24/02/2008

Substantivo

- André << atordoado >>, ainda bem que tenho você. Não sei mais o que fazer, << soluços medrosos >> vejo essa criatura medonha, seu vulto, seu rastro, passando ligeiramente atrás de mim pelo reflexo da janela nessa noite escura. Esse ser monstruoso é conjurado a cada vez que pronuncio seu nome terrível, "<< terrível! >>". Está me espreitando, me perseguindo, me atordoando. << medo >> ... << suspiro >> Mas com você ao lado sei que esse demônio inteligente, asqueroso, ágil, é apenas fruto de minha imaginação. Você não o viu nesse exato instante em que o conjurei, como senti acontecer, subir pelas escadarias que levam a meu quarto para aguardar-me no escuro, dentro do armário ou embaixo da cama. Você vai me afirmar que ele não existe, de que outro modo você estaria tão calmo, tão seguro?

- Meu caro Ricardo << tranqüilo >> , essa criatura que você descreveu, que tem te perseguido e te atormentado por tantas noites, certamente não existe. Não vi nenhum vulto sinistro subir as escadarias para seu quarto. Se me permite, "<< terrível! >>" << experimentando >> .


<< silêncio >>


<< prendendo a respiração >>


<< descorando >>


- Ricardo << soluços de um choro irreprimível entrecortando essa fala >> , não sei como dizer isso, não sei se você acreditaria, não sei nem se eu mesmo consigo acreditar! Não posso mais te servir de apoio, consolo, proteção. Pois acabo de ver esse ser abissal, que agora também (sinto) me espreita, me aguarda, me agourenta.