O Gato Cinza de Olhos Azuis
1 - Hoje de manhã eu estava em outra cidade (Santa Branca). Antes de pegar o ônibus para São Paulo, vi no banco da rodoviária um gato cinza de olhos azuis. Um gato lindo, ainda muito jovem (provavelmente não tinha atingido a puberdade felina). Enquanto ele recebia sentado os raios de sol, virando o rosto, eu fiquei lendo seu futuro. O gato cinza de olhos azuis estava sozinho. Ele tinha que conseguir comida. Ele tinha que se virar. Ele era um gato enfiado num fim de mundo. Sem perspectivas. Imaginei-o agonizando após ter sido atropelado. Vida simples. Uma mulher ao meu lado na fila pra pegar o ônibus, como que lendo meu pensamento, disse: "Esse gato aí é bonito. Daqui a pouco alguém pega ele pra cuidar". Não resisti a fazer um carinho nele, que o recebeu de olhos fechados, um pouco por prazer, um pouco por causa da luz do sol. Eu queria vê-lo feliz. Eu queria dar leite a ele, e observá-lo beber (o gato abaixou a cabeça quando eu pensei isso). Eu que queria pegá-lo. Mas lembrei-me do ônibus, dos meus dois cachorros, da minha mãe, de mim mesmo. Deixei o gato lá e fui embora. Ainda tenho dúvidas sobre o destino do gato...
2 - Quando eu comprei minha passagem de ônibus, no bilhete estava indicada qual seria minha poltrona. Sentei, e o ônibus partiu, quase lotado. Logo no começo do caminho, o ônibus começou a parar em estações e pegar mais passageiros. Logo não havia assentos para todos. Algumas pessoas ficaram em pé ao longo da viagem. Uma delas, uma garota que olhava quase em minha direção. Um fiscal começou a conferir a passagem de todos os presentes. Tudo em ordem, todos tinham passagem. Inclusive as pessoas em pé. Será que não havia lugar marcado para as pessoas em pé? Elas viajariam em pé todo o trajeto? Teriam pago menos por suas passagens? Não, essa pergunta era irrelevante. Completamente irrelevante. O que me dava mais direitos do que a garota à minha frente? Por que eu estava sentado na minha cadeira reclinada enquanto ela estava de pé se segurando onde podia para não cair? Lembrei-me de uma vez que minha tia-avó teve que voltar de ônibus de Aiuruoca (Sul de Minas). Durante as primeiras uma hora e meia teve que ficar em pé. Pensei "E ninguém cedeu-lhe lugar?". O olhar resignado da garota em frente voltou a chamar minha atenção. Eu queria ceder-lhe meu lugar. Ao invés disso, esbocei umas desculpas na minha cabeça, virei para o lado e dormi. Por sorte não sonhei.
3 - Chegando em São Paulo, peguei o metrô. Perto do meu destino, eu estava sentado, e um homem estava em pé perto da porta. O trem parou na estação Vergueiro, e a voz feminina (de aspecto cansado) na caixa de som cantou o nome da estação. O homem perto da porta disse em voz alta: "Não é estação Verguero, sua idiota, é estação Vergueiro". Na estação Paraíso, onde eu e o homem íamos fazer baldeação, o vagão estava parando, ainda de portas fechadas, e o homem falava em voz alta "vai, caralho. Eu não tenho o dia todo, abre essa porra". Tudo que eu fiz foi simplesmente rir internamente.
4 - Almocei com minha mãe em um restaurante por quilo na Augusta. Lá contei a ela das pessoas que conheci no dia anterior, e de como suas vidas eram diferentes da minha, como se minha vida inteira eu tivesse passado dentro de uma bolha de proteção. Eu achei isso positivo pra mim. Sempre fui incentivado a ler. Tinha muitos livros em casa. Minha mãe me levava em livrarias. Eu via meus pais lendo. Tive uma educação boa desde a pré escola. E uma educação liberal. Meu amigo, que mora em Santa Branca, adora livros. Mas não tem muitos, então acaba lendo o mesmo livro até 7 vezes. Uma amiga, que mora em São José dos Campos, contou-me de sua professora de inglês. Deu aula em apenas três dias do ano. Depois disse "eu só faltei o que era permitido". A professora substituta tinha que se virar. Mandava a classe ler um texto qualquer e traduzir. Minha amiga pedia para um amigo fazer pra ela.
5 - O motivo de ter voltado tão cedo de Santa Branca era assistir à aula do "Centro de Formação de Condutores A". Então, após ter almoçado com minha mãe, peguei um ônibus. Perto do ponto final, um garoto (até bem vestido - vestia uma camiseta da marca "Cavalera" (a que eu vestia também era dessa "grife")) fazia malabarismos com bolas de tênis (em São Paulo isso é bem comum - tem em todas as principais esquinas). Tinha o olhar virado para as bolas, mas não completamente concentrado. O cobrador do ônibus virou-se para a janela para observar o garoto. Então sorriu, com um olhar amoroso para o garoto. Quase paternal. Eu observava os dois através de meus óculos escuros. (Me emocionei, mas logo tive que sair do ônibus).
6 - Antes de entrar na sala de aula, falei com o rapaz da recepção que tinha esquecido um casaco lá na sexta feira. (e na sexta feira antes de entrar na aula eu peguei a apostila "formação de condutores" que havia esquecido na quinta). O rapaz me levou para uma sala onde ele tinha guardado o casaco (era um casaco preto mais velho do que eu). Depois de me entregar, ele disse "só esqueceu o casaco por que fez calor. É igual com guarda-chuva. Se pára de chover a gente esquece". Retribuí seu sorriso e entrei na aula.
7 - A aula era sobre primeiros-socorros. A professora falava sobre como era importante prevenir-se ao tocar um corpo ensangüentado. Com o risco de contrair, por exemplo, Aids (10% de chance se a pessoa tiver o vírus, de acordo com a professora), era melhor, na ausência de luvas, colocar as mãos por dentro de uma camisinha. Quanto ela disse isso boa parte da classe riu. Para se entrar no curso, é necessário ser maior de dezoito anos. Ainda assim as pessoas não estão familiarizadas com o termo "camisinha". Essa era uma reação que eu me lembro bem na primeira série do primário. E ainda se perguntam como que a AIDS continua se alastrando? (Resposta: falta de informação, SIM).
8 - A aula continuou, morbidamente. Cacos de vidro fincados nos olhos. Queimaduras de terceiro grau. Membros empalados. Hemorragia. Pedaços cortados fora. A professora contava casos... sabendo que nenhum de nós ia realmente prestar socorro às vítimas. Mas se nós soubéssemos do processo, poderíamos evitar que coisas erradas fossem feitas à pessoas acidentadas. Se uma garota perdeu a mão, ela irá sangrar até a morte. Se nós colocarmos compressas de pano na mão, ainda assim ela ia sangrar até a morte. A vida da pessoa seria salva apenas se usássemos um "torniquete" (pano amarrado de maneira tão forte que impediria circulação sanguínea na região). Mas, nesse caso, a pessoa muito provavelmente acabaria tendo o braço todo amputado. Então, como ela quer sair ganhando, ela iria nos processar por fazer o "torniquete" nela. E nós teríamos de pagar indenização. A aula continuou nesse clima. Eu estava quase passando mal. A professora fazia uma ou outra piadinha ao longo da aula, e algumas pessoas riam (provavelmente as mesmas que riram da camisinha). A professora estava acostumada com essas pessoas. E como professora, teve contato com muitas pessoas dos mais diferentes tipos, dos menos diferentes tipos. E essas pessoas contavam casos pra ela. E ela contava os casos à gente. Mas nem todos os casos que ela contava eram casos contados pra ela. Ela pôde conhecer pessoalmente muitas situações, pois havia feito um trabalho no corpo de bombeiros e no Hospital das Clínicas.
9 - Esse caso a professora acompanhou ao longo dos meses. A dona-de-casa tinha um filho pequeno. Estava fervendo água para fazer café quando tocou a campainha. Enquanto atendia, o filho curioso esticou os pezinhos para alcançar o fogão, e deixou cair a água fervendo em cima dele. No rosto, no peito, na virilha. O filho chorava, então a mãe, por desinformação e para aliviar a dor, jogou pó de café em cima do filho. A cafeína, como todos os estimulantes, alivia a dor. Então, chegando no hospital, os médicos tiveram que fazer uma "raspagem" no garoto, isto é, passar uma lixa na carne exposta para retirar o pó de café de cima do garoto. É, obviamente, um processo extremamente doloroso. Então o garoto ficou lá no hospital, um mês e meio, mais ou menos, até se recuperar da queimadura (deformado até o resto da vida). No entanto, os médicos não puderam dar alta ao garoto, pois ele tinha febre. O garoto ficou em tratamento antibiótico, mas a febre sempre voltava. Cada vez mais alta. Três meses em febre, até que a temperatura aumentou para 42ºC, ocasionando a morte do garoto. Infecção generalizada. Porque a mãe havia jogado pó de café no garoto. Nesse momento a professora estava com os olhos vermelhos. Eu também. No Brasil muita gente morre ou fica deformada por falta de informação. A professora ainda contou outros casos, de bebês que morreram porque tiveram sangramento nasal e a mãe colocou a cabeça dele pra cima (quando eu tinha sangramento nasal também faziam isso comigo). Bebês que morreram sufocados pela mãe ao amamentar. Um garoto que teve uma queimadura agravada por conta da pasta de dentes que a mãe colocou no local. Destinado a ser um "monstrinho" sem amigos, sem namorada, deformado pro resto da vida porque a mãe era ignorante. Outro caso: garoto atropelado do lado do hospital. A mãe desesperada pega o garoto no colo e sai correndo pro hospital. O garoto tinha uma fratura exposta na perna. Quando a tia viu uma coisinha contra a calça de moletom do garoto, levantou-a. A mãe levou um susto com a visão da perna aberta e deixou o garoto cair no chão. Do lado do hospital...
E a aula não acabava. E eu não queria mais aquilo. Eu era mais feliz antes de saber tudo aquilo. Eu olho para o gato cinza de olhos azuis e quero chorar. Mas ele não chora. Eu tenho dó do gato cinza de olhos azuis. E gostaria, como gostaria, que o gato cinza de olhos azuis tivesse dó de mim também. Só assim eu poderia saber que ele é feliz... feliz como eu fui antes de conhecê-lo. O gato cinza de olhos azuis é, sim, capaz de derramar uma lágrima pelo outro. A aula acabou. As pessoas conversavam normalmente, trocando sorrisos. O gato cinza de olhos azuis é incapaz de derramar uma lágrima por si mesmo. Quem um dia me disse que os gatos têm nove vidas?
obs: a explicação sobre a inversão de intenção/consequência fica adiada mais uma vez para o próximo "post". Perdoem-me pelos erros ortográficos do texto “A República da Hipocrisia”. Comentários: deixem aqui ou mandem-me um e-mail - abramo6@estadao.com.br
2 - Quando eu comprei minha passagem de ônibus, no bilhete estava indicada qual seria minha poltrona. Sentei, e o ônibus partiu, quase lotado. Logo no começo do caminho, o ônibus começou a parar em estações e pegar mais passageiros. Logo não havia assentos para todos. Algumas pessoas ficaram em pé ao longo da viagem. Uma delas, uma garota que olhava quase em minha direção. Um fiscal começou a conferir a passagem de todos os presentes. Tudo em ordem, todos tinham passagem. Inclusive as pessoas em pé. Será que não havia lugar marcado para as pessoas em pé? Elas viajariam em pé todo o trajeto? Teriam pago menos por suas passagens? Não, essa pergunta era irrelevante. Completamente irrelevante. O que me dava mais direitos do que a garota à minha frente? Por que eu estava sentado na minha cadeira reclinada enquanto ela estava de pé se segurando onde podia para não cair? Lembrei-me de uma vez que minha tia-avó teve que voltar de ônibus de Aiuruoca (Sul de Minas). Durante as primeiras uma hora e meia teve que ficar em pé. Pensei "E ninguém cedeu-lhe lugar?". O olhar resignado da garota em frente voltou a chamar minha atenção. Eu queria ceder-lhe meu lugar. Ao invés disso, esbocei umas desculpas na minha cabeça, virei para o lado e dormi. Por sorte não sonhei.
3 - Chegando em São Paulo, peguei o metrô. Perto do meu destino, eu estava sentado, e um homem estava em pé perto da porta. O trem parou na estação Vergueiro, e a voz feminina (de aspecto cansado) na caixa de som cantou o nome da estação. O homem perto da porta disse em voz alta: "Não é estação Verguero, sua idiota, é estação Vergueiro". Na estação Paraíso, onde eu e o homem íamos fazer baldeação, o vagão estava parando, ainda de portas fechadas, e o homem falava em voz alta "vai, caralho. Eu não tenho o dia todo, abre essa porra". Tudo que eu fiz foi simplesmente rir internamente.
4 - Almocei com minha mãe em um restaurante por quilo na Augusta. Lá contei a ela das pessoas que conheci no dia anterior, e de como suas vidas eram diferentes da minha, como se minha vida inteira eu tivesse passado dentro de uma bolha de proteção. Eu achei isso positivo pra mim. Sempre fui incentivado a ler. Tinha muitos livros em casa. Minha mãe me levava em livrarias. Eu via meus pais lendo. Tive uma educação boa desde a pré escola. E uma educação liberal. Meu amigo, que mora em Santa Branca, adora livros. Mas não tem muitos, então acaba lendo o mesmo livro até 7 vezes. Uma amiga, que mora em São José dos Campos, contou-me de sua professora de inglês. Deu aula em apenas três dias do ano. Depois disse "eu só faltei o que era permitido". A professora substituta tinha que se virar. Mandava a classe ler um texto qualquer e traduzir. Minha amiga pedia para um amigo fazer pra ela.
5 - O motivo de ter voltado tão cedo de Santa Branca era assistir à aula do "Centro de Formação de Condutores A". Então, após ter almoçado com minha mãe, peguei um ônibus. Perto do ponto final, um garoto (até bem vestido - vestia uma camiseta da marca "Cavalera" (a que eu vestia também era dessa "grife")) fazia malabarismos com bolas de tênis (em São Paulo isso é bem comum - tem em todas as principais esquinas). Tinha o olhar virado para as bolas, mas não completamente concentrado. O cobrador do ônibus virou-se para a janela para observar o garoto. Então sorriu, com um olhar amoroso para o garoto. Quase paternal. Eu observava os dois através de meus óculos escuros. (Me emocionei, mas logo tive que sair do ônibus).
6 - Antes de entrar na sala de aula, falei com o rapaz da recepção que tinha esquecido um casaco lá na sexta feira. (e na sexta feira antes de entrar na aula eu peguei a apostila "formação de condutores" que havia esquecido na quinta). O rapaz me levou para uma sala onde ele tinha guardado o casaco (era um casaco preto mais velho do que eu). Depois de me entregar, ele disse "só esqueceu o casaco por que fez calor. É igual com guarda-chuva. Se pára de chover a gente esquece". Retribuí seu sorriso e entrei na aula.
7 - A aula era sobre primeiros-socorros. A professora falava sobre como era importante prevenir-se ao tocar um corpo ensangüentado. Com o risco de contrair, por exemplo, Aids (10% de chance se a pessoa tiver o vírus, de acordo com a professora), era melhor, na ausência de luvas, colocar as mãos por dentro de uma camisinha. Quanto ela disse isso boa parte da classe riu. Para se entrar no curso, é necessário ser maior de dezoito anos. Ainda assim as pessoas não estão familiarizadas com o termo "camisinha". Essa era uma reação que eu me lembro bem na primeira série do primário. E ainda se perguntam como que a AIDS continua se alastrando? (Resposta: falta de informação, SIM).
8 - A aula continuou, morbidamente. Cacos de vidro fincados nos olhos. Queimaduras de terceiro grau. Membros empalados. Hemorragia. Pedaços cortados fora. A professora contava casos... sabendo que nenhum de nós ia realmente prestar socorro às vítimas. Mas se nós soubéssemos do processo, poderíamos evitar que coisas erradas fossem feitas à pessoas acidentadas. Se uma garota perdeu a mão, ela irá sangrar até a morte. Se nós colocarmos compressas de pano na mão, ainda assim ela ia sangrar até a morte. A vida da pessoa seria salva apenas se usássemos um "torniquete" (pano amarrado de maneira tão forte que impediria circulação sanguínea na região). Mas, nesse caso, a pessoa muito provavelmente acabaria tendo o braço todo amputado. Então, como ela quer sair ganhando, ela iria nos processar por fazer o "torniquete" nela. E nós teríamos de pagar indenização. A aula continuou nesse clima. Eu estava quase passando mal. A professora fazia uma ou outra piadinha ao longo da aula, e algumas pessoas riam (provavelmente as mesmas que riram da camisinha). A professora estava acostumada com essas pessoas. E como professora, teve contato com muitas pessoas dos mais diferentes tipos, dos menos diferentes tipos. E essas pessoas contavam casos pra ela. E ela contava os casos à gente. Mas nem todos os casos que ela contava eram casos contados pra ela. Ela pôde conhecer pessoalmente muitas situações, pois havia feito um trabalho no corpo de bombeiros e no Hospital das Clínicas.
9 - Esse caso a professora acompanhou ao longo dos meses. A dona-de-casa tinha um filho pequeno. Estava fervendo água para fazer café quando tocou a campainha. Enquanto atendia, o filho curioso esticou os pezinhos para alcançar o fogão, e deixou cair a água fervendo em cima dele. No rosto, no peito, na virilha. O filho chorava, então a mãe, por desinformação e para aliviar a dor, jogou pó de café em cima do filho. A cafeína, como todos os estimulantes, alivia a dor. Então, chegando no hospital, os médicos tiveram que fazer uma "raspagem" no garoto, isto é, passar uma lixa na carne exposta para retirar o pó de café de cima do garoto. É, obviamente, um processo extremamente doloroso. Então o garoto ficou lá no hospital, um mês e meio, mais ou menos, até se recuperar da queimadura (deformado até o resto da vida). No entanto, os médicos não puderam dar alta ao garoto, pois ele tinha febre. O garoto ficou em tratamento antibiótico, mas a febre sempre voltava. Cada vez mais alta. Três meses em febre, até que a temperatura aumentou para 42ºC, ocasionando a morte do garoto. Infecção generalizada. Porque a mãe havia jogado pó de café no garoto. Nesse momento a professora estava com os olhos vermelhos. Eu também. No Brasil muita gente morre ou fica deformada por falta de informação. A professora ainda contou outros casos, de bebês que morreram porque tiveram sangramento nasal e a mãe colocou a cabeça dele pra cima (quando eu tinha sangramento nasal também faziam isso comigo). Bebês que morreram sufocados pela mãe ao amamentar. Um garoto que teve uma queimadura agravada por conta da pasta de dentes que a mãe colocou no local. Destinado a ser um "monstrinho" sem amigos, sem namorada, deformado pro resto da vida porque a mãe era ignorante. Outro caso: garoto atropelado do lado do hospital. A mãe desesperada pega o garoto no colo e sai correndo pro hospital. O garoto tinha uma fratura exposta na perna. Quando a tia viu uma coisinha contra a calça de moletom do garoto, levantou-a. A mãe levou um susto com a visão da perna aberta e deixou o garoto cair no chão. Do lado do hospital...
E a aula não acabava. E eu não queria mais aquilo. Eu era mais feliz antes de saber tudo aquilo. Eu olho para o gato cinza de olhos azuis e quero chorar. Mas ele não chora. Eu tenho dó do gato cinza de olhos azuis. E gostaria, como gostaria, que o gato cinza de olhos azuis tivesse dó de mim também. Só assim eu poderia saber que ele é feliz... feliz como eu fui antes de conhecê-lo. O gato cinza de olhos azuis é, sim, capaz de derramar uma lágrima pelo outro. A aula acabou. As pessoas conversavam normalmente, trocando sorrisos. O gato cinza de olhos azuis é incapaz de derramar uma lágrima por si mesmo. Quem um dia me disse que os gatos têm nove vidas?
obs: a explicação sobre a inversão de intenção/consequência fica adiada mais uma vez para o próximo "post". Perdoem-me pelos erros ortográficos do texto “A República da Hipocrisia”. Comentários: deixem aqui ou mandem-me um e-mail - abramo6@estadao.com.br

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