos, as florestas desmatadas e os recursos energéticos tinham ido para o beleléu. A destruição só não foi total porque sobrou a base robótica na estratosfera. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.inbot.com.br/ed/formbot.htm#" onclick="'OpenHelpMe("&gt;&lt;span style="color: rgb(187, 187, 187);"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="45"&gt;&lt;b&gt;Você:&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;é isso, boa idéia! vamos fazer o mesmo por aqui?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;table border="0" cellpadding="2" cellspacing="0"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="45"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt;Ed:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 160);"&gt; Vamos nessa!  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.inbot.com.br/ed/formbot.htm#" onclick="'OpenHelpMe("&gt;&lt;span style="color: rgb(187, 187, 187);"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111689858949674211?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111689858949674211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111689858949674211' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111689858949674211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111689858949674211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/05/as-reais-intenes-do-rob-da-petrobrs.html' title='As reais intenções do robô da Petrobrás'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111567135600722679</id><published>2005-05-09T17:40:00.000-03:00</published><updated>2005-05-10T00:41:37.763-03:00</updated><title type='text'>Mentiras</title><content type='html'>O homem escrevia com sua linguagem própria nos pilares da ponte e eu o observava, apenas, com culpa e escrevia.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Seu vampiro! escreve sobre mim, faz um livro, fica rico, enquanto eu fico aqui vivendo de lixo e morrendo de fome. Me tira tudo que eu tenho e vende.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Não estou escrevendo sobre você. Escrevo de mim mesmo enquanto vejo você escrever de você.&lt;br /&gt;---------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Ela estava tão ocupada, tão concentrada que não tinha tempo para mim. Todos sabiam disso, menos eu. Eu estava tão ocupado, tão concentrado, só pensava em chegar até ela. Mas ela não podia estar comigo. Eles sabiam disso, e me seguravam, me impediam. Mas eu estava tão preocupado, tão concentrado que nem os enxergava. Alcançá-la e nada mais.&lt;br /&gt;- Diga, se você é tudo que importa para mim, por que eu não posso ser tão importante para você?&lt;br /&gt;Eu não compreendia. Ela estava ocupada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------&lt;br /&gt;Quantas fotos! Fotos de alegria, fotos de mulheres, fotos de sexo. E eu ia olhando, e conforme fosse lembrando que aquelas pessoas só existiam na minha imaginação, suas imagens iam desaparecendo das fotos. Eu chorava e sabia que aquele era o limite da tristeza. Senti uma espécie de orgulho. Tinha atingido o limite.&lt;br /&gt;-----------------------------------------&lt;br /&gt;Ele havia angariado tanto conhecimento ao longo da vida e as mulheres o admiravam (de longe) por isso.&lt;br /&gt;- Na sua ignorância você não pode compreendê-lo. Sem um conhecimento minimamente comparável ao dele tudo que lhe resta é uma admiração cega. Ele se reduz a um sábio estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Você que o está reduzindo a apenas isso. Eu o considero uma pessoa completa, com um lado que não compreendo e admiro. Ademais, ele me é tão próximo como qualquer outro poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;-----------------------------------------&lt;br /&gt;Estávamos juntos, eu e ela. Eu queria falar com ela, só pra vê-la virar-se e concentrar-se em mim. Mas não tinha nada pra dizer. Sentávamo-nos lado a lado, olhando para frente. E sonhava conversas vazias, interessadas. Sonhava meu amor em dobro.&lt;br /&gt;==============================&lt;br /&gt;- Quando eu menti?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Quando disse que me amava.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- É verdade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Mas você tinha prometido nunca mais mentir pra mim, lembra? Já faz uns dois anos. Nós não estávamos mais apaixonados naquela época do que estamos agora. Ousaria dizer que até menos. Como que isso aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Eu não sei, acho que já mentia desde aquela época. Eu não consigo. Eu quero falar a verdade, mas é impossível. Menti antes, minto agora e acho que mentirei para sempre. A verdade é feita para ser descoberta. Seguro de meu amor por você, deixei de pensar nele. Comecei a interpretar. Interpretava de aumentar todos os seus defeitos, pois julgava conhecer sua real medida. Interpretava não dar a mínima pra você. Interpretava ser você inatingível, pois acreditava que acreditava acertar você sempre no alvo. Dizem que depois de muito fingir o ator passa a acreditar na própria fantasia. Mas não foi isso que aconteceu. Não pode ter sido. Minha fantasia tinha por objetivo apenas engrandecer seu nome. "Veja como ela é especial, casada com uma pessoa que a enxerga em suas medidas reais, conhece suas qualidades e seus defeitos, não precisa mentir aos outros nem a si mesmo. E ainda assim a ama. Amemos-na também!". Agora tal pensamento parece idiota, mas ele foi se construindo aos poucos. Era a sinceridade que me fascinava: queria que as pessoas te admirassem por eu ser sincero (e modesto, e lúcido). E para isso mentia (para os outros, nunca para você. Aliás, com você quase não cheguei a trocar palavras durante esse período). Então teve aquele dia no ônibus. Ante-anteontem, voltando de São Carlos. Eu estava sentado feliz da vida na janela, quando vi uma mulher bonita vindo em minha direção. Sorri para ela, pensando que era ela a afortunada que sentaria ao meu lado. Ela sentou-se na outra fileira, e seu namorado, um homem também bonito, foi quem sentou-se comigo. Tinha um rosto que me lembrava um tipo de carinho paterno que não vem do pai. Então era eu na janela e um casal separado por um corredor de ônibus. Foi quando o rapaz bonito virou-se para mim e perguntou-me se eu não poderia fazer um favor a ele e sua amante e trocar de lugar com ela para que eles pudessem ficar juntos. Antes mesmo de refletir sobre minha ação já estava semilevantado pronto para fazer a transição, quando lembrei-me que as cadeiras que ficam no corredor não são atingidas pela iluminação do ônibus, o que dificultaria bastante a leitura dos livros que trazia (trazia três livros: Dublinenses, livro de contos de James Joyce; Carta ao pai, carta cuja publicação invadiu a privacidade do então já falecido Franz Kafka e seu respectivo pai; e Lanterna Mágica, auto-biografia de Ingmar Bergman que atualmente influencia minha maneira de pensar). A lembrança desse detalhe do ônibus trouxe-me uma expressão de dor e arrependimento à face, assim como um gemidinho, que foi interrompido pela mulher bonita que disse "Mas é a janela, né?" Confirmei com um "É" meio fanho. "Tudo bem, não tem problema". E o braço dela atravessou o corredor para pousar-se sobre a mão do amante, numa cena melodramática que me lembrou o filme "Dumbo". Comecei a olhar a janela, meio que pra justificar o fato de não ter trocado de lugar, mas aquilo começou a me atormentar. O casal aproveitaria o lugar mais do que eu - a mudança geraria um "superávit de felicidade" em nós três (o aumento de felicidade dos dois seria maior que minha diminuição de felicidade, principalmente agora que não conseguiria ocupar o atual lugar sem um sentimento de culpa). Além disso, desde que nasci tenho bem claro um dos meus objetivos de vida: ser amado pelas pessoas ao meu redor. E naquela configuração eu era o garotinho egoísta que não queria ceder lugar ao casal. Um empecilho ao amor deles. Senti o ódio crescendo no homem-paterno ao meu lado. Se eu tivesse mudado de lugar, por outro lado, seria um garoto legal, cúmplice, patrono do amor do casal. Comecei a reconsiderar a mudança de lugar, mas ainda estava indeciso. Mas pensei em um motivo muito mais forte do que esses: a mulher bonita tinha compreendido minha dor e nem esperou para sugerir que a mudança poderia ser negativa para mim. Ela preferia ficar na dela do que incomodar um estranho. Desse modo, ela era igual a mim. Só que eu não havia agido igual a mim. Então virei para o homem-pai-bonito e disse para ele que havia pensado naquilo e que não haveria problema em mudar de lugar (eu sabia que me arrependeria daquilo, mas ia me arrepender mais se não fizesse aquilo). Ele me respondeu que "não precisa, pode ficar aí, não tem problema". A mulher ouviu as palavras do amante e arregalou seus olhões verdes e não me lembro exatamente como ocorreu essa inversão mas de repente era a mulher que insistia em incomodar o estranho e o homem que fazia papel de mim. "Eu mudo, não há problema nenhum mesmo" (agora que já não havia mais volta minha confirmação apenas acelerou a cena incômoda). O gentil estranho faz um sacrifício pelo próximo. Vede como é bondoso! E não recebe outra recompensa senão um humilde "obrigado". Senti-me ridículo, até mesmo humilhado. Ao meu lado agora havia uma garota, também bonita, que nem chegou a virar o rosto enquanto o estranho sentava ao seu lado. Ela não havia concedido o favor ao casal, mas eu havia. Com isso em mente comecei a explicar a ela (na minha cabeça, é claro) todos os motivos que me levaram a fazer esse favor (egoísmo, vaidade, etc). Levei meia hora nessa explicação (me embananei uma pá de vezes), mas ela era paciente. Então me disse que era o destino que tinha feito com que eu mudasse de lugar para me sentar ao lado dela. Enquanto pensava no quanto desprezava as convicções egocêntricas da garota ao meu lado (deitada de costas para mim por enquanto na vida real), expliquei para ela de maneira surpreendentemente respeitosa minha visão sobre o destino: "Sentarmos um ao lado do outro foi uma oportunidade.". No fundo nossas diferenças de concepções eram uma questão de linguagem. Tive que interromper a fantasia por aí, pois enquanto isso na vida real a princesinha nem havia me olhado nos olhos. Nem havia se voltado para mim. Foi então que a metalinguagem mental, o pensar sobre o pensar, me ocorreu. Eu havia percebido pela primeira vez que desde que eu nasci eu converso com pessoas que não conheço. Eu sempre explico a elas a maneira como funciono, elas ficam fascinadas pela minha personalidade. Elas me perguntam sobre mim. A garota de óculos, por exemplo, me perguntou por que eu tinha gostado mais dela do que da amiga dela que é mais bonita que ela. "Esses óculos te dão um ar intelectual e eu gosto de garotas intelectuais". Meu colega de universidade falava com uma garota bonita sobre mim: "ele é um nerd". Então eu chegava e falava "Como é que você fala mal de uma pessoa para alguém que você nem conhece? (ele tinha conhecido a garota naquela hora). Mas é engraçado, isso aconteceu comigo há pouco tempo: eu conheci um garoto que tinha acabado de terminar com o namorado dele, e ficava falando mal dele pra mim. Eu tinha acabado de conhecer o garoto - era amigo dele assim como poderia ser amigo do ex dele. Como que eu poderia confiar no testemunho do amigo recém-conhecido mais do que no ex dele? (essa história era apenas 50% verdade) Mas a gente faz essas coisas. Você, por exemplo (agora estou falando com a garota), acredita que eu seja um nerd porque conheceu um cara há 10 minutos que disse isso, um cara que por sinal não sabe nada sobre mim..." e por aí vai. Às vezes quando estou caminhando sozinho explico minha vida, meu eu a alguma garota bonita (é sempre uma garota bonita) que não só eu não conheço como nem existe. Foi criada naquele momento só pra mim. Passei a vida dando satisfações a estranhos, justificando cada ação minha, cada crença. Eu estava pensando nisso quando você apareceu e nós conversamos e você descobriu a verdade. Mais do que isso, você descobriu que apesar da minha promessa, eu havia mentido para você. Minha atuação foi aos poucos construindo uma barreira que me separou de você. Agora quando eu inventava mentiras sobre sua pessoa não era mais por me sentir seguro quanto a quem você era. Eu não negava nem afirmava minhas mentiras. apenas não pensava nelas. E entendi que ninguém nunca vai te admirar por minha sinceridade fingida. Nunca. Fiquei tão abismado com essa constatação que nem respondi ao "desculpe" da princesinha que tão delicadamente esbarrou em mim. Apenas fiquei calado. Mas tive que voltar à realidade para responder "de nada" ao casal mais uma vez, e fui encontrar meu pai e por isso adiei essa conversa até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111567135600722679?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111567135600722679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111567135600722679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111567135600722679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111567135600722679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/05/mentiras.html' title='Mentiras'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111539746024600592</id><published>2005-05-06T13:36:00.000-03:00</published><updated>2005-05-06T13:37:40.250-03:00</updated><title type='text'>Sei...</title><content type='html'>Às vezs me esqueço que as pessoas não são quem eu fui, quem eu sou ou quem eu serei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111539746024600592?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111539746024600592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111539746024600592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111539746024600592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111539746024600592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/05/sei.html' title='Sei...'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111357347134188371</id><published>2005-04-15T10:51:00.000-03:00</published><updated>2005-04-15T10:57:51.343-03:00</updated><title type='text'>Paranóia</title><content type='html'>São 4:41 da manhã, do dia 15 de Abril de 2005. Fui dormir ontem pensando nas próximas provas, nas derivadas, nas integrais, etc do curso. Sonhei com números, acordei às 2:30 da manhã ainda pensando em números. Os números não me deixavam dormir - e eu tinha que dormir, pois no dia seguinte acordaria às 8:30 para estudar química para a prova de terça feira (hoje é sexta). Ainda pretendo acordar às 8:30 para estudar química, mas entendi que escrever esse texto é mais importante que todas as provas desse ano. Isso porque nas horas que se seguiram após eu acordar, depois de me livrar da lógica numérica que atormentava minha mente, comecei a refletir sobre minha vida. E cheguei à conclusão que boa parte de minha infelicidade é causada por minha paranóia. Minha paranóia, por sua vez, é integralmente (ou quase integralmente) causada por dois simples fatores. O primeiro deles é a teoria do convite. O segundo deles não tem nome, mas vou tentar explicar assim mesmo, depois de explicar a teoria do convite.&lt;br /&gt;Teoria do convite: Existe uma maneira de se pensar o mundo como se as coisas fossem apenas as coisas sem serem outras coisas. Um carro é apenas um carro, sem ser, por exemplo, a extensão do ego do dono do carro. ("You must remember this, a kiss is just a kiss"). Mas as coisas são as coisas apenas em um determinado momento - em outro momento, as coisas se transformaram em outras coisas. Uma fatia de pão em um determinado momento é uma fatia de pão. Em outro momento, será matéria em decomposição - fungos e microorganismos e o que quer que tenha sobrado da fatia. Um homem vivo num momento é um homem morto no momento seguinte (ainda não chegamos na teoria do convite). Agora, podemos pensar que houve "intenção" no decorrer das ações. Exemplo: depois de vermos o pão embolorado, dizemos que a fatia de pão queria se tornar um pão embolorado. O homem vivo queria se tornar o homem morto. É agora que entra a mágica da teoria do convite: até aqui, observamos o estado final e o inicial, e dizemos que o estado inicial queria tornar-se o estado final. Agora, veja a diferença disso para a proposição da teoria: "As coisas são convites à outras coisas". De acordo com a teoria do convite, antes mesmo do pão virar embolorado, a fatia de pão era um convite ao pão embolorado. Antes de vermos o homem morto, o homem vivo já era um convite ao homem morto (dessa maneira o homem se torna morto ao mesmo tempo em que vive). O beijo é um convite ao sexo. O telefonema é um convite ao encontro. Dessa forma, o paranóico, antes de dar o beijo ou o telefonema, pensa se quer o sexo ou o encontro - pois, caso não queira, terá de fazer um esforço artificial e muito grande para barrar o "convite".&lt;br /&gt;A outra componente da minha paranóia é muito mais séria do que a teoria do convite, embora também seja apenas um problema de visão de realidade. O que ocorre é que eu acredito que a todo instante alguma coisa é esperada de mim. Os outros SEMPRE esperam algo de mim - quando estou conversando, o outro espera que eu diga algo inteligente. Quando estou passeando, o outro espera que eu esteja sempre atento a tudo que acontece ao meu redor. Quando estou chapado, o outro espera que eu me mantenha minimamente sóbrio. Quando faço uma prova, o outro espera que eu tire uma nota alta. Quando faço uma escolha, o outro espera que eu fique satisfeito. É óbvio que algumas vezes o outro REALMENTE espera algo de mim. Mas a paranóia provém do fato de que o outro foi interiorizado por mim. O outro espera algo de mim mesmo quando não existe o outro (e o outro não existe mesmo, nunca, pois estou sempre sozinho, mesmo quando estou acompanhado). Esse trauma provém, em grande parte, do meu pai, que cumpriu o papel do outro minha vida inteira e ainda cumpre.&lt;br /&gt;Pois é. Mas agora estou tranqüilo, pois a compreensão de um problema é um convite à sua solução (e espera-se que eu solucione em breve).&lt;br /&gt;Agora provavelmente vocês entendem por que esse texto era mais importante que a prova de terça e as provas de quarta e as aulas de cálculo e minha noite de sono. Se não entendem, há algo de errado com suas prioridades. São 5:10 da manhã, talvez eu consiga dormir um pouco, talvez eu consiga ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[obs do dia seguinte: tentei corrigir os erros de gramática sem alterar a estrutura do texto]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111357347134188371?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111357347134188371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111357347134188371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111357347134188371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111357347134188371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/04/parania.html' title='Paranóia'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111317569291943234</id><published>2005-04-10T20:27:00.000-03:00</published><updated>2005-04-11T19:45:25.036-03:00</updated><title type='text'>PARADOXO II</title><content type='html'>Seja ovo, seja galinha,&lt;br /&gt;Mais vale a idéia ou a palavra?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111317569291943234?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111317569291943234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111317569291943234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111317569291943234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111317569291943234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/04/paradoxo-ii.html' title='PARADOXO II'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111290397940616723</id><published>2005-04-07T16:56:00.000-03:00</published><updated>2005-04-07T16:59:39.416-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Antes de tudo devo me apresentar: meu nome é Daniel Abramowicz. E isso é tudo que vocês precisam saber sobre mim por enquanto. Enquanto o enquanto não passa, uma breve introdução ao meu trabalho de pesquisa: minha missão era conseguir o máximo de informação possível sobre o homem que desenvolveu o modelo X para explicar o fenômeno E. Pode parecer uma missão fácil, mas o grau de profundidade de minha pesquisa foi tão grande que eu quase me afoguei (literalmente!) nos dados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Inicialmente baseei-me nas fontes habituais de pesquisa: um calhamaço cheio de meias verdades (mentiras inteiras) retirado da internet. E não foi só "ctrl c ctrl v", não. Eu li tudo, mesmo. Demorei 1 mês inteiro só separando os dados. E foi nesse processo que eu consegui mais informação - para vocês terem um idéia, eu não sabia nem o nome do banana antes da pesquisa na net. E na net fomos apresentados. Ricardo Carlos, prazer, Daniel Abramowicz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Ricardo Carlos (na verdade Richard Charles, é que eu tenho mania de ficar abrasileirando o nome das pessoas importantes - Sugismundo Froyd, Jerônimo Bosh, Ronaldo McDonald, etc) nasceu na época T, teve uma infância C (quem não teve?), cursou a Universidade Aquário, enfim, teve uma vida muito I. Mas isso não é o importante - importante foi o modelo X. Para minha pesquisa, tive que ler todos os livros escritos por Ricardo Carlos e muitos mais só para entender a lógica e a importância do modelo X, e como ele se aplica à nossa vida quotidiana. Por exemplo, se você tem um amigo e resolve viajar com ele. No meio da estrada vocês param para tomar um café, mas seu amigo pede um sorvete. Então, depois de descansados, vocês retomam a viagem (isso tudo na ida da viagem, tinha esquecido de dar esse detalhe). Então, como a viagem é longa, você fica com sono e tira uma soneca, enquanto seu amigo dirige. Calmaí, isso não está certo, você tinha acabado de tomar café... ah, desculpe, você que tinha pedido sorvete lá na lojinha do posto, e seu amigo que tinha tomado um café. E você não precisava ficar preocupado com a direção, porque na ida da viagem você que tinha dirigido. Ah é, a gente tava falando da ida, né? Então você que tomou o café e seu amigo o sorvete, e ele dormiu durante a viagem. Ah, nem preciso mencionar, era você quem estava dirigindo (tanto que seu amigo tava dormindo). Bom, pra encurtar a história, o fenômeno E é o que ocorreu entre a viagem de ida e a viagem de volta, que permitiu que fosse você e não seu amigo que tomasse o sorvete. E no final, se você fizer as contas, você tomou dois sorvetes e um café, e seu amigo só tomou o café (o sorvete dele caiu no chão na ida. Digo, na volta) - mais uma vez, fenômeno E. E o modelo X é a única coisa que explica o fenômeno E.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Toda essa explicação confusa não foi realmente uma tentativa de dar uma noção do modelo X a vocês leitores. Na verdade o fenômeno E e o modelo X não têm nada a ver com viagens, cafés e sorvetes. Eu escrevi tudo aquilo lá em cima apenas para vocês terem uma idéia do TIPO de livro que eu tive que ler - substitua cada palavra por um algoritmo com uma quantidade de letras gregas de deixar Homero com inveja. Aparentou-me haver uma contradição inerente ao modelo, que tentei reproduzir no meu exemplo pífio. Essa contradição, que depois provou-se ser verdade, é devido ao método A de se chegar às equações. Mas estou me adiantando, tudo virá no seu próprio tempo. Além disso, estou entediando o pobre leitor que sentiu-se obrigado a terminar de ler o texto, já que começou. Eu também sou assim, mas vou dar uma dica pra vocês: vocês não precisam ir até o fim. Não mesmo, é só parar no meio - parem de ler - agora! É claro que a parte mais legal é a próxima, mas se você tivesse parado na hora que eu falei, você não saberia disso, e estaria livre de dor de consciência de não ter dado uma chance ao escritor. Para os leitores que pararam de ler na hora em que falei, o meu texto é só um monte de bobagem, um texto que não fala nada sobre nada, enfim, um texto chato. Mas para vocês, que agüentaram até aqui, vocês sim terão o privilégio de conhecer uma história que pouco tem a ver com X, A, T, I, C, E etc. No fundo, é uma simples história de amor... (não no sentido tradicional).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Já enrolei demais. Hora de começar (afinal, eu não fiquei meses e meses lendo livros, visitando sites, recolhendo depoimentos em diversos lugares do mundo, consultando até mesmo uma ocultista esotérica fenomenologista (e olha que eu sou o cara mais cético que conheço) que me cobrou uma fortuna para falar em termos imprecisos uma informação "telefone-sem-fio" que eu não tenho nem como provar que seja verdade, enfim, eu não tive todo esse trabalho para não escrever nada.): o primeiro fato importante na vida de Ricardo Carlos (putz, nunca vi nome menos sonoro que esse na minha vida - e Richard Charles é ainda pior!) foi quando ele entrou na Universidade Aquário (U.A. para os íntimos - não confundir com "Unidade Arbitrária" - se bem que essa confusão não é de todo ruim...). Não foi nenhuma surpresa, quando, durante o banho, a campainha tocou e ele estava sozinho em casa, então colocou um roupão e correu para atender a porta, e era o carteiro. Então ele pegou a correspondência, mas não abriu, porque ainda tinha xampu no cabelo. Então ele terminou o banho e quando ele abriu a carta da Universidade Aquário falando que ele tinha entrado não foi nenhuma surpresa (se fosse, ele não ia esperar tirar o xampu antes de abrir a correspondência) - e não foi surpresa porque Ricardo Carlos era um pequeno gênio - um cara muito superior à media das pessoas, um dos poucos que podem ser comparados, assim, na maior, a caras como Alberto Einstein, Frederico Nietzsche, Ludovico Van Beethoven, etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Ricardo Carlos chegou na universidade achando que ia encontrar um ambiente adulto, com pessoas sérias, interessadas em aprender, engajadas politicamente, enfim. Mas na Universidade Aquário só tinha palhaço. Comportamentos tão infantis que mesmo durante o colegial as pessoas não apresentavam (ou seja, comportamentos de ginásio) eram facilmente encontrados, em qualquer direção que Ricardo Carlos olhasse. Foi um choque, uma decepção. Os professores, por sua vez, ignoravam esse fato totalmente, e mantinham suas aulas em alto nível (seja lá o que signifique "manter algo em alto nível", mas foi uma citação direta do depoimento de alguém que eu perdi o nome), sendo o desafio das aulas a única coisa que mantinha Ricardo Carlos vivo e pretendendo continuar vivendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Nem preciso dizer (mas vou) que, sendo Ricardo Carlos um cara tão foda, ele teve as melhores médias da história da faculdade. Nem precisava dizer isso porque também não tem nada a ver com o que eu vou falar agora: o fato que levou Ricardo Carlos a propor o modelo X. Eu vou falar disso no próximo parágrafo, mas já vou avisando que a explicação envolve muitas letras (letras soltas, tipo S, E, X, etc - não letras juntas, senão é muito fácil dizer que qualquer texto tem muitas letras - menos o último poema que eu li, mas estou fugindo do assunto). Então se você é daqueles (as) caras que não é muito chegado (a) numas letras, que não via a hora do terceiro parágrafo acabar, enfim, se você é desses pentelhos, pule o parágrafo a seguir (duvido que o faça, já que leu tudo até aqui...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Ricardo Carlos estava no meio do terceiro ano do curso J, quando, durante uma aula, foi introduzido à obra de F. F havia ficado famoso por ter feito um modelo, modelo esse também chamado modelo X (mas hoje em dia ninguém fala mais dele, pois foi totalmente substituído pelo outro modelo X, o do Ricardo Carlos). Ricardo Carlos entrou em uma seríssima discussão com seu professor, Ubaldo S.T. (nem me pergunte o nome "não aportuguesado" desse cara), para alegria de seus colegas, que não só não iam mais precisar assistir a aula, mas podiam ficar se divertindo fazendo guerrinha de giz (se bem que no meio do terceiro ano o pessoal já não fazia mais tanto esse tipo de coisa - e era a esse tipo de coisa que eu estava me referindo quando mencionei comportamento infantil. Mas, raras ou não, durante a discussão é sabido que uns colegas atiraram giz em Ricardo Carlos. Alguns autores até gostam de fazer analogia com a famosa maçã (e ainda existe a teoria de que foi na verdade uma maça, não uma maçã) que caiu na cabeça de Isaque Newton, inspirando-o à gravidade. A verdade é que não foi nem a maçã nem o giz que desencadeou a reação em cadeia nos cérebros de seus respectivos "alvos".). Ricardo Carlos havia percebido uma falha de lógica no modelo X de F. Só para ficar mais fácil a compreensão, para se desenvolver uma teoria, utiliza-se métodos lógicos. São conhecidos os métodos A, D, E, R, V, entre outros, que podem ser usados em qualquer tipo de combinação (ao menos assim imaginava Ubaldo S.T.). Mas F havia utilizado os processos de tal maneira (A (-V/ER - D'logA/D'logE)) numa ordem que era auto-contraditória, pois não se podia ter A multiplicando a expressão que se seguia, ou haveria a negação e a afirmação (ou seja, uma contradição) na teoria. Ricardo Carlos sabia que havia uma contradição no modelo X de F, mas não conseguia demonstrar por quê. A discussão já estava calorosa, quando Ricardo Carlos foi obrigado a aceitar o procedimento de F como válido. Essa resignação representou para Ricardo Carlos, psicologicamente falando, a destruição de sua masculinidade - sua impotência lógica associou-se a uma impotência sexual metafórica (mas esse depoimento todo foi de um cara que nem gostava do Ricardo Carlos - aliás, o próprio cara que jogou giz nele, Guilherme alguma coisa). E é aqui que chego onde nenhum homem jamais esteve: essa minha dissertação totalmente coloquial, de todas as dissertações já feitas sobre Ricardo Carlos (TODAS literalmente - eu sei, eu li!), é a única que se aprofundou o suficiente para descobrir qual foi o REAL motivo do desenvolvimento do modelo X por Ricardo Carlos, e que, depois se provará, implica num fato que nenhum homem jamais ousou sequer imaginar: Ricardo Carlos jamais aceitou o próprio modelo. Desculpe, me animei e me adiantei, deixe-me contar a história toda: Ricardo Carlos, irritado com o professor e irritado até mesmo com a sociedade, que aceita o método lógico empregado por F como válido, necessitando reafirmar sua masculinidade e ao mesmo tempo vingar-se de todos os que diziam que era ELE, e não F, quem estava errado (e acredite, foram muitas pessoas. F era cientista renomado), resolveu adotar o método empregado por F para tirar suas próprias teorias, absurdas é claro, mas todos teriam que aceitar, afinal, é ciência! Não sei se consegui passar uma idéia exata da maquiavelidade do plano de Ricardo Carlos. Para facilitar a compreensão, imagine, por exemplo, que um cientista importante utilize o conceito de espaço-tempo decadimensional (ou seja, a existência de dez dimensões no espaço-tempo). Então, conforme vai teorizando, aproveita-se do engano tradicional de que o tempo seria também uma dimensão do espaço-tempo (o que, embora seja aceito como EXEMPLO de quarta dimensão, jamais pode ser aceito cientificamente como tal). No espaço decadimensional, existem dez dimensões mensuráveis em unidades conversíveis de medida de espaço. Assumir o tempo como uma das dimensões seria o mesmo que dizer que podemos medir o tempo em metros, centímetros, anos-luz. Então, a partir dessa suposição, chegamos à terrível equação “espaço=tempo”. Partindo dessa equação, temos todo um novo modelo de compreensão do universo, baseado, logicamente, em um erro. Por exemplo, sendo espaço=tempo, a sensação de lentidão dos movimentos na Lua, por exemplo, seria explicada por um problema de espaço: o espaço lá é maior, pois, na ausência de moléculas de gases, há maior concentração matéria/espaço, o que significa que o TEMPO lá também é maior. Ainda assim, como nosso corpo na Lua permanece com o mesmo espaço, o tempo metabólico do homem na Lua é igual ao tempo metabólico na Terra. Isso também explicaria porquê vemos os aviões caminharem tão lentamente em nosso céu. Entre muitas outras coisas. Ricardo Carlos fez exatamente isso para desenvolver o modelo X, baseando-se no mesmo princípio lógico (ilógico) presente no modelo X de F. Para ele, esse erro era tão claro como é claro para nós que espaço não é igual a tempo. Mas, inserido em equações e princípios muito mais complexos do que o de espaço decadimensional, tal erro jamais poderia ser percebido por nós, meros humanos semi-racionais (eu mesmo não entendi porquê o uso do método A por F seria contraditório...). A “contradição F”, como inclusive foi demonstrado por Ricardo Carlos, é impossível de ser provada (a ciência J não é tão exata quanto sua fama dá a entender). A vingança de Ricardo Carlos seria montar um modelo totalmente errado, mas que, como é impossível provar que está errado, teríamos que aceitar como dogma da ciência, assim como aceitávamos o modelo X de F. Ricardo Carlos seria o novo “papa” da ciência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Pouco importa o que ocorreu depois disso. Ainda assim vou contar: Ricardo Carlos passou alguns dos seus próximos anos trabalhando no modelo X (o seu, não o de F). E chegou a conclusões que não eram tão absurdas como ele gostaria que fossem. Ainda assim, para um homem do naipe dele, as contradições eram evidentes. Terminado o modelo, que rendeu-lhe inúmeros prêmios importantes e a fama de gênio que perdurou sua (curta) vida, Ricardo causou literalmente uma revolução na J. Muitos fenômenos antes não explicados deixaram finalmente de atormentar as pobres mentes curiosas e absolutistas dos seres humanos semi-racionais. No começo, Ricardo Carlos ficou orgulhoso de sua contribuição para a (destruição da) J. Jamais admitiu para ninguém (alguém) que todo seu modelo era baseado numa mentira. Até hoje o modelo X é ensinado nos cursos mais avançados de J. Mas minha pesquisa não terminou por aí. A fim de saber se sua consciência o esteve atormentando no final de sua vida, consultei uma renomada paranormal, que prometia ter o poder de dar-me informações sobre a situação de Ricardo Carlos durante sua morte ou após. De acordo com a mulher, Ricardo Carlos não mais se encontrava entre os mortos, porém, boatos rolavam soltos sobre alguns de seus feitos no pós-vida. Uma dessas histórias (a única que meu dinheiro pôde pagar) é de que numa bela manhã de Maio estava Ricardo Carlos observando-nos de cima, quando o Criador, passando perto, resolveu-lhe acompanhar na observação. Seguiu-se que Ricardo Carlos comentou: “Fui eu que fiz!”. É claro que essa história são só rumores passados de boca em boca, e pode ser que na realidade tenha sido o Criador que fez o comentário. Ou o comentário pode ter sido simplesmente parte de uma conversa maior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Espero que o estilo coloquial dessa dissertação não tenha comprometido sua credibilidade. A verdade é que ninguém ousaria duvidar formalmente do modelo X – nem eu, nem Ricardo Carlos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111290397940616723?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111290397940616723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111290397940616723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111290397940616723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111290397940616723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/04/antes-de-tudo-devo-me-apresentar-meu.html' title=''/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111274439874624632</id><published>2005-04-05T20:28:00.000-03:00</published><updated>2005-04-05T20:39:58.746-03:00</updated><title type='text'>Poema exato</title><content type='html'>Primeiro esclarecimentos: percebi que fiquei mais de uma semana sem escrever no blog, então tomei uma decisão que, embora não pareça, é para o bem dos leitores: desencanei. Não desencanei de escrever o blog, apenas desencanei de colocar no mínimo um post por semana. Prefiro escrever menos textos mas textos melhores a escrever mais textos sem qualidade. É assim que será a partir de agora, espero que não deixem de me visitar, pois imagino que, na média, continuará aparecendo por aqui um post por semana (só deixará de ser obrigação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, para variar, um curto poema de minha autoria (prometo colocar um conto daqui algum tempo - será o primeiro dos contos escritos nessa minha "fase blog" da vida (o gato cinza de olhos azuis era uma crônica))&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Eletricidade -&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;Por que diabos há&lt;br /&gt;De passar por portas fechadas&lt;br /&gt;E barrar-se em portas abertas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que diabos teimo&lt;br /&gt;Em passar-me por portas fechadas&lt;br /&gt;Me barrar em portas abertas?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111274439874624632?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111274439874624632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111274439874624632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111274439874624632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111274439874624632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/04/poema-exato.html' title='Poema exato'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111187583499425614</id><published>2005-03-26T19:21:00.000-03:00</published><updated>2005-03-26T19:23:54.996-03:00</updated><title type='text'>Minha Pasárgada dos doces lábios</title><content type='html'>"E quando eu estiver mais triste&lt;br /&gt;Mas triste de não ter jeito&lt;br /&gt;Quando de noite me der&lt;br /&gt;Vontade de me matar&lt;br /&gt;— Lá sou amigo do rei —&lt;br /&gt;Terei a mulher que eu quero&lt;br /&gt;Na cama que escolherei&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Pasárgada"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Estrofe final do poema “Vou-me Embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando de noite me dá vontade de me matar, lembro-me que foi uma escolha minha, assim como posso escolher outra coisa. Minha onipotência beira a dos suicidas. Eu desejo tudo que se passa comigo. Um desejo contrário me levaria a outros lugares, outras Pasárgadas. Foi uma lição muito bem aprendida, nas palavras do sábio personagem dos quadrinhos “Sandman” - Que poder teria o Inferno, se os lá aprisionados não pudessem sonhar o Céu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(gostaria de poder explicar isso de maneira menos ambígua, confusa e contraditória, mas não há como)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111187583499425614?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111187583499425614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111187583499425614' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111187583499425614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111187583499425614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/minha-pasrgada-dos-doces-lbios.html' title='Minha Pasárgada dos doces lábios'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111146526964464543</id><published>2005-03-22T01:04:00.000-03:00</published><updated>2005-03-22T01:22:41.056-03:00</updated><title type='text'>Heavy ConstruKction</title><content type='html'>Estou trabalhando em um novo projeto, explorando uma forma de comunicação há pouco redescoberta por mim. Por isso estou atualizando tão pouco o blog. Nesses dias eu tive um colapso, uma súbita epifania de que as mentes humanas estão em um quarto estado do movimento, isso é: não estão flutuando, nem em "MRU", nem acelerando. Estamos procurando algo sólido, algum apoio, mas tudo a nosso redor é nada - não, não existem objetos sólidos, nem líquidos, nem gasosos - não existem objetos! Tudo pode ser dito a respeito de tudo (pois tudo é feito de nada). Esse vazio existencial me atormentou durante o dia, mas depois de reler o livro "Partículas de Deus" (de Scott Adams, que eu já mencionei no blog), um livro que se propõe exatamente a tirar todos os apoios e deixar o leitor mais perdido ainda, consegui me tranqüilizar. O turbilhão de pensamentos que estupravam minha mente cessaram (no mínimo não os sinto mais - acho que fiquei frígido...). Enfim, esse post não tem nada a ver com a proposta do blog, mas eu tinha que escrever alguma coisa para minha consciência parar de me atormentar por uma semana (sim, assim como no filme "O Chamado", toda vez que escrevo algo pro blog um telefonema mental me diz "Seven Days!" e a contagem regressiva para o próximo post começa). De qualquer maneira, depois de terminar o projeto, se eu conseguir digitalizá-lo, vocês verão aqui no blog. Mas de qualquer maneira darei notícias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111146526964464543?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111146526964464543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111146526964464543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111146526964464543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111146526964464543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/heavy-construkction.html' title='Heavy ConstruKction'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111100242060197757</id><published>2005-03-16T16:45:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T16:47:00.603-03:00</updated><title type='text'>Prezado Prazer:</title><content type='html'>Outro dia andando na faculdade à noite uma coruja acompanhou-me do ar por um não tão breve período de tempo. Quando a vi, pensei: "que legal!", mas pouco depois me veio um medo instintivo. A coruja me olhava como se eu fosse sua presa. Da mesma maneira, quando estou andando na rua e um cachorro decide me acompanhar, uma de minhas primeiras reações é um ligeiro temor. Uma vez na praia (em Porto Seguro), fui perseguido por um cachorro. De início eu não queria fugir dele. Mas não havia tempo para decidir se era melhor esperar ou correr: ele vinha correndo em minha direção. Em qualquer outra situação, EU poderia ser o predador: aquela coruja serviria um belo (embora não tão farto) churrasco. O cachorro também (nunca acreditei naquela história sobre pulmão de cachorro). E nesses casos, mesmo que ele olhasse para mim, eu não seria capaz de sentir medo. Entretanto, não sendo um apreciador de carne de coruja (Porque não? Não sei, nunca experimentei), aquele olhar me desencadeou um medo instintivo de presa. Quem sabe um dia não possa eu me livrar desse aspecto irracional de minha personalidade? Espero um dia poder desfrutar plenamente do prazer submisso, do prazer passivo, do lânguido prazer da presa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111100242060197757?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111100242060197757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111100242060197757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111100242060197757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111100242060197757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/prezado-prazer.html' title='Prezado Prazer:'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111093207994428054</id><published>2005-03-15T20:38:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T17:04:44.446-03:00</updated><title type='text'>Não sei o que está acontecendo comigo...</title><content type='html'>Mas é algo que consegui converter em energia produtiva, para um poema satírico (eventualmente voltarei a escrever contos que é o que eu prefiro escrever)&lt;br /&gt;Não tem nada a ver com nada que eu tenha passado esses dias, a não ser talvez um debate com tema "a mulher e a mídia" que tive hoje.&lt;br /&gt;Ainda sobre o poema, um dia discuti com meu amigo sobre a construção da sentença "a ponte do rio que cai". É uma construção muito boa, com potencial para uma frase engraçada como "Quem é o filho da puta que late?" Então hoje, depois de muito tempo, fiz um poema no qual caberia essa frase exatamente como ela veio ao mundo (caberia mas não tinha cabimento colocar então ficou sem, mesmo). Sem mais enrolação, com vocês, "o poema do autor que grita"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ADACADEMIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;Die die die&lt;br /&gt;Meu médico mandou só comprar produtos&lt;br /&gt;Die die die&lt;br /&gt;Milhões de mortas na tv gritando&lt;br /&gt;Die die die&lt;br /&gt;Até que só sobrem ossos e silicone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso meu cachorro que só come ração&lt;br /&gt;Late late late&lt;br /&gt;Como é bom de vez em quando choco&lt;br /&gt;Late late late&lt;br /&gt;Coca-cola pipoca e guaraná&lt;br /&gt;Late late late&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não morrer igual aquela puta atriz que só pega papel de coadjuvante nas&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;[piores novelas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;As pessoas sem força de vontade&lt;br /&gt;As pessoas sem auto-estima&lt;br /&gt;As pessoas que escolheram para si destinos piores&lt;br /&gt;As pessoas que não saem da sala de jantar&lt;br /&gt;E são ocupadas em nascer e viver (e comer)&lt;br /&gt;Enquanto meu preçonal treiner só me deixa&lt;br /&gt;Die Die Die&lt;br /&gt;Nou peim nou gueim&lt;br /&gt;Nessa vida a gente tem que se esforçar&lt;br /&gt;Quem não chora não mama&lt;br /&gt;Quem não late não perde.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111093207994428054?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111093207994428054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111093207994428054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111093207994428054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111093207994428054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/no-sei-o-que-est-acontecendo-comigo.html' title='Não sei o que está acontecendo comigo...'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111076463519001214</id><published>2005-03-13T22:15:00.000-03:00</published><updated>2005-03-14T18:26:27.763-03:00</updated><title type='text'>Afinal finalmente fina poesia</title><content type='html'>Oi. Estou ao mesmo tempo muito feliz pela Paula Corrêa (a poetisa cujo &lt;a href="http://www.paulainvitro.blogspot.com/" target="_blank"&gt;link para seu blog&lt;/a&gt; encontra-se na barra da direita (na parte "Blogs de pessoas que admiro")) e triste por estar longe de todo mundo, aqui em São Carlos. Feliz por ela porque ela apareceu não em apenas &lt;a href="http://link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2993" target="_blank"&gt;uma&lt;/a&gt;, mas em&lt;a href="http://link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=3002" target="_blank"&gt; duas&lt;/a&gt; matérias do famigerado e famigerante caderno LINK do Estadão. Embora isso tenha acontecido Segunda Feira, eu só pude ler as reportagens nesse final de semana, ao visitar São Paulo.&lt;br /&gt;Então, nessa onda de poesia, acabei fazendo uma também. Talvez a poesia mais agressiva que já escrevi - é quase um insulto politizado poetizado, semicriptografado. Sim, (vocês já devem ter percebido que eu adoro começar uma frase com "Sim,") nesse tribunal do rei escarlate cansei-me de ser o réu e resolvi julgar (-risada diabólica-).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Defecção (Cor Eu) em Si Maior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: left;"&gt;A cor do social mudou de cor.&lt;br /&gt;É a cor do pessoal que faz tudo virar bosta&lt;br /&gt;Pessoal da privada: defecação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cor do social&lt;br /&gt;Com trato social&lt;br /&gt;Diferenciado&lt;br /&gt;Vvery Vvip ffu uaghch!&lt;br /&gt;Verde Catarse. Saúde!&lt;br /&gt;O que for Ceará (Cor onerado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniremos e Urinamos&lt;br /&gt;Pela invasão marxiana&lt;br /&gt;Pra DESTRUIR de vez&lt;br /&gt;Esse planeta dos Macarthos&lt;br /&gt;Mas a cor da minha filha (não sejamos ingênuos)&lt;br /&gt;E veja a cor da situação:&lt;br /&gt;Sinal Vermelho pra sina Vermelha&lt;br /&gt;Cor por ações (e ações) que avermelham e amarelam nosso planeta (Azul)&lt;br /&gt;Planeta de Mc Cacos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve-salvemos as ações e cores que sabemos de Cor&lt;br /&gt;E as pessoas de Cor&lt;br /&gt;Salvemos nossa população de ira&lt;br /&gt;E nossa constituição traída, oca&lt;br /&gt;Busquemos a reta, a rente&lt;br /&gt;Emos sem medo&lt;br /&gt;Ramos como céu pra buscar...&lt;br /&gt;Não deixemos de ar em nossos pescoços tados pelo por ativismo&lt;br /&gt;Ódio à ja brasileira de nos rompidos&lt;br /&gt;(-todos nós somos até que tudo mude)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111076463519001214?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111076463519001214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111076463519001214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111076463519001214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111076463519001214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/afinal-finalmente-fina-poesia.html' title='Afinal finalmente fina poesia'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-111056889888525641</id><published>2005-03-11T16:15:00.000-03:00</published><updated>2005-03-11T16:21:38.896-03:00</updated><title type='text'>O intertexto no hipertexto (8/3/5)</title><content type='html'>Já imaginou como eram as coisas antes dos livros? As pessoas transmitiam conhecimento oralmente. Isso significava que ao longo da vida uma pessoa adquiria conhecimento e construía a si mesma, porém, sua existência estava atrelada ao contato que tinha com as outras. Ou seja, a pessoa era finita e instantânea. As gerações iam aos poucos deteriorando a imagem do indivíduo, até que não restasse nada a não ser suposições. Depois inventaram o registro (livro), de modo que uma pessoa podia adquirir conhecimento e transmitir-se através da escrita. Sendo assim, uma pessoa era finita e momentânea, podendo perdurar algumas gerações, e se fosse alguém importante, duraria mais (com baixíssimas probabilidades de se tornar eterna, como Sófocles). Então houve a grande revolução: a imprensa. Agora uma pessoa podia transmitir-se através de livroS, podendo ser múltipla e eterna. O acesso aos livros era maior. Mais pessoas guardariam o indivíduo. Agora, séculos depois, chegamos ao próximo passo: o "hipertexto" (se bem que meu estilo "clean" com raros links ou imagens poderia até ser chamado de "hipotexto"...). Com o hipertexto podemos ser mais do que múltiplos e eternos: somos infinitos e eternos. Não sei se já mencionei isso anteriormente, mas a internet é o mais próximo que temos da idéia de Deus - onipotente e onipresente. Fazendo parte dela torno-me uma partícula de Deus (alias, "Partículas de Deus" é o nome de um livro que trata exatamente disso - ficção, mas com interessantes aplicações na vida real, com frases que têm um quê de Bernard Shaw, misturado talvez com algo de Lord Henry WOTTON (mas ninguém supera Henry Wotton - senão meu blog seria www.shaw.blogspot.com)). Pois é, esse meu blog perpetua meu "eu 18 anos" - daqui algum tempo relerei esses textos e saberei quem fui (essa é uma dúvida que eu sempre tive em relação a outras idades).&lt;br /&gt;Intertexto é muito bom mas já teve seu tempo. Anacronismo meu. Agora darei notícias da vida política na universidade. Lembram-se de quando eu falei que havia 1% de presença nas palestras politizantes/politizadas? Agora passei a fazer parte de um grupo chamado TOD@S - Coletivo contra opressões. É o mesmo grupo que trouxe os palestrantes que discorreram sobre descriminação por gênero (aliás, escrevo nos 20 minutos finais do Dia Internacional da Mulher, parabéns a todas vocês! (o blog só vai ser atualizado depois - sem internet fica difícil)), opressão contra a diversidade sexual e preconceito racial. Dos 3000 estudantes de graduação da USP de São Carlos, quantos fazem parte do grupo? Acertou quem chutou 0,2% (pra quem fez a conta direitinho deve ter dado 6 estudantes - isso contando eu). Ao menos pude ter o alívio de saber que não são militantes da extrema esquerda (ufa! discussão sem dogmas nem prepotência é muito melhor). Pois hoje me despeço cedo, (a)guardando assunto para o outro dia que está por vir (e apenas o que ainda não é que acaba). abramo6@estadao.com.br - esse é o meu e-mail mesmo, não se avexe e escreva-me (ou no mínimo, NO MÍNIMO, comente o blog... é tão simples!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Apesar de parecer, eu não fiquei mais de uma semana sem escrever para o blog. Eu fiquei é sem atualizá-lo. Mas agora que tenho internet (11/3/2005) isso não irá se repetir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-111056889888525641?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/111056889888525641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=111056889888525641' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111056889888525641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/111056889888525641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/o-intertexto-no-hipertexto-835.html' title='O intertexto no hipertexto (8/3/5)'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110988962687231340</id><published>2005-03-03T19:39:00.000-03:00</published><updated>2005-03-03T19:40:26.876-03:00</updated><title type='text'>Inteligência e Racionalidade</title><content type='html'>Hoje tivemos uma palestra sobre inteligência artificial, bastante elucidativa em relação a esses conceitos que tanto nos confundem, como inteligência ou racionalidade. Tenho aqui em minhas mãos a definição absoluta definitiva desses conceitos. Nunca mais irei me confundir.&lt;br /&gt;            Inteligência: do ponto de vista da inteligência artificial, existe um teste que prova que uma máquina é ou não inteligente, chamado "Teste de Turing" (que ficou mais conhecido depois do livro Neuromancer, de 1984). De acordo com um teste, um computador é inteligente se ele consegue se passar por ser humano. Ou, para citar a apresentação "Powerpoint" da professora, "Ser inteligente é atuar como humanos" (estava escrito exatamente assim, inclusive o sublinhado no espaço entre "atuar" e "como"). Pois então, com o conhecimento que tenho de máquinas que corrigem gramática, tenho certeza de que elas não cometeriam esse erro de concordância (se não é um erro de concordância, então nenhum homem é individualmente inteligente). Entretanto, sendo não cometer esse erro um ato cartesiano previsível, não cometer esse erro é ser menos humano. Daí podemos tirar a conclusão de que SER INTELIGENTE É ERRAR (ou, se preferir, ser inteligente é ser "burro"). O homem se acha medida para todos os valores, e por isso todos os seus conceitos de inteligência são tão egocêntricos. Há muito que o homem tenta medir sua inteligência, e para isso sempre criou métodos de medição que usam como modelo de inteligência a si mesmo. Por isso já houve tantas pesquisas indicando que o homem europeu é mais inteligente do que os afro-descendentes ou os nativos americanos. O método de Turing corresponderia a esse teste de QI inválido, dogmático. Talvez precisássemos eventualmente de uma "antropologia computacional" para decidirmos o grau de inteligência de máquinas a partir dos valores das próprias máquinas. Agora, se esse conceito de inteligência (atuar como humanos) já gera tanta polêmica, nem ousarei sugerir que conclusão poderíamos tirar do conceito de RACIONALIDADE dado pela palestrante: "Racionalidade = capacidade de alcançar sucesso esperado na execução de uma tarefa". Puxa, ainda bem que essa era uma palestra sobre máquinas, e não uma aula de filosofia. Mas no fundo, a verdade é que as máquinas têm a tendência a se tornarem melhores que nós, desde o fatídico ano de 1997, quando Garry Casparov e Deep Blue duelaram em uma espécie de tourada na qual nós fomos o touro. E éxatamente para essas touradas que escolhi (... esse lhi tem uma sonoridade tão estranha...) estudar para a profissão de engenheiro mecatrônico. Minha sina será fazer máquinas que vençam os homens em todas as disputas competitivas não violentas (como corridas de autorama).&lt;br /&gt;            Mas, superiores ou não, as máquinas são uns seres extremamente engraçados (do ponto de vista auto-irônico mesmo). A palestrante nos mostrou uma planta do laboratório de ciências matemáticas e computação do campus. Depois ela havia montado um robô que iria, autonomamente, passear pelo laboratório, captando o ambiente com seus sensores, e a partir dos dados coletados montar uma planta do laboratório. "E esses foram os resultados" - quando ela passou o "slide", um desenho abstrato apareceu na tela. O robô não percebeu que tinha dado uma volta de 180º ao final do corredor, então considerou seu caminho de volta como um novo ambiente, transpondo a "planta da ida" à "planta da volta", fazendo de seu mapa um rabisco. O mais engraçado é saber que eu faço a mesma coisa. Voltando de uma (das muitas) festa, também não percebi o quanto havia virado, e acabei desembocando no lado oposto ao que eu deveria chegar para voltar para casa.&lt;br /&gt;            Manterei o blog atualizado, sempre incorporando o máximo de novas informações possível, portanto, passe manteiga "no tribunal do rei escarlate" de vez em quando para manter o contador de presenças tickando (já tenho mais de cem visitas! Beberei uma cerveja em homenagem a isso na festa de hoje).&lt;br /&gt;            "não vozes que seis de comem tardes" (tradução = comentem). Um babaço, Daniel Abramowicz (o mais novo caipira)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110988962687231340?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110988962687231340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110988962687231340' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110988962687231340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110988962687231340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/inteligncia-e-racionalidade.html' title='Inteligência e Racionalidade'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110980708261112732</id><published>2005-03-02T20:43:00.000-03:00</published><updated>2005-03-02T20:44:42.616-03:00</updated><title type='text'>Dose semanal</title><content type='html'>Post escrito dia 3/2/2005, quando ainda não tinha internet:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Encomeço: Depois de um longo período (uma semana) de abstinência dessa droga chamada "blog", resolvi cumprir minha promessa de posts semanais mesmo não tendo internet. São 7:20 da noite, o Sol já se pôs (ou melhor, a Terra já se pôs de costas ao Sol no lugar onde estou), ouço barulho de crianças e meu primo no telefone ao fundo. Estou no quarto de um outro primo, escrevendo no computador mais potente que já usei na vida, olhando ao redor posso ver a bagunça pela qual sou responsável. Por que estou dizendo todas essas coisas desimportantes? Sei lá, não encontrei explicação lógica plausível. Meu objetivo era estabelecer de alguma maneira uma ponte com o que eu pretendo falar (escrever, digitar), mas não consegui. Então pulemos toda essa enrolação.&lt;br /&gt;            Fiz uma viagem de formatura do terceiro colegial para Porto Seguro, onde me deparei com o auge da mediocridade da minha geração. É uma viagem que apenas os privilegiados financeiramente podem fazer, e durante as "temporadas", lota a cidade baiana (que de Bahia não tem nada) com seus sonhos vazios, que são exemplificados ao limite pela frase de uma ex-colega, quando em uma "balada" over-cara aqui em São Paulo mesmo (eu falo "aqui" mas eu estou em São Carlos): "Que bom que a vida fosse só isso...". Agora, passando para a vida universitária, imaginando encontrar pessoas mais adultas, me deparo com as mesmas crianças de Porto Seguro, com sua recepção "calourosa" (trote) que expõe novamente seus sonhos vazios e sua ideologia machista. Sinto muito os que ficam ofendidos com isso. Todos, mesmo as pessoas mais inteligentes, mais sensatas que encontrei, me disseram "aproveite o trote", coisas do tipo. Mas é impossível aproveitar de maneira sincera o trote. Para quem não sabe, eis a explicação dO QUE É O TROTE: Trote é a exaltação, dentro de um ambiente supostamente educativo, da maneira cartesiano-militar de vida. Não mais do que isso. No trote aprendemos a obedecermos e sermos humilhados pelos veteranos que assim decidirem. Nele aprendemos que o coletivo é mais importante do que nós mesmos, mas que o coletivo é o que os veteranos pensam e não pode ser contestado. É claro que tem um lado bom no trote: colocados em uma situação de submissão e ausência de autonomia, acaba ficando muito mais fácil não sermos tímidos e fazermos amizade com as pessoas ao nosso redor. Não estou sendo irônico, o trote incentiva sim a amizade. O que contesto aqui é que, para isso, não seria necessário reduzir os "bixos" a bixos. Minha dica para os que um dia passarão por isso (a USP é legal, eu recomendo): Vocês não precisam aproveitar o trote. Mas finjam que aproveitaram. Se um veterano olhar para você, esboce um sorriso hipócrita e uma cara de "amo muito tudo isso". Mas aproveite sinceramente a oportunidade de conhecer pessoas.&lt;br /&gt;            Enmeio: Mas nem tudo é carnaval nessa tentativa frustrada de bacanal que é a semana inicial da faculdade - ainda existe luz no fim do túmulo: umas 4 palestras optativas abertas aos 3000 graduandos do Campus São Carlos da USP. Palestras que discutem opressão (inclusive o machismo desse campus composto 98% de homens, facilmente perceptível pelo concurso "miss bixete"), democracia, etc, com 1% de presença (sim, a cada uma das palestras compareceram 30 alunos em média). Essas palestras me provaram que existem alunos sérios, realmente interessados em mudar o mundo, ou ao menos compreendê-lo. Mesmo que a maior parte deles sejam extremistas de esquerda dogmáticos que são tão preconceituosos quanto os que pretendem atacar. Mas o que importa é que essas palestras todas foram organizadas por alunos, ou seja, eu tenho o poder de mudar o mundo através das organizações do centro acadêmico - e existem muitas possibilidades, desde artísticas até políticas.&lt;br /&gt;            Em tudo isso ainda existe mais um lado B (om): TODOS os dias (ou melhor, noites), sem exceção, em algum lugar dessa cidade (às vezes em mais de um lugar ao mesmo tempo) existe uma festa. E as festas são abertas a todos.&lt;br /&gt;            Mas uma coisa me assustou quanto ao meu curso: uma palestra de um banana formado em mecatrônica (ou algo assim), dizendo que é necessário estudar mas também é necessário trabalhar o lado político, pois as amizades que fazemos aqui determinam muito de nosso sucesso profissional. Um homem que faz amigos para ganhar dinheiro e ainda se diz "de sucesso" - esta aí um profissional que eu não quero ser.&lt;br /&gt;            Enfim: Espero que vocês continuem a visitar meu blog semanalmente, "na metida do possível" atualizarei essa página, enviem e-mails para abramo6@estadao.com.br, comentem, rotulem, trepem, etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110980708261112732?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110980708261112732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110980708261112732' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110980708261112732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110980708261112732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/03/dose-semanal.html' title='Dose semanal'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110913971682133949</id><published>2005-02-23T03:14:00.000-03:00</published><updated>2005-02-23T13:37:58.820-03:00</updated><title type='text'>A difícil decisão de NÃO vender minha alma</title><content type='html'>&lt;p&gt;Esqueçam os outros "posts" do blog. Esse é de longe o melhor texto até agora. Levantei da cama no meio da madrugada só pra escrever isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A difícil decisão de NÃO vender minha alma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, lendo um &lt;a href="http://www.zennla.blogger.com.br/" target="_blank"&gt;blog&lt;/a&gt; interessante, me deparei com um link para um site chamado "&lt;a href="http://www.wewantyoursoul.com/" target="_blank"&gt;We Want Your Soul&lt;/a&gt;". De início foi muito intrigante. O site prometia comprar minha alma para sempre, em dólares. Ingênuo como sou quando me deparo com as coisas pela primeira vez, confesso que fiquei tentado a vender minha alma. Desde a primeira vez que alguém mencionou a história de Fausto fiquei intrigado com esse negócio. Pouco depois do meu entusiasmo inicial, já comecei a suspeitar do site. Lembrei-me do filme "A Paixão de Cristo", que não vi, mas que me deu a brilhante idéia de um dia fazer um filme sobre Cristo. Por que? Simplesmente porque qualquer coisa que leve o nome dele fatura uma PUTA (adoro palavrões, apesar de não acreditar neles) grana. Aliás, é apenas por isso que o livro Código Da Vinci (que ainda não li) fez tanto sucesso, inspirando tantos plagiadores. Então a idéia do site "&lt;a href="http://www.wewantyoursoul.com/" target="_blank"&gt;We Want Your Soul&lt;/a&gt;" já ficou mais clara na minha cabeça. Como havia sido ingênuo ao acreditar que poderia haver qualquer outra motivação no mundo além de dinheiro. Sim, o site é COMERCIALMENTE PERFEITO! Muito melhor que minha idéia de fazer um filme sobre Cristo, porque é mais barata, e porque FOI FEITO. Ao mesmo tempo que seu texto é extremamente convincente no sentido de parecer ser uma corporação, seu visual foi cuidadosamente escolhido para ter um design diabólico, desde os sorrisos "sinistros" na foto da página inicial até a escolha das cores laranja e preto. Além disso, para os descrentes, há no site uma "brincadeira" que é ver o grau de pureza de sua alma. Atinge todos os visitantes do site, independentemente de suas convicções. Percebi o potencial lucrativo do site. É quase infinito. E comecei a imaginar o quanto um site desses não faria sucesso num país como o nosso que tão hipocritamente misturou esoterismo e catolicismo. Quantas pessoas no Brasil não acessariam o site e acabariam comprando os produtos que "aumentam a pureza da alma"? Muitos. E o dono do site ia ganhar uma fortuna, pois foi a maior idéia de márqueting desde a martirização. Comecei a pensar seriamente em roubar a idéia do "&lt;a href="http://www.wewantyoursoul.com/" target="_blank"&gt;WWYS&lt;/a&gt;" e fazer algo semelhante no Brasil. Ele nem poderia me processar, pois certamente sua idéia não estava registrada como "explorar a ignorância das pessoas fingindo ser uma empresa que compra almas humanas". Pouco depois minha admiração pela inteligência do criador do &lt;a href="http://www.wewantyoursoul.com/" target="_blank"&gt;WWYS&lt;/a&gt; me proibiu de continuar com essa idéia. Ao invés disso, comecei a me imaginar mandando um e-mail para o gênio por trás do site oferecendo-me para abrir uma "filial" de sua empresa no Brasil. Além de traduzir a página, eu usaria os contatos que tenho para divulgar o site no estilo "nossa, olha que absurdo, o que acontece hoje no mundo!". Nesse caso "não existe má propaganda", ou seja, quanto mais difamado fosse "meu" site, melhor. E ainda teria a satisfação de sentir aquela sensação de superioridade... pobres mortais, nem entendem que é simplesmente um golpe de marketing, que não existe nenhuma motivação maior que dinheiro para o site. Então parei para refletir sobre os efeitos de minha ação sobre a sociedade: sim, eu ia ganhar uma PUTA grana. Mas, para isso, meu site representaria para os leitores desavisados, não "um absurdo demoníaco" (como eu gostaria que representasse), mas "uma prova irrefutável da existência de vida após a morte" - pois "ninguém colocaria tanto dinheiro em algo inexistente" (dois erros de quem pensa assim: 1 - eu não estaria colocando dinheiro algum, pois, obviamente, eu não tenho interesse nenhum em comprar almas. 2 - as pessoas colocam, sim, seu dinheiro em coisas inexistentes). O site &lt;a href="http://www.wewantyoursoul.com/" target="_blank"&gt;WWYS&lt;/a&gt; usa termos científicos (genética, medicina, etc) para falar das almas. Assim, se eu fosse abrir uma flial, ajudaria a enfiar no inconsciente coletivo a idéia de que ciência e religião caminham de mãos dadas, idéia essa que causa muito mal à humanidade em geral (nem vou gastar minha... caneta (?) discutindo o porquê disso). Não vejo nenhum problema moral em lucrar com a ignorância das pessoas. Mas lucrar AUMENTANDO, DISSEMINANDO, APOIANDO a ignorância das pessoas é algo que eu não admito. Por isso abandonei sem nenhuma dor de consciência a idéia de abrir uma filial brasileira da &lt;a href="http://www.wewantyoursoul.com/" target="_blank"&gt;WWYS&lt;/a&gt;. O dinheiro que eu ganharia é certamente muito tentador. Mas para isso teria de trair meus ideais. &lt;strong&gt;AGORA ENTENDI!!!&lt;/strong&gt; Esse site me deu &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;REALMENTE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; a oportunidade de vender minha alma, e tive de buscar fundo nela para chegar à conclusão de que é melhor mantê-la.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110913971682133949?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110913971682133949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110913971682133949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110913971682133949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110913971682133949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/difcil-deciso-de-no-vender-minha-alma.html' title='A difícil decisão de NÃO vender minha alma'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110913252948906280</id><published>2005-02-23T00:29:00.000-03:00</published><updated>2005-02-23T01:23:37.670-03:00</updated><title type='text'>Não é um poema</title><content type='html'>Acalmem-se todos. Vou adiar provisoriamente as explicações prometidas (nome do blog). Fiquei com vontade de escrever um discurso, em versos. Hoje sabe-se que um poema não é mais caracterizado por suas estrofes e versos, uma vez que existem poemas concretistas que acabaram com essa noção. Assim, também tenho direito de escrever um discurso em versos sem que seja um poema. E foi o que eu fiz. Por que não é um poema? Porque não tem nenhuma intenção poética. Simples assim. Uma vez li uma definição de "conto" que era o seguinte: "Conto é o que o autor disser que é um conto". Pois bem, poema é o que o autor disser que é um poema, discurso é o que o autor disser que é um discurso (desafio-o a escrever um discurso concretista ahahahaha)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NÓS E ELES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um homem entra em um cinema (oh yeah)&lt;br /&gt;Depois vai ao banheiro (uh uh uh)&lt;br /&gt;Dá um tiro no espelho (espelho!)&lt;br /&gt;E volta metralhando (bang! bang!)&lt;br /&gt;Várias pessoas vivas (ah ah ah)&lt;br /&gt;Algumas pessoas mortas (mortas!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é esse indivíduo -&lt;br /&gt;Todos se perguntam&lt;br /&gt;Quem é esse indivíduo?&lt;br /&gt;Então todos respondem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há indivíduo culpado&lt;br /&gt;Só há indivíduos mortos&lt;br /&gt;E quem os matou foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marylin Mason e seus rocks satânicos&lt;br /&gt;Duke Nuken e sua violência interativa&lt;br /&gt;Clube da Luta e sua violência animada&lt;br /&gt;Cigarro, maconha e drogas pesadas&lt;br /&gt;Ratinho, Leão, Cidade Alerta - televisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quem sou eu? Quem é ele?&lt;br /&gt;Ninguém. Não existe indivíduo.&lt;br /&gt;O Indivíduo é uma ilusão coletiva&lt;br /&gt;O indivíduo é uma ilusão coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós sabemos hoje que a matéria sólida é feita de espaço vazio?&lt;br /&gt;Nós sabemos hoje que a massa é uma das formas de armazenamento de energia?&lt;br /&gt;Nós sabemos hoje que a estrela mais próxima fora o Sol fica a três anos-luz da Terra?&lt;br /&gt;Nós sabemos hoje que a composição da atmosfera de Saturno é 88% Hidrogênio, 11% Hélio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós levantamos cidades de pedra enormes?&lt;br /&gt;Nós somos capazes de construir complexos aparelhos eletrônicos?&lt;br /&gt;Nós dominamos o calor do deserto, a imensidão dos oceanos e o frio das calotas polares?&lt;br /&gt;Nós construímos satélites de comunicação e os colocamos ao redor da Terra? Nós fomos à Lua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não, não, não, não, não, não, não.&lt;br /&gt;Sabemos que existe um Deus preocupado apenas com nossos desejos?&lt;br /&gt;Sabemos que todo mal é culpa de Satanás?&lt;br /&gt;Sabemos que para falar com alguém temos que apertar uns botões.?&lt;br /&gt;Sabemos repetir para sempre o que nos foi repetido sempre?&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quem somos nós?&lt;br /&gt;Nós não é ninguém.&lt;br /&gt;O coletivo é uma ilusão individual&lt;br /&gt;O Coletivo é uma ilusão individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estou com um bom humor dos infernos, vou me livrar de uma vez da obrigação de explicar para vocês jovens desatentos o sentido oculto subliminar por trás do inocente título "no tribunal do rei escarlate". No último "post" vocês devem ter percebido que meu "nick" no msn no momento daquela conversa era "In the court of the Crimson King (banho)". Ignorem o banho... é que eu tinha esquecido de tirar. O que importa é o nome em inglês. É o título de uma música do King Crimson. A título (da previdência? não...) de curiosidade, aqui está a letra da música:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;In the court of the Crimson King&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;The rusted chains of prison moons&lt;br /&gt;Are shattered by the sun.&lt;br /&gt;I walk a road, horizons change&lt;br /&gt;The tournament’s begun.&lt;br /&gt;The purple piper plays his tune,&lt;br /&gt;The choir softly sing;&lt;br /&gt;Three lullabies in an ancient tongue,&lt;br /&gt;For the court of the crimson king.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The keeper of the city keys&lt;br /&gt;Put shutters on the dreams.&lt;br /&gt;I wait outside the pilgrim’s door&lt;br /&gt;With insufficient schemes.&lt;br /&gt;The black queen chants&lt;br /&gt;The funeral march,&lt;br /&gt;The cracked brass bells will ring;&lt;br /&gt;To summon back the fire witch&lt;br /&gt;To the court of the crimson king.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The gardener plants an evergreen&lt;br /&gt;Whilst trampling on a flower.&lt;br /&gt;I chase the wind of a prism ship&lt;br /&gt;To taste the sweet and sour.&lt;br /&gt;The pattern juggler lifts his hand;&lt;br /&gt;The orchestra begin.&lt;br /&gt;As slowly turns the grinding wheel&lt;br /&gt;In the court of the crimson king.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On soft gray mornings widows cry&lt;br /&gt;The wise men share a joke;&lt;br /&gt;I run to grasp divining signs&lt;br /&gt;To satisfy the hoax.&lt;br /&gt;The yellow jester does not play&lt;br /&gt;But gentle pulls the strings&lt;br /&gt;And smiles as the puppets dance&lt;br /&gt;In the court of the crimson king.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa música está presente no álbum "In the court of the Crimson King", o primeiro álbum do King Crimson, de 1969, álbum esse que revolucionou o conceito de rock progressivo (alguns afirmam que é o primeiro álbum verdadeiramente progressivo). "no tribunal do rei escarlate" é uma tradução livre do título da música, visivelmente errada, pois a tradução mais adequada seria "na CORTE do rei escarlate", pois, apesar de "Court" poder ser traduzido como tribunal ou corte, a figura do "yellow jester" não deixa dúvidas de que não se trata de um tribunal. Entretanto, a idéia de tribunal dá um sentido totalmente diferente à música. E é muito adequada ao blog, pois, andei percebendo, o principal tema do blog é justamente a culpa. &lt;a href="http://www.songsouponsea.com/Promenade/CourtA.html" target="_blank"&gt;Existe um estudo bastante extenso da letra dessa música, dentro do contexto do álbum da banda, que relaciona o "rei escarlate" a Frederick II.&lt;/a&gt; Entretanto, para nós que não temos saco de estudar tão profundamente esse assunto especificamente, ou para nós que, como Alberto Caeiro, não nos vemos desejosos de encontrar significados ocultos no que se nos mostra simples, Rei Escarlate é simplesmente "Beelzebub", que por sua vez não é ninguém menos que Baal (embora na demoniologia cristã tudo não passa de uma só entidade, que é Satanás). E a idéia de um tribunal no qual o diabo é o juiz já fez parte de meu imaginário em uma redação para a escola que fiz na sexta série, e que me marcou até hoje. Essa é a explicação para o nome do blog. Apenas para saciar e atiçar a curiosidade dos leitores, este é o símbolo de Baal: &lt;img src="http://www.deliriumsrealm.com/delirium/images/demonseals/bael.gif" /&gt; (obs: a imagem foi "roubada" &lt;a href="http://www.deliriumsrealm.com/delirium/mythology/bael.asp" target="_blank"&gt;desse&lt;/a&gt; site. Se sair do ar mande-me um e-mail)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeço-me com um caloroso abraço digital artificial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110913252948906280?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110913252948906280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110913252948906280' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110913252948906280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110913252948906280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/no-um-poema.html' title='Não é um poema'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110900212458369102</id><published>2005-02-21T12:56:00.000-03:00</published><updated>2005-02-21T13:14:46.306-03:00</updated><title type='text'>Meu insuperável egocentrismo</title><content type='html'>Esse post já estava pronto desde 15/02/2005, mas eu não podia colocar no ar, porque eu menciono uma festa surpresa que só iria ocorrer hoje (dia 21/02/2005) (e que acabou não acontecendo). É algo muito mais introspectivo do que qualquer outro "post" (talvez até mais do que a &lt;a href="http://wotton.blogspot.com/2005/01/texto-de-apresentao.html"&gt;mensagem de introdução&lt;/a&gt;), e se trata de parte de um diálogo por MSN que tive com um amigo, conservado intacto (até mantive os erros de português). A idéia inicial era nem colocar no blog, mas acabei mudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15/02/2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;João&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu tenho uma confissão a fazer (que nao tem absolutamente nada a ver com vc, mas eu preciso falar isso e acho melhor q nao seja no blog)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;blz vamos começar:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;desde pequeno eu sempre fui muuuito egocêntrico&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu gosto de ser sempre o centro das atenções&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e desde pequeno eu sempre consigo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;o que costuma fazer mal para todas as pessoas ao redor&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;por exemplo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;meu pai semanalmente leva eu, minha irmã e meu irmão para jantar&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e eu sempre falo alguma coisa que deixa ele muito bravo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;que ele n]ão consegue se controlar&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e tem que discutir na hora&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;muitas vezes ignorando meus irmãos&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu não faço isso conscientemente&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;é algo inconsciente&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(mas talvez tenha mais a ver com meu pai do que meus irmãos, pois mesmo quando estamos só eu e ele a gente dá um jeito de discutir)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;talvez eu só me sinta seguro se eu souber que as pessoas estão falando de mim&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;meu irmão fica com ciúmes (ele so tem 8 anos)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;a gente nunca briga&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;mas eu percebo que ele não gosta&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;mas é incontrolável&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;minha irmã nunca foi tanto o centro das atenções&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;desde que eu nasci ela tem se acostumado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu tenho esse ímpeto de falar o que não deve ser falado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;o que me mantém sempre no centro&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e agora indo para São Carlos&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;me dá uma espécie de satisfação melancólica&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ver minha mãe tendo problemas, minha irmã chorando&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;porque eu estou indo embora&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu fico triste ao mesmo tempo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;de me perceber tão egocêntrico assim&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;outro&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;dia&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(agora eh o que mais me deixa culpado)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;esse outro dia foi hoje mesmop&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;minha irmã falou&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;que a gente devia dar uma festa surpresa pra minha mae&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;td bem que eu tinha acabado de acordar e ainda estava confuso&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;mas na minha mente a idéia de alegrar minha mãe&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;se relacionou ao fato dela estar chateada&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;por eu estar indo embora&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e quando eu perguntei se era por isso&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;minha irmã disse brava&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"não, é pro aniversário dela"&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;pois é&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;avassalador&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;bom, eu precisava confessar isso tudo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;talvez vc nem leia tudo isso&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu queria não ser tão egocêntrico&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;na escola eu tava sempre nas fotos nos corredores&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(olimpiada de fisica etc)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e eu sempre falava nas aulas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(tipo responder o professor)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;em alguns momentos eu falava só por puro tédio, pra aula ir mais rápido (ficar esperando resposta eh foda)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;mas talvez em outros momentos fosse só pra aparecer&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;não tenho certeza&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;de qualquer maneira, em outro momento a gente se fala&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ainda vou pensar mais se é melhor colocar ou não essa auto-crítica no blog&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;até mais&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;bom.....&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;vc é um caso perdido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;hahahahahahahahaah&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;In the court of the Crimson King (banho) diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;opa vc ta ai&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;to tentando ler faz tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;agora q vc parou de screver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;se acostume&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;faz parte de vc&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ñ há oq mdar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;João diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;hahahahah&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110900212458369102?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110900212458369102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110900212458369102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110900212458369102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110900212458369102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/meu-insupervel-egocentrismo.html' title='Meu insuperável egocentrismo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110860792733796853</id><published>2005-02-16T23:30:00.000-02:00</published><updated>2005-02-17T00:40:12.846-02:00</updated><title type='text'>O Cumpridor de Promessas</title><content type='html'>Depois daquele ultimo post meio sem-vida resolvi voltar ao normal...&lt;br /&gt;Sabe que uma vez me disseram que, quando, em publicidade, não se consegue ter uma boa idéia, põe-se logo um cãozinho na propaganda. Por isso é tão comum de se ver cachorros em propagandas. Como bom publicitário que eu sou, resolvi ir logo apelando pra figura canina. Tem até aquela frase (embora eu ache que é sobre o Diabo) - o Cão é o melhor amigo do homem.&lt;br /&gt;   Ontem fui a pé de minha casa até o "Promocenter" (no cruzamento da Augusta com a Paulista). No começo do caminho, eu tava andando pela calçada perto de uma área de entrada de algum prédio (mais elevada, e entre mim e o "degrau" tinha aquelas plantas cheias de espinho que não sei quem acha bonitas), quando um vira-latas enorme apareceu. (em cima do degrau tinha a mesma altura que eu). Como fui pego de surpresa, levei um susto e parei. Ele pulou do degrau bem na minha frente (quase no meu pé). Depois foi me acompanhando pelo caminho, às vezes por trás, às vezes pela frente (ele passava à minha frente, ganhava distância, ficava coçando suas pulgas enquanto eu passava por ele, depois continuava me seguindo). Quando fui acariciá-lo, percebi que seu corpo estava cheio de chagas. Uma ferida no pescoço chegou a me dar tontura. Mas me identifiquei com ele. Dois companheiros, andando naquele sol... os dois de preto. Cada pedestre que passava o cachorro olhava, depois olhava para mim (decidindo quem acompanhar). Em determinado momento pensei em seguir o cachorro e ver para onde ele me levaria. Mas era ele quem me seguia. Quando errei o caminho e voltei, ele voltou atrás de mim. Um pouco antes de começar a subida da Augusta ele finalmente me abandonou. Enquanto subia ele ficou a esperar um ônibus no ponto. Por que me identifico mais com os cachorros do que com os outros seres humanos? Talvez porque me sinta, assim como eles, livre das amarras morais, livre das tradições, sincero comigo mesmo, fiel a meus sentimentos. E ver a triste vida das almas livres é algo que me toca como uma mão etérea, ou como uma mão rígida para meu corpo etéreo (como numa das primeiras cenas do anime "The End of Evangelion"). De qualquer maneira, hiperbolizei um pouco meus sentimentos nesse parágrafo. Não fui tão afetado assim pela experiência. Só coloquei esse fato aqui para estabelecer uma ligação com o que &lt;a href="http://wotton.blogspot.com/2005/02/clockwork-orange.html"target="_blank"&gt;eu havia prometido falar tanto tempo atrás&lt;/a&gt;... algumas pessoas deviam estar pensando que eu esqueci, outras que era uma mentira, mas não. Eu sempre cumpro minhas promessas (ou melhor, meu "eu blog" sempre cumpre suas promessas). Eu havia prometido falar uma coisa ou outra sobre os dois cachorros que moram comigo (o Neo (Matrix) e o Ziggy (David Bowie)).&lt;br /&gt;   Apenas uma introdução aos personagens: Neo é o pai, já velho em espírito (embora corporalmente jovem). Um ano e meio depois veio Ziggy, o filho, mais viril, o "macho alfa".&lt;br /&gt;   Desde pequeno o Neo gosta de ficar esparramado pelo chão, mas como prefere não ficar sozinho, acaba escolhendo os piores lugares para fazê-lo (sempre em nosso caminho). Assim sendo, é muito comum que tropecemos nele ao andar pela casa. Como ficamos com dó do cachorro, imaginando que possivelmente na cabeça dele a dor seria interpretada como um castigo por algo que ele fez, temendo que dessa maneira ele tirasse alguma conclusão errada do acidente, sempre nos desculpamos com muita ênfase nesses casos, alegrando-o, acariciando-o, enfim, dando atenção a ele. O efeito acabou sendo muito contrário ao que gostaríamos em sua educação, pois em sua mente, o Neo associou a dor à atenção e ao amor. Sendo assim, agora quando tropeçamos nele, ao invés de chorar (como fazia quando criança), o Neo abana o rabo e fica todo alegre, esperando o carinho. Sim, transformamos o Neo em um masoquista (ao menos é um masoquista no melhor sentido da palavra, pois ao meu ver, existem dois tipos de masoquismo: o masoquismo auto-destrutivo, que provém de um ódio a si mesmo, e o masoquismo sexo-fetichista, que é a associação de prazer à dor, sendo esse o caso do Neo). Neo também muitas vezes apresenta comportamento sádico, pois se alegra ao ver qualquer pessoa (ou o Ziggy) levando bronca ou brigando. Nunca consegui identificar as origens desse comportamento. Talvez seja por transposição (imaginar-se na situação do outro), mas não sei se não seria complexo demais para a mente canina...&lt;br /&gt;   O Ziggy já é muito diferente do Neo. Sendo um anti-herói picaresco desde o nascimento (estilo o Leonardinho do livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida), nossa forma de educá-lo sempre foi diferente. Ele sempre levava bronca ao fazer coisas erradas (pra alegria do Neo). Assim conseguimos embutir um sentido de culpa na mente do pobre cãozinho. Outro dia ele estava lá tentando alcançar a comida na mesa, sorrateiramente, quando chamei seu nome. Ele imediatamente parou o que estava fazendo e se fez de inocente. Ele nunca gosta de ser incomodado, especialmente quando está com sono. Outro dia minha irmã foi fazer um carinho nele e ele rosnou para ela. Ela se afastou, foi fazer outra coisa. Pouco depois ele chegou nela todo se desculpando por ter sido grosso. É um cachorro que fica com a consciência pesada...&lt;br /&gt;   Toda vez ao voltar do passeio e em outras ocasiões, os dois cachorros mantém uma relação homossexual incestuosa, sendo Ziggy o ativo e Neo o passivo. Minha mãe sempre fica brava e briga com o Ziggy (que, católico do jeito que é, sempre interrompe suas atividades eróticas). O veterinário disse que o Ziggy faz isso para mostrar-se dominador, estabelecendo a hierarquia. Inicialmente eu não me incomodava com a relação dos dois, mas depois de um tempo percebi que o Neo não gostava de ser enrabado (ele ficava rosnando mais ou menos baixinho durante o ato), por isso hoje vejo tal ato mais como um estupro do que como uma relação sexual consentida.&lt;br /&gt;   A observação do comportamento dos meus cachorros serve para calar a boca de todos os homofóbicos que consideram o homossexualismo como anti-natural. Mas também serviu para calar minha boca, que considerava os valores católicos como anti-naturais. Diferente dos humanos, os cachorros não sentem vergonha, não querem privacidade, não são hipócritas. Observá-los para tirar conclusões acerca da humanidade é, por esse motivo, mais fácil do que observar os próprios seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Pronto, promessa cumprida. Eu tinha outro "post" pra colocar, muito mais pessoal, adequado ao clima de "tribunal", já que é uma confissão. Além disso, nesse "post", que fica prometido lá pro dia 23 ou algo assim, acaba transparecendo uma grande dica sobre a origem do nome do Blog (sobrando de mistério só a origem do endereço do blog). No post seguinte a esse que tem a dica prometo explicar em detalhes tudo que você sempre quis saber mas tinha medo de perguntar sobre o nome "no tribunal do rei escarlate".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Estou achando esse post muito pequeno (mentira, é só uma desculpa pra falar MAIS uma coisa). Eu comecei a escrever essa mensagem de manhã, e agora estou retomando. Hoje eu tive que voltar (a pé também) ao Promocenter para trocar o que havia comprado errado. No começo do caminho (antes mesmo do local onde ontem encontrei o cachorro), um homem que também estava caminhando iniciou o diálogo, de maneira bem estranha: "É, a rapadura é doce mas não é mole!". Estávamos caminhando lado a lado, e acabamos conversando sobre muitas coisas da vida. Ele me perguntou se eu estava indo para a escola, então eu lhe disse que ia para a faculdade. Ele disse que tinha 37 anos, que por problema com mulheres teve que dormir esses dias na sarjeta. Como ele estava indo para o centro e o Promocenter fica no caminho pro centro, fomos seguindo conversando, e eu sempre conhecendo mais sobre esse homem chamado ######## que tem um sobrinho chamado Daniel (e eu me chamo Daniel e tenho um tio chamado ####### (duas letras de diferença)). Conversamos sobre o estudo (em um momento ele me fez um "pergunta de vestibular": Quem é o pai da relatividade?). Ele me disse que era muito difícil, eu lhe respondi que é muito diferente pra quem estuda em escola pública e pra quem estuda em escola privada, com refeição garantida e moradia, sem ter que se preocupar com nada a não ser estudar, e tendo professores bons. Conversamos sobre a situação do país, e se ele tinha alguma idéia de como mudar as coisas. Não, não tem como mudar. Ainda assim, ######## é um homem muito positivo, não guarda rancores dessa vida, não tem ódio nem inveja da burguesia. Contou-me sobre seus dias, acidentes, de como anda por São Paulo (adora essa cidade), de que tipo de pessoa encontra nas ruas ("Das coisas que você vê acontecerem na rua, acontecem mais coisas boas ou coisas ruins?" - "Está zero a zero"). Conhece oito estados do Brasil, tem um irmão que mora nos EUA (entrou pelo México, correndo risco de ser assassinado pela polícia da fronteira, violentíssima. Hoje é um vencedor, tem carro, casa e até computador) e um outro irmão que mora em uma outra cidade que eu não lembro o nome, sobrando apenas ele com a mãe. Tem 3 filhas e 1 filho, em duas cidades diferentes, que visita e manda dinheiro quando pode. Foi muito ferido pelas mulheres, que "só nos amam enquanto nós temos dinheiro". Acabei convidando-o para tomar uma cerveja numa padaria ao lado do Promocenter. Lá me disse que seu hobby é a "ufologia", que seu sonho é apenas recuperar o que um dia já teve - um carro, uma conta no banco... (A propósito, ######## é cabeleireiro, trabalhava no New Look, 50% de mais valia pro dono, e sem direito a condução, alimentação, etc). Perguntei como havia se tornado cabeleireiro. "É uma história engraçada": tinha 14 anos e, passando na rua viu o anúncio "Precisa-se de engraxate". Começou a trabalhar como engraxate em um salão e ficava assistindo os cabeleireiros, admirando a profissão, e treinando em casa no próprio cabelo. Conversou com o patrão e começou a cortar. "Estragou" muitos cabelos até conseguir, mas em um ano já sabia fazer de tudo. Quando o assunto era a violência das ruas, perguntei-lhe se já foi assaltado. "Acredita que não?" Apenas o haviam roubado, umas três ou quatro vezes, enquanto dormia, a mochila, os sapatos. Por fim, depois de pedir a conta, quando me pediu (encabuladamente) uma ajuda, dei-lhe tudo que podia oferecer no momento (quase 30 reais), nos despedimos ("é o ar que você respira" - uma discussão religiosa foi inevitável), (ele pediu meu telefone "pra não me perder de vista") e eu tenho certeza de que essa experiência foi inesquecível para ambos. Quem sabe nos encontremos mais uma vez para tomar uma cerveja e conversar da vida? Então pedirei autorização para colocar seu nome no blog.&lt;br /&gt;   Será que é possível uma amizade sem o sentimento de hierarquia que a sociedade nos impõe? Qual de nós estaria sendo mais egoísta na relação? Ou nenhum?&lt;br /&gt;   Espero que esse relato tenha inspirado algum dos (eram 4? Xiii, acho que voltou a ser só três...) leitores a fazer algo semelhante, isto é, conversar seriamente com alguém que anda pelas ruas, pois o pior nas ruas é a solidão (isso não foi ######## quem me disse). É uma experiência muito construtiva - conhecer as pessoas (amigáveis) que habitam esse mundinho. A propósito, congratulo-me pelas 50 visitas! EEEEEE parabéns é um número enorme de visitantes, não? Pena que dessas 50 visitas, umas 25 foram minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Só mais uma coisa (enrolar mais um pouco já que tudo que é bom dura pra sempre) - coloquei na barra da direita links para blogs de pessoas que admiro. &lt;a href="http://tonybabalu.blogspot.com/"target="_blank"&gt;Tony Babalú&lt;/a&gt; é um guitarrista brasileiro, tendo participado da banda "Made In Brazil", sendo hoje guitarrista independente e diretor de uma peça infantil há 10 anos. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente. &lt;a href="http://paulainvitro.blogspot.com/"target="_blank"&gt;Paula Corrêa&lt;/a&gt; é uma poetisa de talento, por enquanto com apenas um livro publicado, sendo seu blog o único que acompanho a fundo, pois suas mensagens trazem sempre muitas mensagens, e seus poemas são fascinantes. Também tive o prazer de conhecer pessoalmente. Por fim um blog que leio de vez em quando, o "Blog do Tas" - &lt;a href="http://www.blogdotas.com.br"target="_blank"&gt;Marcelo Tas&lt;/a&gt; é jornalista bem humorado (era o "Professor Tibúrcio" do Ra-tim-bum, e o Repórter "Ernesto Varela", famoso por ter perguntado em entrevista ao Maluf se ele é ladrão), e escreve semanalmente no famoso caderno LINK do Estadão. O único dos três que não tive o prazer de conhecer pessoalmente :( Quem sabe um dia?? E Sim, eu espero que as três pessoas que lêem meu blog visitem em algum momento de suas vidas esses blogs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110860792733796853?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110860792733796853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110860792733796853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110860792733796853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110860792733796853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/o-cumpridor-de-promessas.html' title='O Cumpridor de Promessas'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110842214153112280</id><published>2005-02-14T20:50:00.000-02:00</published><updated>2005-02-15T13:29:42.963-02:00</updated><title type='text'>Tecnofobia e didatismo</title><content type='html'>Hoje de manhã eu estava em outra cidade (São Carlos). Dormi na casa de uma tia que mora lá pois hoje cedinho precisava fazer a inscrição na USP de lá (onde estudarei pelos próximos 5 anos...). Temendo que fosse muito difícil levantar cedo hoje (fiquei acordado até tarde ouvindo uma banda chamada ProjeKct One), resolvi fazer uma experiência: dormi no chão. Imaginei que seria desconfortável, portanto de manhã estaria ansioso para levantar. O que ocorreu foi muito diferente: acordei várias vezes durante a noite (porra, todo mundo ficou pisando na minha "cama" aí eu acordava). O desconforto perdurou a noite inteira, porém, exatamente na hora de acordar o chão ficou extremamente confortável. Estava até macio (!!). Passei o dia com sono.&lt;br /&gt;Chegando em casa, alimentei minha tecnofobia lendo o caderno semanal de tecnologia do Estadão (o &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br"target="_blank"&gt;LINK&lt;/a&gt;). Deixe-me dar uma explicada em umas notícias&lt;br /&gt;1 - &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2448"target="_blank"&gt;Software ajuda gravadora a prever sucessos (24/01/2005)&lt;/a&gt; - De acordo com a matéria, foi desenvolvido um software que, através de análise estatística, prevê com 95% de precisão se uma determinada música vai "estourar" nas rádios. Sim, eu também acho que é história pra boi dormir, mas pelo jeito as gravadoras não acham. E a tendência é usar o software antes de gravar álbuns de novos artistas. Leiam a matéria inteira. Logo depois da matéria está um comentário que eu fiz sobre ela (ignorem o erro ortográfico no acento em "porquê" - não dá pra editar o comentário...). Mas minha tecnofobia não tem nada a ver com esse tipo de avanço científico.&lt;br /&gt;2 - &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2741"target="_blank"&gt;Computadores a um passo da ficção (14/02/2005)&lt;/a&gt; - Muito semelhante à matéria mencionada acima, essa afirma que as máquinas atingiram um grau de inteligência artificial suficiente para escrever melhor que a maior parte dos seres humanos. E dá um exemplo de texto produzido por computador. Acho que o comentário que eu fiz no site para a matéria "1" serve também para essa matéria (pra quem teve preguiça de ler, eu basicamente (odeio essa palavra, "basicamente") expliquei que não há motivo a temer, pois a arte continuará sendo arte e o mercado continuará a ser mercado). Portanto, mais uma vez minha tecnofobia não se justifica com esse tipo de avanço científico. Até agora eu estava só enchendo lingüiça, mas a partir do próximo é pra valer!&lt;br /&gt;3 - Foram &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=1804"target="_blank"&gt;uma&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=1748"target="_blank"&gt;duas&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=1806"target="_blank"&gt;três&lt;/a&gt; matérias sobre "BIOMETRIA" no mesmo dia no LINK (faz tempo: 07/12/2004) que começaram minha paranóia. Você sabe, aquele esquema de identificação de pessoas pelas medidas corporais (bio = vida, metria = medida) - impressão digital, íris ocular, retina, rosto. Hoje já existem até mesmo escolas com leitora de digital para CONTROLE (palavra do dia). E a tendência é de crescimento do mercado.&lt;br /&gt;4 - No dia 31/01/2005 apareceu &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2594"target="_blank"&gt;uma&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2552"target="_blank"&gt;outra&lt;/a&gt; matéria sobre a mais nova aquisição americana em robótica: um robô soldado para matar pessoas no Iraque - mais preciso que um atirador humano e mais "descartável" também. Não, não é ficção científica. É hoje e agora (na verdade já faz umas semanas...). Mas &lt;a href="http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2661"target="_blank"&gt;Ricardo Kobashi já fez o trabalho de comentar a matéria &lt;/a&gt;muito melhor do que eu (é claro, ele é jornalista...).&lt;br /&gt;5 - Finalmente o que eu considerei a gota d'água ao ler hoje no jornal: &lt;a href="http://link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=2742"target="_blank"&gt;Big Brother desde o berço&lt;/a&gt; - Reporta a existência hoje de uma série de escolas maternais que dispõe de serviço de vigilância 24 horas por dia para os pais poderem ver seu filhinho no maternal pela internet. Uma breve explicação sobre esse tipo de pai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Os Novos Deuses&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Tendo sido abençoado com privacidade durante a infância, nunca soube o mal que é viver sob sua ausência. Aproveitou-se (durante a juventude) dos avanços tecnológicos, talvez até tenha contribuído para esses avanços. Mas agora já está mais velho, substituiu sua vivacidade por um sedentarismo que só pode ser proporcionado com os atuais avanços científicos. O corpo físico de uns tempos para cá começou a ficar cada vez mais obsoleto, uma vez que pode receber estímulos sensoriais de qualquer lugar do mundo sem sair de sua casa. E receber tudo que precisa para manter o corpo vivo sem sair de casa. E trabalhar para comprar os mantimentos sem sair de casa. Tendo perdido seu caráter físico, o homem tornou-se uma espécie de espírito, tendo como principal fonte de prazer apenas dois atos: mandar e observar. Tornou-se um novo Deus. Onipotente em seu território, sua casa. E (aquilo que o caracteriza como Deus) onipresente graças à internet. Todos vivem sob seus olhos julgadores, sua vigilância. E como futuro, seu filhinho que hoje está no maternal pode apenas se inspirar e entrar pra mais um desses programas Big Brother. Mas não, quando ele tiver idade suficiente, não existirá mais Big Brother como vocês conhecem pela globo, pois &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mil_novecentos_e_oitenta_e_quatro"target="_blank"&gt;1984&lt;/a&gt; já terá deixado de ser ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometi então a mim mesmo, já que trabalharei na área de engenharia mecatrônica, nunca trair meus ideais, o que no caso se traduz em nunca fazer nenhuma oferenda aos Novos Deuses (foda-se o mercado). É como diz a música: "Um Deus incomoda muita gen-te... Dois Deuses incomodam, incomodam muito má-ais. Dois Deuses incomodam...". No fundo eu tenho a impressão de que &lt;a href="http://www.bulfinch.org/fables/bull2.html"target="_blank"&gt;Prometeus&lt;/a&gt; (clique para ler o melhor texto que eu vi sobre essa importante figura que deu origem ao mito de Lúcifer - infelizmente (para alguns) o texto está em inglês) é mais feliz do que eu jamais poderia ser: tem a eternidade para poder se orgulhar de ter contribuído de maneira significativa em favor da humanidade. Quanto ao castigo divino, bom, &lt;a href="http://www.secrel.com.br/jpoesia/ag9bataille.htm"target="_blank"&gt;até a dor pode ser burlada&lt;/a&gt; (e não, eu não espero que você leia TODOS os links que eu deixei aqui).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje aproveitei o dia para ler um livro comprado de um cara na rua (provavelmente o próprio escritor) - é uma literatura "underground". Resolvi conhecê-la. O livrinho (menor que o artigo do último link) chama-se Balada Perdida, de Ricardo Carlaccio. O que mais me interessou foi o final da apresentação do livro ("Ler esta história é (...) aceitar enfim a alegria livre dos que percorrem as ruas orgulhosos de seu despojamento, mestres estes da não vida, os que aceitam suas moedas, caro leitor, mas riem da sua hipocrisia. O riso vence a morte"). Essa técnica (ofender o leitor) foi inaugurada por Machado de Assis (não me lembro em qual livro). É uma história sobre um homem do submundo urbano, que acaba morrendo e descreve-nos sua experiência no "pós-vida" de maneira bem humorada e cética (como já havia feito Machado em Memórias Póstumas de Brás Cubas). O livro faz referência a músicas de bandas como "&lt;a href="http://www.grandfunkrailroad.com/"target="_blank"&gt;Grand Funk&lt;/a&gt;", "&lt;a href="http://www.thedoors.com"target="_blank"&gt;The Doors&lt;/a&gt;" (fora a &lt;a href="http://www.officialjanis.com/"target="_blank"&gt;Janis Joplin&lt;/a&gt;), além de usar termos (horrorshow, drugue) tirados da história símbolo da minha geração e da anterior ("Laranja Mecânica", de Anthony Burgess - que depois virou filme com Stanley Kubrick). Por mais que eu não tenha achado o livro "nada de mais", gostei da experiência de comprá-lo, pois um dos futuros imaginados para (por) mim é sair por aí tentando vender meu livro pelas ruas. E esse livro parece ter sido impresso em papel sulfite e em uma impressora doméstica. Quem sabe não seja uma boa saída?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, espero que vocês tenham gostado desse post. Mas lá vai uma inversão intenção/conseqüência: Se você gostou desse post pode já começar a se decepcionar, pois não pretendo ser tão didático para sempre (eufemismo para "NUNCA MAIS"). Eu estava bonzinho hoje... Se vocês não gostaram do estilo, alegrem-se: não se repetirá. Nunca mais haverá tantos "hiperlinks" em um post meu. Mas pretendo usá-los mais, pois, como já diria Michel Melamed, "Tudo é metáfora. Mas só Deus é hipertexto". Um abração pra vocês (acho que já devem ser uns 4...) leitores de "no tribunal do rei escarlate".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110842214153112280?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110842214153112280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110842214153112280' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110842214153112280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110842214153112280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/tecnofobia-e-didatismo.html' title='Tecnofobia e didatismo'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110809178402306803</id><published>2005-02-11T00:52:00.000-02:00</published><updated>2005-02-11T13:15:54.566-02:00</updated><title type='text'>Promessas de um Novo Post</title><content type='html'>Sim estou sendo pressionado - e não é só por mim mesmo: uma semana de distância (tempo=espaço) entre um "post" e outro, imagina-se que eu teria um monte a dizer. Ao invés de me lançar na escalada desse monte, digo um ou dois parágrafos e interrompo. Sim, foi uma puta sacanagem. Mas meus demônios me atormentaram o suficiente por causa disso (alguns dos meus demônios são pessoas de carne e osso) e é por causa disso que estou escrevendo agora. As respostas às perguntas que não querem calar (a boca - porra deixa eu dormir em paz): Sim, ainda estou seguindo ordens. Sim, a explicação prometida no &lt;a href="http://wotton.blogspot.com/2005/02/clockwork-orange.html"&gt;post anterior ao anterior&lt;/a&gt; será adiada (uma vez me disseram que não tenho muitos mistérios e agora me vingo). Sim, eu tenho algo a dizer e sim, eu estou enrolando como sempre.&lt;br /&gt;Mas uma nova evidência chegou "no tribunal do rei escarlate" - é mais um poema (porra, &lt;a href="http://wotton.blogspot.com/2005/01/depois-da-chuva.html"&gt;aquele último&lt;/a&gt; passou despercebido ninguém falou nada (mentira, mas foi só porque eu OBRIGUEI um amigo a ler e me contar)). Esse poema é de minha autoria, e eu o terminei agora nesse instante momentâneo, ou seja, ainda existe a possibilidade de dentro de alguns dias achar que ficou uma merda, pois não tive distanciamento (espaço=tempo) suficiente para avaliá-lo. Portanto é um "furo de reportagem" em primeira mão para os (2 ou 3) privilegiados que lêem esse blog escondido (não é uma ambigüidade pois escondido está no singular)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Tá aí escondido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso que está aí&lt;br /&gt;Todos os problemas sociais&lt;br /&gt;Todas as desgraças humanas&lt;br /&gt;Toda a infelicidade&lt;br /&gt;É totalmente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha culpa&lt;br /&gt;Sua culpa&lt;br /&gt;e culpa dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos unicamente culpados&lt;br /&gt;Exclusivamente responsáveis&lt;br /&gt;Singularmente caos à dores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos males dos quais sofrem&lt;br /&gt;Aqueles quais não nos conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de todas as justas culpas de todos&lt;br /&gt;Por todas as injustiças a todos&lt;br /&gt;Sou justamente o menos culpado que todos&lt;br /&gt;Pois eu não sei disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mente é como uma música&lt;br /&gt;Meu corpo é como o ar e a água&lt;br /&gt;Meus sentimentos são como as árvores&lt;br /&gt;Minhas possessões são como um tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preenchi meu poema com palavras vazias&lt;br /&gt;Pra não precisar perceber...&lt;br /&gt;Pra não perceber precisar...&lt;br /&gt;pra não parecer precisar!&lt;br /&gt;Pra me enganar para todo o semprecisar&lt;br /&gt;Pra nunca não saber que sempre nunca fui o que fui feito pra Ser Humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, só por força de hábito: Comentem, mandem-me um e-mail (&lt;a href="mailto:abramo6@estadao.com.br"&gt;abramo6@estadao.com.br&lt;/a&gt;), julguem-me condenem-me é para isso que serve o tribunal do rei escarlate (pra ser sincero não tem nada a ver com isso - o porquê do título do blog fica prometido para um "post" futuro... Ah, promessas, promessas... cumprir uma promessa é destruí-la. A propósito, o título desse "post" é uma brincadeira com o nome de um documentário chamado Promessas de um Novo Mundo, no qual o problema da palestina é discutido com uma perspectiva diferente: a de crianças judias e muçulmanas que habitam o mesmo espaço em mundos diferentes)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110809178402306803?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110809178402306803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110809178402306803' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110809178402306803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110809178402306803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/promessas-de-um-novo-post.html' title='Promessas de um Novo Post'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110797669796127858</id><published>2005-02-09T17:17:00.000-02:00</published><updated>2005-02-09T17:18:17.960-02:00</updated><title type='text'>Revisitando...</title><content type='html'>Revisitando o blog: Depois de algum tempo abandonado, como havia prometido atualizar o blog no mínimo semanalmente, resolvi aparecer por aqui. Portanto, não pense que eu tenho algo a dizer. Como diriam todos os filhos da puta do mundo, "eu só estou seguindo ordens".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o tempo passa... passa e fica todo enrugado, em conserva. Nesse "tempo passa" que passou, revisitei minha auto-escola para pegar o diploma de "30 horas-aula" (que na verdade foram 24, mas eu não ligo e certamente os donos do curso não ligam. Eu me engano daqui, eles se enganam dali. Como diria meu professor de Química, é uma reação de dupla-troca). Quando estava saindo com o diploma em mãos, ouvi algo que minha professora estava falando pros alunos (uma aula que eu ja tinha tido). Lembra aquela menção a "fluvial/pluvial" que eu fiz no outro post (&lt;a href="http://wotton.blogspot.com/2005/01/repblica-da-hipocrisia.html"&gt;República da Hipocrisia&lt;/a&gt;)? Pois era exatamente isso que ela falava. Mas dessa vez eu prestei atenção (é muito mais fácil prestar atenção quando não é obrigatório). E o que ouvi: (sobre transporte fluvial) "Vocês sabem o que é fluvial e pluvial? Não sabem o que é o transporte fluvial e pluvial? É o transporte sobre RIOS e MARES". Aquilo me entristeceu, e me forçou a reavaliar todas as críticas que a professora fez acerca da educação no Brasil.................... tenho que interromper a reflexão por aqui: enquanto eu estava escrevendo esse post nesse exato instante (que eu estou escrevendo, não que você está lendo), escutava feliz da vida meu CD duplo "Absent Lovers", do King Crimson, quando minha irmã invadiu meu quarto com o telefone. Era meu pai, que tinha acabado de ler na Internet que eu tinha sido aprovado na Fuvest! Então enquanto eu recebia telefonemas de toda minha família me congratulando, abri uma correspondência e era meu CPF que finalmente tinha chegado. Agora vou morar em São Carlos, onde estudarei engenharia mecatrônica (?!). Colocarei outro post depois, agora meu dia ficou ocupado... Até mais!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110797669796127858?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110797669796127858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110797669796127858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110797669796127858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110797669796127858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/revisitando.html' title='Revisitando...'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110738193463023211</id><published>2005-02-02T21:59:00.000-02:00</published><updated>2005-02-02T23:34:06.763-02:00</updated><title type='text'>A Clockwork Orange????</title><content type='html'>&lt;p&gt;Antes que eu começasse as tão famosas (no meu Blog) aulas teóricas de condução de veículos, minha tão admirada irmã me disse que fizeram ela assistir um vídeo horrível, com cenas de acidentes violentíssimas, que ela saiu de lá prometendo a si mesma dirigir a 20 Km/h. Então, ontem, quando estava pensando no meu Blog, já tinha formulado toda uma comparação dessa experiência com o filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick: No filme, por ter cometido diversos crimes, Alex é submetido a um tratamento que, através de remédios e imagens de ultraviolência, acabam associando na mente de Alex a dor alheia com sua dor. Porém, como as imagens eram acompanhadas das músicas de Ludwig Van Beethoven, o pobre criminoso acabou associando suas músicas tão amadas à dor também. Na vida real, antes mesmo que eu pudesse pegar um veículo, seriam exibidas a mim tais imagens ultraviolentas que associariam infrações à dor. Essa era a comparação que eu pretendia fazer. Mas era apenas uma suposição. O que aconteceu de verdade foi o seguinte: iniciada a aula, a professora advertiu-nos das cenas que veríamos. Então ligou o vídeo. Antes que eu pudesse falar “a”, o televisor começou a tocar uma música de Philip Glass. Lembrei-me de A Laranja Mecânica e senti um pavor profundo. Olhei para a porta, pensei em sair. Mas, por sorte, era o filme errado. Ufa! Depois de colocado o filme certo (e devidamente explicado o motivo de exibição das imagens que se seguiriam – “conscientização”), realmente devo admitir que as imagens eram chocantes. Apesar da má qualidade da fita cassete, o meu tão gostoso almoço ameaçou fugir de seu triste destino corrosivo. Entretanto, os produtores da fita tiveram a consciência de não colocar nenhuma trilha sonora ao fundo. Então foi colocado outro vídeo no aparelho. Uma gravação de Globo Repórter. Pois é, a Globo virou obrigatória aos motoristas. No vídeo, como dita o padrão Globo, entrevistadores faziam perguntas induzindo respostas aos entrevistados. As cenas não eram mais tão chocantes e a trilha sonora ao fundo criava um melodrama que só posso categorizar como ridículo. E ainda dizem que é o Michael Moore que é tendencioso em seus documentários... Como tudo que a Rede Globo faz, o vídeo começou a me entediar (se não fosse tão “Globo” eu até ficaria comovido com as histórias). Me distraí tentando identificar as músicas que os editores colocavam ao fundo. Foi uma tarefa difícil, pois a qualidade do som era ruim e só eram tocados pequenos trechos das músicas. Mas consegui identificar alguns artistas: Queen, Elvis Presley, U2, Michael Jackson e até mesmo (pasmem!) Angelo Badalamenti (com a música tema de Twin Peaks). Depois desse vídeo, nos foi exibido ainda outro, também da Globo. Esse que começava com uma música do Philip Glass. Menos comovente ainda. E depois de uma pequena prova, estava livre para sempre (espero) das aulas teóricas do “CFC”. Resumindo: em pouco tempo passei de “I know the law, you bastards!” para “I was cured allright”. Só uma curiosidade acerca do filme, “Orange”, no título original, provavelmente não se refere a uma “laranja”, mas sim a um orangotango (um primata). Assim percebe-se que o título foi provavelmente mal traduzido. Mas prefiro-o assim. Dá um ar maior de mistério. E pelo menos não tem um subtítulo irritante (Exemplo: “Laranja Mecânica - um criminoso muito louco!”)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como não fui tão afetado pela aula como havia sido no “post” anterior, resolvi parar de adiar a tão esperada (por quem? Por mim!) explicação sobre a inversão intenção/conseqüência. Entretanto, antes descreverei mais uma cena cotidiana de adesivo em ônibus. Havia um adesivo escrito “Passageiro: sua opinião faz a diferença”. Mas em cima dele havia sido colado com fita adesiva um papel com os dizeres:&lt;br /&gt;“PROCURO UM AMOR&lt;br /&gt;MOÇAS ME LIGUE&lt;br /&gt;82851***&lt;br /&gt;SOU MORENO CLARO&lt;br /&gt;175 Mts 36 ANOS&lt;br /&gt;AS DANIEL”&lt;br /&gt;Achei interessante o suficiente para citar aqui. Me lembrou um cartaz que vi um rapaz segurando em um evento chamado “Anime Dreams” (um espécie de “carnaval de nerds” cheio de gente fantasiada de personagens de desenhos animados japoneses e personagens de jogos eletrônicos. Recomendo esse tipo de evento para todos os amantes da arte da animação (como eu) assim como pessoas que adoram ver gente diferente (como eu (duplo sentido)) ou até mesmo quem tem um senso de humor apurado (...).). Neste evento havia um rapaz com a placa “Case comigo (só mulheres)”. Será que a mensagem no ônibus era um sincero grito por afeto? Seria uma brincadeira de mal gosto com o dono do telefone citado? Ou algum esquema criminoso para seqüestro de pessoas desavisadas? (ocultei os últimos três dígitos por medo que algum visitante fosse vítima por minha causa).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Inversão Intenção/Conseqüência: xiii, a fonte que eu ia consultar não era a que eu achei que era... (acabei de reler “dinamicamente” um livro de ética que eu achei que citava a história que eu ia usar para exemplo...) – terei de lembrar a história de cabeça. Figura ela entre as muitas de “As Mil e Uma Noites” (eu acho...). Nessa história, um homem caminhando pelo deserto encontra uma linda prisioneira de um gênio, que dorme. A mulher, interessada em dormir com o viajante, diz: Você deitará comigo. Se assim fizer e o gênio não acordar, sairá livre. Caso contrário, acordarei o gênio e contarei que você deitou-se comigo. É aí que está a inversão. No caso que eu citava em relação a mim e pessoas medicando, devo ainda citar mais uma informação: em uma palestra do escritor Ferréz (escritor de “Capão Pecado”, “Manual Prático do Ódio” e organizador da revista “Literatura Marginal”), este contou que uma vez viu um garoto de rua conhecido seu todo feliz porque um passante disse “não” quando pediu dinheiro a ele. Quando indagado sobre o motivo de sua felicidade, disse: “Ao menos ele respondeu. A maioria passa reto”. Além desse dado, posso ainda citar uma pesquisa do psicólogo Fernando Braga, autor da tese da chamada “invisibilidade social”, isso é, homens invisíveis por terem condição social desfavorecida (o psicólogo desenvolveu a tese a partir de uma experiência como aluno: vestiu uma roupa de gari e permaneceu pelo campus onde estudava por um bom tempo, e ninguém o reconheceu, ou ao menos disse “oi”. Nem mesmo os professores que haviam dado aula para ele naquela manhã). Portanto, agora a aplicação do conceito de inversão intenção/conseqüência no caso de mendigos e passantes: se eu estou passando, sem dinheiro (ou sem vontade de dar dinheiro), por onde tem um garoto de rua, e eu dou atenção para ele (para dizer “não tenho”, ou simplesmente “não”), o garoto sente-se mais confiante para insistir e tornar-me mais culpado (ou até mesmo ser agressivo, como aconteceu em uma ocasião em que eu disse “não tenho” e o garoto respondeu “Prova, então. Deixa eu ver sua carteira”). Entretanto, se eu passar reto sem olhar para o garoto (ou usar óculos escuros), e simplesmente não responder ao apelo do pobre garoto, sou deixado em paz. O garoto não insiste, não tenta me deixar culpado. Se alguém tem alguma sugestão para esse dilema, por favor apresente-se (agora possibilitei comentários anônimos no blog).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se você tem alguma sugestão, pedido ou crítica, deixe um comentário. (Assusta-me pensar que TUDO QUE EU DISSER pode e será usado contra mim “no tribunal do rei escarlate”...)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou deixar mais uma promessa no ar para que todos fiquem curiosos: no próximo “post” (a não ser que seja adiado, o que é provável), prometo fazer uma análise psicológica de comportamentos humanos teorizando uma suposta “naturalidade” nos valores católicos e dando uma possível explicação para comportamentos masoquistas, tudo isso baseado na observação direta da conduta de meus dois cachorros (o Neo e o Ziggy). Aguardem!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E-mails: mandem para &lt;a href="mailto:abramo6@estadao.com.br"&gt;abramo6@estadao.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110738193463023211?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110738193463023211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110738193463023211' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110738193463023211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110738193463023211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/02/clockwork-orange.html' title='A Clockwork Orange????'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110726940948045839</id><published>2005-02-01T03:40:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T12:50:09.480-02:00</updated><title type='text'>O Gato Cinza de Olhos Azuis</title><content type='html'>1 - Hoje de manhã eu estava em outra cidade (Santa Branca). Antes de pegar o ônibus para São Paulo, vi no banco da rodoviária um gato cinza de olhos azuis. Um gato lindo, ainda muito jovem (provavelmente não tinha atingido a puberdade felina). Enquanto ele recebia sentado os raios de sol, virando o rosto, eu fiquei lendo seu futuro. O gato cinza de olhos azuis estava sozinho. Ele tinha que conseguir comida. Ele tinha que se virar. Ele era um gato enfiado num fim de mundo. Sem perspectivas. Imaginei-o agonizando após ter sido atropelado. Vida simples. Uma mulher ao meu lado na fila pra pegar o ônibus, como que lendo meu pensamento, disse: "Esse gato aí é bonito. Daqui a pouco alguém pega ele pra cuidar". Não resisti a fazer um carinho nele, que o recebeu de olhos fechados, um pouco por prazer, um pouco por causa da luz do sol. Eu queria vê-lo feliz. Eu queria dar leite a ele, e observá-lo beber (o gato abaixou a cabeça quando eu pensei isso). Eu que queria pegá-lo. Mas lembrei-me do ônibus, dos meus dois cachorros, da minha mãe, de mim mesmo. Deixei o gato lá e fui embora. Ainda tenho dúvidas sobre o destino do gato...&lt;br /&gt;2 - Quando eu comprei minha passagem de ônibus, no bilhete estava indicada qual seria minha poltrona. Sentei, e o ônibus partiu, quase lotado. Logo no começo do caminho, o ônibus começou a parar em estações e pegar mais passageiros. Logo não havia assentos para todos. Algumas pessoas ficaram em pé ao longo da viagem. Uma delas, uma garota que olhava quase em minha direção. Um fiscal começou a conferir a passagem de todos os presentes. Tudo em ordem, todos tinham passagem. Inclusive as pessoas em pé. Será que não havia lugar marcado para as pessoas em pé? Elas viajariam em pé todo o trajeto? Teriam pago menos por suas passagens? Não, essa pergunta era irrelevante. Completamente irrelevante. O que me dava mais direitos do que a garota à minha frente? Por que eu estava sentado na minha cadeira reclinada enquanto ela estava de pé se segurando onde podia para não cair? Lembrei-me de uma vez que minha tia-avó teve que voltar de ônibus de Aiuruoca (Sul de Minas). Durante as primeiras uma hora e meia teve que ficar em pé. Pensei "E ninguém cedeu-lhe lugar?". O olhar resignado da garota em frente voltou a chamar minha atenção. Eu queria ceder-lhe meu lugar. Ao invés disso, esbocei umas desculpas na minha cabeça, virei para o lado e dormi. Por sorte não sonhei.&lt;br /&gt;3 - Chegando em São Paulo, peguei o metrô. Perto do meu destino, eu estava sentado, e um homem estava em pé perto da porta. O trem parou na estação Vergueiro, e a voz feminina (de aspecto cansado) na caixa de som cantou o nome da estação. O homem perto da porta disse em voz alta: "Não é estação Verguero, sua idiota, é estação Vergueiro". Na estação Paraíso, onde eu e o homem íamos fazer baldeação, o vagão estava parando, ainda de portas fechadas, e o homem falava em voz alta "vai, caralho. Eu não tenho o dia todo, abre essa porra". Tudo que eu fiz foi simplesmente rir internamente.&lt;br /&gt;4 - Almocei com minha mãe em um restaurante por quilo na Augusta. Lá contei a ela das pessoas que conheci no dia anterior, e de como suas vidas eram diferentes da minha, como se minha vida inteira eu tivesse passado dentro de uma bolha de proteção. Eu achei isso positivo pra mim. Sempre fui incentivado a ler. Tinha muitos livros em casa. Minha mãe me levava em livrarias. Eu via meus pais lendo. Tive uma educação boa desde a pré escola. E uma educação liberal. Meu amigo, que mora em Santa Branca, adora livros. Mas não tem muitos, então acaba lendo o mesmo livro até 7 vezes. Uma amiga, que mora em São José dos Campos, contou-me de sua professora de inglês. Deu aula em apenas três dias do ano. Depois disse "eu só faltei o que era permitido". A professora substituta tinha que se virar. Mandava a classe ler um texto qualquer e traduzir. Minha amiga pedia para um amigo fazer pra ela.&lt;br /&gt;5 - O motivo de ter voltado tão cedo de Santa Branca era assistir à aula do "Centro de Formação de Condutores A". Então, após ter almoçado com minha mãe, peguei um ônibus. Perto do ponto final, um garoto (até bem vestido - vestia uma camiseta da marca "Cavalera" (a que eu vestia também era dessa "grife")) fazia malabarismos com bolas de tênis (em São Paulo isso é bem comum - tem em todas as principais esquinas). Tinha o olhar virado para as bolas, mas não completamente concentrado. O cobrador do ônibus virou-se para a janela para observar o garoto. Então sorriu, com um olhar amoroso para o garoto. Quase paternal. Eu observava os dois através de meus óculos escuros. (Me emocionei, mas logo tive que sair do ônibus).&lt;br /&gt;6 - Antes de entrar na sala de aula, falei com o rapaz da recepção que tinha esquecido um casaco lá na sexta feira. (e na sexta feira antes de entrar na aula eu peguei a apostila "formação de condutores" que havia esquecido na quinta). O rapaz me levou para uma sala onde ele tinha guardado o casaco (era um casaco preto mais velho do que eu). Depois de me entregar, ele disse "só esqueceu o casaco por que fez calor. É igual com guarda-chuva. Se pára de chover a gente esquece". Retribuí seu sorriso e entrei na aula.&lt;br /&gt;7 - A aula era sobre primeiros-socorros. A professora falava sobre como era importante prevenir-se ao tocar um corpo ensangüentado. Com o risco de contrair, por exemplo, Aids (10% de chance se a pessoa tiver o vírus, de acordo com a professora), era melhor, na ausência de luvas, colocar as mãos por dentro de uma camisinha. Quanto ela disse isso boa parte da classe riu. Para se entrar no curso, é necessário ser maior de dezoito anos. Ainda assim as pessoas não estão familiarizadas com o termo "camisinha". Essa era uma reação que eu me lembro bem na primeira série do primário. E ainda se perguntam como que a AIDS continua se alastrando? (Resposta: falta de informação, SIM).&lt;br /&gt;8 - A aula continuou, morbidamente. Cacos de vidro fincados nos olhos. Queimaduras de terceiro grau. Membros empalados. Hemorragia. Pedaços cortados fora. A professora contava casos... sabendo que nenhum de nós ia realmente prestar socorro às vítimas. Mas se nós soubéssemos do processo, poderíamos evitar que coisas erradas fossem feitas à pessoas acidentadas. Se uma garota perdeu a mão, ela irá sangrar até a morte. Se nós colocarmos compressas de pano na mão, ainda assim ela ia sangrar até a morte. A vida da pessoa seria salva apenas se usássemos um "torniquete" (pano amarrado de maneira tão forte que impediria circulação sanguínea na região). Mas, nesse caso, a pessoa muito provavelmente acabaria tendo o braço todo amputado. Então, como ela quer sair ganhando, ela iria nos processar por fazer o "torniquete" nela. E nós teríamos de pagar indenização. A aula continuou nesse clima. Eu estava quase passando mal. A professora fazia uma ou outra piadinha ao longo da aula, e algumas pessoas riam (provavelmente as mesmas que riram da camisinha). A professora estava acostumada com essas pessoas. E como professora, teve contato com muitas pessoas dos mais diferentes tipos, dos menos diferentes tipos. E essas pessoas contavam casos pra ela. E ela contava os casos à gente. Mas nem todos os casos que ela contava eram casos contados pra ela. Ela pôde conhecer pessoalmente muitas situações, pois havia feito um trabalho no corpo de bombeiros e no Hospital das Clínicas.&lt;br /&gt;9 - Esse caso a professora acompanhou ao longo dos meses. A dona-de-casa tinha um filho pequeno. Estava fervendo água para fazer café quando tocou a campainha. Enquanto atendia, o filho curioso esticou os pezinhos para alcançar o fogão, e deixou cair a água fervendo em cima dele. No rosto, no peito, na virilha. O filho chorava, então a mãe, por desinformação e para aliviar a dor, jogou pó de café em cima do filho. A cafeína, como todos os estimulantes, alivia a dor. Então, chegando no hospital, os médicos tiveram que fazer uma "raspagem" no garoto, isto é, passar uma lixa na carne exposta para retirar o pó de café de cima do garoto. É, obviamente, um processo extremamente doloroso. Então o garoto ficou lá no hospital, um mês e meio, mais ou menos, até se recuperar da queimadura (deformado até o resto da vida). No entanto, os médicos não puderam dar alta ao garoto, pois ele tinha febre. O garoto ficou em tratamento antibiótico, mas a febre sempre voltava. Cada vez mais alta. Três meses em febre, até que a temperatura aumentou para 42ºC, ocasionando a morte do garoto. Infecção generalizada. Porque a mãe havia jogado pó de café no garoto. Nesse momento a professora estava com os olhos vermelhos. Eu também. No Brasil muita gente morre ou fica deformada por falta de informação. A professora ainda contou outros casos, de bebês que morreram porque tiveram sangramento nasal e a mãe colocou a cabeça dele pra cima (quando eu tinha sangramento nasal também faziam isso comigo). Bebês que morreram sufocados pela mãe ao amamentar. Um garoto que teve uma queimadura agravada por conta da pasta de dentes que a mãe colocou no local. Destinado a ser um "monstrinho" sem amigos, sem namorada, deformado pro resto da vida porque a mãe era ignorante. Outro caso: garoto atropelado do lado do hospital. A mãe desesperada pega o garoto no colo e sai correndo pro hospital. O garoto tinha uma fratura exposta na perna. Quando a tia viu uma coisinha contra a calça de moletom do garoto, levantou-a. A mãe levou um susto com a visão da perna aberta e deixou o garoto cair no chão. Do lado do hospital...&lt;br /&gt;E a aula não acabava. E eu não queria mais aquilo. Eu era mais feliz antes de saber tudo aquilo. Eu olho para o gato cinza de olhos azuis e quero chorar. Mas ele não chora. Eu tenho dó do gato cinza de olhos azuis. E gostaria, como gostaria, que o gato cinza de olhos azuis tivesse dó de mim também. Só assim eu poderia saber que ele é feliz... feliz como eu fui antes de conhecê-lo. O gato cinza de olhos azuis é, sim, capaz de derramar uma lágrima pelo outro. A aula acabou. As pessoas conversavam normalmente, trocando sorrisos. O gato cinza de olhos azuis é incapaz de derramar uma lágrima por si mesmo. Quem um dia me disse que os gatos têm nove vidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obs: a explicação sobre a inversão de intenção/consequência fica adiada mais uma vez para o próximo "post". Perdoem-me pelos erros ortográficos do texto “A República da Hipocrisia”. Comentários: deixem aqui ou mandem-me um e-mail - &lt;a href="mailto:abramo6@estadao.com.br"&gt;abramo6@estadao.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110726940948045839?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110726940948045839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110726940948045839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726940948045839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726940948045839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/01/o-gato-cinza-de-olhos-azuis.html' title='O Gato Cinza de Olhos Azuis'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110726908360978849</id><published>2005-01-28T02:55:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T12:44:43.610-02:00</updated><title type='text'>República da Hipocrisia</title><content type='html'>Hoje houveram três ocasiões (uma quase metalingüística) para presenciar a República da Hipocrisia. E o dia nem acabou...&lt;br /&gt;1- A primeira delas: alistamento militar. Muitas pessoas acreditam que o humor está em presenciar cenas inesperadas, surpreendentes. Porém, na maioria das vezes, o que me põe a rir internamente é presenciar as cenas mais absurdamente previsíveis, principalmente quando elas não fazem sentido. E foi o Caso de uma dessas oCasiões. Começou na fila que me puseram antes de entrar lá no quartel (ou qualquer que seja o nome daquele lugar cheio de milico). Um monte de homem (jovens, da minha idade) em duas filas, com um militar de frente para nós, tentando exibir autoridade ao gritar com algumas pessoas da fila ("Tira esse colar!", "Desencosta da parede!", "Ôoo porco! para de coçar o nariz, seu porco!"). Naquele momento reconheci que aquele militar havia gastado boa parte de sua vida (talvez nem tão boa parte, mas ao menos um ano) e não tinha NADA para demonstrar de melhor. Um ano inútil. A única coisa que podia fazer era ficar assustando os recrutas. E ele havia escolhido esse caminho, assim como muitos ao meu lado na fila escolheriam. Escolheriam atraídos por esse poder tão baixo, que para eles parece tanto... é como enquanto somos crianças. Uma criança tem um boneco que gira. Um boneco que nem é tão legal, e ela nem gosta. Mas ela teve que insistir muito pros pais comprarem aquele boneco. Boneco cujo destino, nenhum oráculo diria o contrário, seria ficar jogado na prateleira para sempre depois de alguns dias de usufruto.... Então, como eu ia dizendo, essa criança, que já percebeu que seu brinquedo é uma merda, tem um amigo. E para esse amigo, a criança não fala "meu boneco é uma bosta". Ela fala que ela ganhou um bonecossuperlegalquegiraefaznãoseiquantasoutrascousas. E mais, ela brinca forçosamente com o objeto que desgosta, só para que ele seja mais atraente aos olhos de um garoto que não teve que passar meses enchendo o saco do pai e da mãe pra comprar aquele brinquedo. O amigo do garoto, quase invariavelmente terá inveja do brinquedo do garoto. "Posso brincar?" - "NÃO!, É MEU!". Então o amigo do garoto não terá outra escolha senão ficar enchendo o saco dos pais pra comprar a merda do brinquedo. (Só quem ganha com isso é a loja de brinquedos, no caso, tão sutilmente chamada "República da Hipocrisia"). (Obs: tudo que ocorreu até minha saída do quartel apenas reforçou minha visão, acrescentando um conhecimento prático da burocracia da República, representado fisicamente (temporalmente) por 3 horas e meia de espera em filas que se seguiam a outras filas, sem que UMA delas apresentasse uma função senão a de guiar-nos marionetes para mais uma fila. Só um último comentário sobre o caso, o chefe do recrutamento (...desconheço profundamente as denominações oficiais...) era o mesmo da última vez que estive lá (sim, o macro imita o micro - cada visita àquele lugar apenas direciona à outra visita, e outra...), e lembro-me que naquela ocasião, seu celular tocou e, para minha surpresa, seu ringtone era "Light My Fire" (The Doors).).&lt;br /&gt;2 - Ao contrário do primeiro caso, este nada tem de engraçado. Nem pretendo me ater muito nele, pois me entristece (talvez porque seja EU o hipócrita em questão). Eu estou fazendo um "cursinho" preparatório para a prova do Detran que me permitirá fazer as aulas práticas que me renderão a tal "PPD - Permissão Para Dirigir" (hoje em dia é assim que funciona - o cursinho, por sinal, é obrigatório). O que me entristece é ver que a professora (embora tente), é ruim. Poucas coisas consegue ela explicar com clareza. E eu sei que esse é o padrão das escolas públicas. As pessoas ao meu redor, percebo-as muito acostumadas a não entender e não perguntar (eu pessoalmente quase nunca pergunto). A prova do Detran em si seria o equivalente à aprovação automática nas escolas públicas (talvez aqui eu tenha exagerado... mas no mínimo é equivalente a um ENEM). A própria professora me entristece, pois ela é (apesar de tudo) uma pessoa inteligente. Ela compreende sua função. Ela tem a intenção de formar melhores condutores. E enxerga (como citarei no caso 3) a República da Hipocrisia. Mas nada é melhor representativo da República da Hipocrisia do que aquela aula (o micro imita o macro). Enquanto eu viajava desenhando figuras surrealistas no livrinho/guia, a pobre professora tentava com cada vez mais confusos e infrutíferos exemplos explicar as funções legislativas e administrativas de cada um dos órgãos (com direito a uma pausa para falar no celular com uma amiga). E eu gostaria, como gostaria, de prestar atenção à aula, ser o "bom aluno" que sempre fui na escola, ajudar a professora. Mas a perspectiva de quatro horas seguidas de aula (mentira - tem um intervalo), com um assunto desinteressante e mal explicado, quase sem finalidade, (me lembrou algumas aulas de química - e é aí que reside o problema da maioria dos professores: começar explicando a regra pela exceção) enfim, tudo que minha mente atordoada me permitia era ficar lá, sentado, quieto. A professora perguntava "Quem aqui prestou USP", "Quem já viajou para o exterior", "Quem sabe o que é fluvial/pluvial" e eu lá... sem conseguir encontrar força de vontade para falar alto. Enquanto isso a professora tinha a impressão (impressão verdadeira mas por falsos motivos) de que o ensino no Brasil é uma porcaria, pois nós não sabemos nem a diferença entre uma alameda e uma rua (esse eu confesso que não sabia mesmo...). E pela segunda vez tive contato com aquela crítica que tanto me põe culpa: os estudantes de escolas públicas não conseguem vagas nas universidades públicas, pois os estudantes de escolas privadas pegam todas as vagas. Sobre pra eles, quem sabe, uma carreira de 150 reais por mês como recruta do exército. A República da Hipocrisia sou eu. Eu, que tantas vezes sinto-me culpado ao ver pessoas pedindo esmolas na rua. Há, nesse caso, uma inversão de intenção/consequência. Explicarei isso outro dia pois hoje pretendo ater-me à República.&lt;br /&gt;3 - Embora todo esse item 2 tenha me destruído o humor, o caso 3 (o tal quase metalingüístico) não é totalmente desprovido deste. Vou dar um tempo pro clima melancólico passar (sugiro que o leitor faça o mesmo - vá tomar uma água, ou algo assim)............... Pronto. Onde eu estava? Ah, o caso 3: durante a mesma aula a professora expôs-nos um caso típico da República da Hipocrisia no sistema de trânsito: qualquer turista estrangeiro, suponhamos no caso um japonês para efeitos demonstrativos. Qualquer turista estrangeiro pode dirigir em nosso país sem muitos problemas. Imaginem agora, um japonês, todo acostumado àqueles ideogramas, um japonês que não sabe falar, ler ou escrever em português. Tal japonês é um analfabeto em nosso país. Entretanto, exige-se dos condutores de veículos que sejam letrados para tirar a carteira de motorista. Resumindo/”redundando”: não se precisa saber ler para dirigir, porém é necessário ser alfabetizado para tirar a carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o exemplo do último "post" do blog, aqui vai a frase do dia (mais uma vez é minha): "Esqueçam tudo que escrevi aqui em cima - sou péssimo para fazer críticas sociais. Ousaria ainda dizer que qualquer crítica social feita por mim é... hipocrisia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observação acerca da República da Hipocrisia: não é algo que podemos ver a qualquer momento, embora apareça a nós a todo instante. Tente um dia concentrar-se... tente desvendar os gestos, as ações, as situações... e a República da Hipocrisia se erguerá diante de seus olhos como uma gigante cidade antes submersa. Torres levantarão-se dos bueiros. Cada pessoa se transformará em um tijolo da muralha circundante. Toda sua magnitude apenas será reforçada por cada movimento de cada elemento de nossa cidade medieval. Porém, tal cidade, tão forte, tão austera, tão... augusta; é ao mesmo tempo tão frágil... pois tal qual castelos de areia desintegrando-se nas ondas, a República da Hipocrisia esvai-se no ar, assim que ganhamos algum brinquedo novo. Sobra-nos apenas a dúvida... quem poderá um dia responder se realmente houve uma vez obra tal como a República da Hipocrisia? Nem mesmo seus criadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs2: deixe seu comentário aí ou mande-me um e-mail (&lt;a href="mailto:abramo6@estadao.com.br"&gt;abramo6@estadao.com.br&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110726908360978849?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110726908360978849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110726908360978849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726908360978849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726908360978849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/01/repblica-da-hipocrisia.html' title='República da Hipocrisia'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110726884599049424</id><published>2005-01-24T06:51:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T12:40:45.990-02:00</updated><title type='text'>Depois da chuva...</title><content type='html'>&lt;p&gt;Eu andei refletindo bem sobre o porquê de eu não escrever na seção Blog. Inicialmente eu me enganava achando que era porque eu não queria que a mensagem de introdução saísse da página inicial, mas depois de receber 1 (um) e-mail de uma pessoa que leu, essa justificativa "desjustificou-se". Afinal, tudo que eu queria era ser lido. (Se eu fosse me comparar a um livro, gostaria de poder dizer que o que eu escrevi na mensagem de introdução foi só meio capítulo. Mas, se "para bom entendedor...", então se eu chamasse aquilo que eu escrevi de meio capítulo eu teria de ser um livro bastante redundante. Prefiro então nem fazer a comparação metafórica por medo do que eu poderia descobrir.) Ainda pensando no fenômeno da comunicação moderna, encontrei um poema que, a julgar pelo título, talvez diga alguma coisa sobre isso (a julgar pelos versos, talvez não) - é um poema bem experimental de uma estrofe e dois versos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Comunicação:&lt;br /&gt;Amar quina. Ah!, vá por doce cu lodês e nove, e vou-lo-ia ter-se “Thor Naire” oh my Orvey! cu lodeco Munique assando, sê cu lovinte e... hum...&lt;br /&gt;Ô, Jê!, tô doze ex-tanco. Néctar doze toldos common nickel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem, se alguém entendeu esse poema mande-me um e-mail pra explicar... (&lt;a href="mailto:abramo6@estadao.com.br"&gt;abramo6@estadao.com.br&lt;/a&gt; ou aqui no site)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje andando de ônibus eu vi um adesivo dizendo "Diga Não às Drogas". Em cima estava escrito "Seja feliz sem as drogas ilegais". No momento que eu li essa mensagem, achei-a muito engraçada. Eu logo pensei no Blog (queria compartilhar essa frase com os outros). Entretanto, fiz algo pelo que me arrependeria amargamente: fui até perto do adesivo para ler melhor. Arrependo-me amargamente pois meu compromisso com o meu conceito de honestidade me impede de simplesmente deixar a frase "Seja feliz sem as drogas ilegais" no blog sem contar que, lá embaixo do adesivo também estava escrito "Seja feliz sem as drogas legalizadas". Merda. Eu seria feliz sem essa DROGA de segunda frase. Então, já que eu não posso deixar a frase "Seja feliz sem as drogas ilegais" como a frase memorável do dia registrada no Blog, resolvi fazer eu mesmo uma frase para compensar. Lá vai: "Seja feliz sem as drogas legalizadas - não fume cigarro (nicotina/alcatrão), não beba cerveja (álcool), não fume charuto (?), não tome café (cafeína), não coma chocolate (teobromina/fenilatilamina/serotonina), não tome suco de maracujá (maracujina), não pratique esportes (endorfinas), não pratique sexo (endorfinas/serotonina). Uma vida feliz sem prazeres é perfeitamente possível como já nos provou Santo Agostinho."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Merda... achei que a chuva já tinha passado...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A propósito, o título do texto é em referência à "chuva" metafórica que foi a mensagem de introdução (isso é óbvio), mas também faz referência a um filme japonês cujo roteiro foi escrito por Akira Kurosawa. Não foi dirigido por ele. Mas Kurosawa é o "Rei Midas" do cinema (me recuso a explicar essa metáfora).&lt;br /&gt;Um abraço. Ah!, e "me rotule - sou um produto".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ps: eu sei que quando eu me disponho a escrever eu não paro mais e isso é um defeito, porém gostaria de acrescentar um comentário sobre como pretendo manter meu Blog: é óbvio que hoje aconteceram eventos muito mais importantes na minha vida do que um adesivo em um ônibus. Mas... importantes pra quem? Pros leitores certamente não (a não ser os leitores envolvidos nos eventos). Pensei bastante a respeito e decidi que apenas colocarei no Blog coisas que julgo serem interessantes a mais pessoas do que só eu. Portanto nesse espaço, até que eu mude de idéia, não vai ter nenhum comentário como "Hj beijei tal pessoa. Minha namorada me deixou. Minha mãe me deu uma bronca etc" (aliás, na medida do possível tentarei evitar abreviações como "hj"). Com tais restrições, ainda pretendo atualizar o Blog ao menos uma vez por semana. Com comentários do tipo (esse é inclusive verdade):&lt;br /&gt;"Hoje eu resolvi usar óculos escuros. Não estou acostumado com eles - o mundo fica mais redondo (devido à curvatura das lentes). A imagem de meus olhos ficavam levemente refletidas pela lente (mais ou menos, dependendo do ângulo de incidência da luz), e se eu me concentrasse eu poderia enxergá-los. Entretanto, para qualquer lugar que eu olhasse - o céu, o chão, o outro - eu captava subliminarmente a imagem de dois globos negros gigantes me observando, olhando dentro de meus olhos (Janelas da Alma). E ainda tinha o fato da visão estar escurecida... uma situação que me lembrava de "A Geléia Viva Como Placenta" (Clarice Lispector). O quanto as cores que vemos no dia-a-dia interferem em nossa personalidade? (Uma pseudo-pesquisa pseudo-científica relacionava cores a comportamentos - vermelho = violência, azul = serenidade - O que uma pesquisa científica poderia nos dizer?)"&lt;br /&gt;Espero que os leitores do Blog (contáveis a dedo) gostem das futilidades que a partir de hoje se farão presentes em nossas vidas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110726884599049424?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110726884599049424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110726884599049424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726884599049424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726884599049424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/01/depois-da-chuva.html' title='Depois da chuva...'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10552102.post-110726750674033909</id><published>2005-01-06T23:48:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T12:30:17.766-02:00</updated><title type='text'>Texto de apresentação</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Olá infelizes leitores da minha mensagem de apresentação. Meu nome é Daniel Abramowicz, acabo de fazer 18 anos e estou naquela fase da adolescência rebelde e anarquista porém ainda imatura demais para conseguir organizar a mente de maneira construtiva. Resumindo, apesar de eu ser, do ponto de vista individual, extremamente diferente de todos os homens da minha faixa etária que eu conheço, do ponto de vista hormonal sou o próprio esteréótipo do adolescente - imaturo, desesperado por sexo, com ódio de tantas coisas que acontecem a mim e ao mundo, inexperiente, ingênuo nas idealizações que faço, idealista por natureza, etc - quem ja viu um adolescente já viu todos. Apesar disso sou bastante idiossincrático: sou a favor do amor livre, sou contra o moralismo (que é a maior das perversões), acho que tudo que é consensual deveria ser permitido, que as regras devem sempre se justificar pela lógica, que a felicidade é o objetivo da vida, exista ela ou não, que as pessoas não deveriam mentir para si mesmas, deveriam viver de acordo com suas idéias (Exemplo: se uma pessoa é a favor do respeito às diferenças sexuais, se ela diz que os homossexuais e afins deveriam ser aceitos e respeitados, então ela deveria perceber a contradição existente nas piadinhas que ela faz a respeito disso que não fazem mais do que perpetuar a condição à qual ela se diz contra, ou, outro exemplo, se uma pessoa diz que acredita nas palavras de Jesus (de acordo com o que dizem que ele disse), então ela não poderia ser arrogante nem desrespeitosa nem belicosa, mas viver de maneira cristã, com a serenidade cristã (ainda estou pra ver um cristão)). Agora já que esse pequeno parênteses levantou o assunto, no parágrafo que se segue irei expor meus ideais (não confundir com convicções):&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sou ateu, cético, cínico, cientificista, tecnocrata, à favor das liberdades individuais acima de tudo (inclusive, se não principalmente, as sexuais). Em relação à minha escolha sexual, sou LIVRE (porém na fase atual de minha vida tenho apresentado tendências mais heterossexuais), não tenho medo de amar (embora talvez o tenha num nível subconsciente, pois faz meses que não me apaixono). Sou sincero com as pessoas que gosto e insincero com as que não gosto (para quê dá-las o prazer da verdade?), gosto que as pessoas ao meu redor sejam felizes, acho que a natureza apresenta imperfeições que o homem pode corrigir, não acho que anos de seleção natural tenham levado o mundo a um estágio superior ao anterior - muito pelo contrário, a seleção natural acaba por ajudar os seres mais individualistas e desprezíveis (Newton por exemplo morreu sem dar uma trepada). Acho que o ciúmes, o sentimento de posse sobre outro indivíduo é negativo por natureza, e deveria ser combatido, desencorajado pela sociedade (e o que ocorre é o contrário). Acho que as pessoas deveriam se amar de maneira saudável, sendo que a monogamia não é necessariamente a "alternativa saúde" nesse caso. Acho que as mulheres deveriam ter as mesmas condições que os homens mas ainda estão muito longe disso (a maioria das pessoas é hipócrita e diz que não é machista, mas a sociedade prova o contrário - outro mito a ser quebrado: ao contrário do que se acredita, as mulheres tendem a ser tão machistas quanto os homens). Odeio a arrogância religiosa, o prazer deve ser preservado. Acima de tudo odeio CENSURA - duas semanas antes do meu aniversario de 18 anos me impediram de ver o filme La Mala Educación, de Pedro Almodóvar. Eu fiquei imaginando que violência chocante estaria exposta naquele filme. Então, como era de se esperar, eu cheguei em casa, improvisei um RG falso e no dia seguinte fui novamente ao cinema, junto com minha mãe e meu melhor amigo. Qual não foi minha surpresa ao ver que não havia nada que justificasse a censura - apenas sexo. Agora, se o sexo é proibido a menores de 18, podiam logo de uma vez proibirem a venda de camisinha a menores de idade - seria menos hipócrita. Mais da metade das pessoas entre 15 e 18 anos que eu conheço já praticou sexo. A idéia da censura a esse tipo de filme é impedir que jovens possam aprender com filmes inteligentes, impedir que eles tenham uma atitude saudável em relação ao sexo. O sexo deve ser proibido - é sujo, errado. É errado se informar sobre ele. É isso que a sociedade quer. E mais - sexo deve sempre vir acompanhado de culpa. Essa é a sociedade na qual vivemos. Para fundamentar minha opinião e não ficar apenas no "achismo", quem sabe alguns dados? pois bem, de acordo com uma recente pesquisa, o número de aidéticos têm crescido entre os heterossexuais, enquanto está praticamente estagnado entre os homossexuais. O que isso indica? Indica que o homem COMUM (não confundir com normal), ou seja, o homem que é maioria na sociedade, o moralista, monogâmico, desinformado em relação ao sexo pois foi proibido de tomar conhecimento sobre ele pelas forças invisíveis da inconsciência coletiva, pratica mais sexo menos seguro, enquanto o homem INCOMUM (porém perfeitamente normal), representado nessa pesquisa pelo homossexual assumido (os não assumidos são comuns e muitas vezes homofóbicos), por apresentar um comportamento fora do padrão imposto pela sociedade, foi obrigado a buscar informações, pratica mais sexo seguro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ainda falando de sexo, vejam a maior das ironias - Os homens moralistas, monogâmicos, "certinhos", acabam sendo os que mais trepam, das mais variadas maneiras, enquanto os homens liberais como eu, a favor de todo tipo de sexo, querendo experiencias diferentes, pronto para realizar as mais diversas fantasias suas e do parceiro acabam sento os mais abstêmios em relação ao sexo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mudando de assunto, para ser ainda mais egocêntrico, vou falar de meus interesses:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Música (os mais variados estilos) - atualmente estou gostando mais de rock progressivo e suas raízes. para citar bandas: King Crimson (principalmente), Gentle Giant, Yes, Jethro Tull (é pré-progressivo), Pink Floyd (idem) e Frank Zappa (alguns trabalhos são progressivos, como os cds Hot Rats, Uncle Meat e Guitar). Mas meu gosto é bem eclético, variando de musica clássica a black metal, passando por bossa nova e MPB. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Teatro: embora não seja um grande freqüentador, gosto bastante. Me encantei muito principalmente com as peças do Zé Celso, do Teatro Oficina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Literatura: Adoro literatura, pincipalmente ficção. Gosto muito de Oscar Wilde, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Clarice Lispector, entre outros. De não ficção eu não gosto tanto, mas admiro muito Carl Sagan, Gay Talese, Nietzsche (do qual tentei sem sucesso ler Assim Falou Zaratustra - não entendi nada, mas consegui ler O Anticristo). Gosto de contos (até tenho algumas tentativas), e de uns meses pra cá comecei a admirar literatura erótica - não tem censura nem comerciais hehehe. Apesar de meu interesse por literatura não me considero um grande leitor. Não sei se por falta de tempo ou preguiça mesmo (esse ano teve o vestibular, que me serve de desculpa para minhas escassas leituras). Descobrirei mesmo se era falta de tempo esse ano, na faculdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Cinema: Esse nunca me dá preguiça. Adoro Fellini, Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Katsuhiro Otomo, lars Von Trier, Godfrey Regio, Jim Jarmusch, Bertolucci, Fritz Lang, Orson Welles, David Lynch entre outros tantos... cinema realmente é uma paixão (não confundir com amor)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Pintura: Embora eu veja tantas exposições quanto peças de teatro (ou seja: poucas), eu gosto bastante de pintura. As tendência que tenho visto atualmente no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura) não me encantam tanto, porém adoro o surrealismo, desde sua mais longínqua influência nos trabalhos religioso que ilustram o inferno e seres abissais (ilustrações de livros, etc), passando pelo perturbante trabalho de Hieronymus Bosch, até os vanguardistas, como Marx Ernst, incluindo a literatura surrealista com Lewis Carrol. Me interesso pelo dadaísmo embora não tenha capacidade para entendê-lo a fundo, e considero o expressionismo interessante, porém suas vertentes na literatura (Franz Kafka) e no cinema (Eisenstein) são mais fortes do que na pintura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Ciência em geral, incluindo psicologia, psiquiatria, biologia, física, astronomia (embora não tanto - torna-se repetitiva depois de um tempo).A propósito, se vocês leitores estiverem se perguntando qual vestibular eu prestei (certamente não estavam antes que eu trouxesse o assunto à tona), eu prestei engenharia mecatrônica na USP de São Carlos e engenharia eletrônica no ITA (infelizmente não passei). Fiz 90 pontos na primeira fase da Fuvest e a segunda fase está chegando agora... Pode parecer uma incongruência com meus interesses artísticos uma faculdade de exatas, e provavelmente o é. Mas só irei saber se fiz&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;a escolha certa depois de algum tempo. Eu tenho bastante facilidade com exatas, e resolvi escolher a vocação em detrimento do gosto pelas ciências humanas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enfim, se você teve saco de ler tudo isso que eu escrevi então você provavelmente sabe mais sobre mim do que eu mesmo. Mande-me um e-mail ou algo assim eu ia gostar de conhecer gente nova. A propósito, meu e-mail é &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:abramo6@estadao.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;abramo6@estadao.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metade do que está escrito aí em cima é mentira.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10552102-110726750674033909?l=wotton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wotton.blogspot.com/feeds/110726750674033909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10552102&amp;postID=110726750674033909' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726750674033909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10552102/posts/default/110726750674033909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wotton.blogspot.com/2005/01/texto-de-apresentao.html' title='Texto de apresentação'/><author><name>Daniel Abramowicz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03575705413385943206</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
