06/01/2005

Texto de apresentação

Olá infelizes leitores da minha mensagem de apresentação. Meu nome é Daniel Abramowicz, acabo de fazer 18 anos e estou naquela fase da adolescência rebelde e anarquista porém ainda imatura demais para conseguir organizar a mente de maneira construtiva. Resumindo, apesar de eu ser, do ponto de vista individual, extremamente diferente de todos os homens da minha faixa etária que eu conheço, do ponto de vista hormonal sou o próprio esteréótipo do adolescente - imaturo, desesperado por sexo, com ódio de tantas coisas que acontecem a mim e ao mundo, inexperiente, ingênuo nas idealizações que faço, idealista por natureza, etc - quem ja viu um adolescente já viu todos. Apesar disso sou bastante idiossincrático: sou a favor do amor livre, sou contra o moralismo (que é a maior das perversões), acho que tudo que é consensual deveria ser permitido, que as regras devem sempre se justificar pela lógica, que a felicidade é o objetivo da vida, exista ela ou não, que as pessoas não deveriam mentir para si mesmas, deveriam viver de acordo com suas idéias (Exemplo: se uma pessoa é a favor do respeito às diferenças sexuais, se ela diz que os homossexuais e afins deveriam ser aceitos e respeitados, então ela deveria perceber a contradição existente nas piadinhas que ela faz a respeito disso que não fazem mais do que perpetuar a condição à qual ela se diz contra, ou, outro exemplo, se uma pessoa diz que acredita nas palavras de Jesus (de acordo com o que dizem que ele disse), então ela não poderia ser arrogante nem desrespeitosa nem belicosa, mas viver de maneira cristã, com a serenidade cristã (ainda estou pra ver um cristão)). Agora já que esse pequeno parênteses levantou o assunto, no parágrafo que se segue irei expor meus ideais (não confundir com convicções):
Sou ateu, cético, cínico, cientificista, tecnocrata, à favor das liberdades individuais acima de tudo (inclusive, se não principalmente, as sexuais). Em relação à minha escolha sexual, sou LIVRE (porém na fase atual de minha vida tenho apresentado tendências mais heterossexuais), não tenho medo de amar (embora talvez o tenha num nível subconsciente, pois faz meses que não me apaixono). Sou sincero com as pessoas que gosto e insincero com as que não gosto (para quê dá-las o prazer da verdade?), gosto que as pessoas ao meu redor sejam felizes, acho que a natureza apresenta imperfeições que o homem pode corrigir, não acho que anos de seleção natural tenham levado o mundo a um estágio superior ao anterior - muito pelo contrário, a seleção natural acaba por ajudar os seres mais individualistas e desprezíveis (Newton por exemplo morreu sem dar uma trepada). Acho que o ciúmes, o sentimento de posse sobre outro indivíduo é negativo por natureza, e deveria ser combatido, desencorajado pela sociedade (e o que ocorre é o contrário). Acho que as pessoas deveriam se amar de maneira saudável, sendo que a monogamia não é necessariamente a "alternativa saúde" nesse caso. Acho que as mulheres deveriam ter as mesmas condições que os homens mas ainda estão muito longe disso (a maioria das pessoas é hipócrita e diz que não é machista, mas a sociedade prova o contrário - outro mito a ser quebrado: ao contrário do que se acredita, as mulheres tendem a ser tão machistas quanto os homens). Odeio a arrogância religiosa, o prazer deve ser preservado. Acima de tudo odeio CENSURA - duas semanas antes do meu aniversario de 18 anos me impediram de ver o filme La Mala Educación, de Pedro Almodóvar. Eu fiquei imaginando que violência chocante estaria exposta naquele filme. Então, como era de se esperar, eu cheguei em casa, improvisei um RG falso e no dia seguinte fui novamente ao cinema, junto com minha mãe e meu melhor amigo. Qual não foi minha surpresa ao ver que não havia nada que justificasse a censura - apenas sexo. Agora, se o sexo é proibido a menores de 18, podiam logo de uma vez proibirem a venda de camisinha a menores de idade - seria menos hipócrita. Mais da metade das pessoas entre 15 e 18 anos que eu conheço já praticou sexo. A idéia da censura a esse tipo de filme é impedir que jovens possam aprender com filmes inteligentes, impedir que eles tenham uma atitude saudável em relação ao sexo. O sexo deve ser proibido - é sujo, errado. É errado se informar sobre ele. É isso que a sociedade quer. E mais - sexo deve sempre vir acompanhado de culpa. Essa é a sociedade na qual vivemos. Para fundamentar minha opinião e não ficar apenas no "achismo", quem sabe alguns dados? pois bem, de acordo com uma recente pesquisa, o número de aidéticos têm crescido entre os heterossexuais, enquanto está praticamente estagnado entre os homossexuais. O que isso indica? Indica que o homem COMUM (não confundir com normal), ou seja, o homem que é maioria na sociedade, o moralista, monogâmico, desinformado em relação ao sexo pois foi proibido de tomar conhecimento sobre ele pelas forças invisíveis da inconsciência coletiva, pratica mais sexo menos seguro, enquanto o homem INCOMUM (porém perfeitamente normal), representado nessa pesquisa pelo homossexual assumido (os não assumidos são comuns e muitas vezes homofóbicos), por apresentar um comportamento fora do padrão imposto pela sociedade, foi obrigado a buscar informações, pratica mais sexo seguro.
Ainda falando de sexo, vejam a maior das ironias - Os homens moralistas, monogâmicos, "certinhos", acabam sendo os que mais trepam, das mais variadas maneiras, enquanto os homens liberais como eu, a favor de todo tipo de sexo, querendo experiencias diferentes, pronto para realizar as mais diversas fantasias suas e do parceiro acabam sento os mais abstêmios em relação ao sexo.
Mudando de assunto, para ser ainda mais egocêntrico, vou falar de meus interesses:
- Música (os mais variados estilos) - atualmente estou gostando mais de rock progressivo e suas raízes. para citar bandas: King Crimson (principalmente), Gentle Giant, Yes, Jethro Tull (é pré-progressivo), Pink Floyd (idem) e Frank Zappa (alguns trabalhos são progressivos, como os cds Hot Rats, Uncle Meat e Guitar). Mas meu gosto é bem eclético, variando de musica clássica a black metal, passando por bossa nova e MPB.
- Teatro: embora não seja um grande freqüentador, gosto bastante. Me encantei muito principalmente com as peças do Zé Celso, do Teatro Oficina.
- Literatura: Adoro literatura, pincipalmente ficção. Gosto muito de Oscar Wilde, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Clarice Lispector, entre outros. De não ficção eu não gosto tanto, mas admiro muito Carl Sagan, Gay Talese, Nietzsche (do qual tentei sem sucesso ler Assim Falou Zaratustra - não entendi nada, mas consegui ler O Anticristo). Gosto de contos (até tenho algumas tentativas), e de uns meses pra cá comecei a admirar literatura erótica - não tem censura nem comerciais hehehe. Apesar de meu interesse por literatura não me considero um grande leitor. Não sei se por falta de tempo ou preguiça mesmo (esse ano teve o vestibular, que me serve de desculpa para minhas escassas leituras). Descobrirei mesmo se era falta de tempo esse ano, na faculdade.
- Cinema: Esse nunca me dá preguiça. Adoro Fellini, Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Katsuhiro Otomo, lars Von Trier, Godfrey Regio, Jim Jarmusch, Bertolucci, Fritz Lang, Orson Welles, David Lynch entre outros tantos... cinema realmente é uma paixão (não confundir com amor)
- Pintura: Embora eu veja tantas exposições quanto peças de teatro (ou seja: poucas), eu gosto bastante de pintura. As tendência que tenho visto atualmente no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura) não me encantam tanto, porém adoro o surrealismo, desde sua mais longínqua influência nos trabalhos religioso que ilustram o inferno e seres abissais (ilustrações de livros, etc), passando pelo perturbante trabalho de Hieronymus Bosch, até os vanguardistas, como Marx Ernst, incluindo a literatura surrealista com Lewis Carrol. Me interesso pelo dadaísmo embora não tenha capacidade para entendê-lo a fundo, e considero o expressionismo interessante, porém suas vertentes na literatura (Franz Kafka) e no cinema (Eisenstein) são mais fortes do que na pintura.
- Ciência em geral, incluindo psicologia, psiquiatria, biologia, física, astronomia (embora não tanto - torna-se repetitiva depois de um tempo).A propósito, se vocês leitores estiverem se perguntando qual vestibular eu prestei (certamente não estavam antes que eu trouxesse o assunto à tona), eu prestei engenharia mecatrônica na USP de São Carlos e engenharia eletrônica no ITA (infelizmente não passei). Fiz 90 pontos na primeira fase da Fuvest e a segunda fase está chegando agora... Pode parecer uma incongruência com meus interesses artísticos uma faculdade de exatas, e provavelmente o é. Mas só irei saber se fiz a escolha certa depois de algum tempo. Eu tenho bastante facilidade com exatas, e resolvi escolher a vocação em detrimento do gosto pelas ciências humanas.

Enfim, se você teve saco de ler tudo isso que eu escrevi então você provavelmente sabe mais sobre mim do que eu mesmo. Mande-me um e-mail ou algo assim eu ia gostar de conhecer gente nova. A propósito, meu e-mail é abramo6@estadao.com.br




Metade do que está escrito aí em cima é mentira.

3 Comments:

Blogger João Vasco said...

"Sou ateu, cético, cínico, cientificista, tecnocrata, à favor das liberdades individuais acima de tudo"

Então vai dar uma espreitadela no www.ateismo.net/diario - o Diário Ateísta

:)

5:00 AM  
Blogger Daniel Abramowicz said...

Então. Eu só conhecia o site www.ateus.net mas vou dar uma visitada nesse site que você falou. O ateus é bastante interessante, pois tem muitos artigos sobre variados assuntos.

A propósito, depois dos últimos três cadernos LINK do Estadão, comecei a questionar se eu não seria um tecnófobo enrustido... todas aquelas matérias sobre biometria, robôs que atiram, programas para prever o sucesso ou não de artistas entre outras me deixaram um tanto assustado quanto às possíveis restrições à liberdade no futuro... visitem o site www.link.estadao.com.br que é o site do caderno de tecnologia e informática do Estadão. (lá dá pra comentar as matérias e falar com os jornalistas).

12:53 PM  
Blogger Daniel Abramowicz said...

No final do post eu falo que "só saberei se fiz a escolha certa depois"... agora estou no quinto ano da faculdade e digo que fiz a escolha errada... que pena, acontece!

mas não poderia ter feito outra escolha na época... fiz a escolha mais acertada dentre as realmente possíveis naquele momento.

11:13 PM  

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