Dose semanal
Post escrito dia 3/2/2005, quando ainda não tinha internet:
Encomeço: Depois de um longo período (uma semana) de abstinência dessa droga chamada "blog", resolvi cumprir minha promessa de posts semanais mesmo não tendo internet. São 7:20 da noite, o Sol já se pôs (ou melhor, a Terra já se pôs de costas ao Sol no lugar onde estou), ouço barulho de crianças e meu primo no telefone ao fundo. Estou no quarto de um outro primo, escrevendo no computador mais potente que já usei na vida, olhando ao redor posso ver a bagunça pela qual sou responsável. Por que estou dizendo todas essas coisas desimportantes? Sei lá, não encontrei explicação lógica plausível. Meu objetivo era estabelecer de alguma maneira uma ponte com o que eu pretendo falar (escrever, digitar), mas não consegui. Então pulemos toda essa enrolação.
Fiz uma viagem de formatura do terceiro colegial para Porto Seguro, onde me deparei com o auge da mediocridade da minha geração. É uma viagem que apenas os privilegiados financeiramente podem fazer, e durante as "temporadas", lota a cidade baiana (que de Bahia não tem nada) com seus sonhos vazios, que são exemplificados ao limite pela frase de uma ex-colega, quando em uma "balada" over-cara aqui em São Paulo mesmo (eu falo "aqui" mas eu estou em São Carlos): "Que bom que a vida fosse só isso...". Agora, passando para a vida universitária, imaginando encontrar pessoas mais adultas, me deparo com as mesmas crianças de Porto Seguro, com sua recepção "calourosa" (trote) que expõe novamente seus sonhos vazios e sua ideologia machista. Sinto muito os que ficam ofendidos com isso. Todos, mesmo as pessoas mais inteligentes, mais sensatas que encontrei, me disseram "aproveite o trote", coisas do tipo. Mas é impossível aproveitar de maneira sincera o trote. Para quem não sabe, eis a explicação dO QUE É O TROTE: Trote é a exaltação, dentro de um ambiente supostamente educativo, da maneira cartesiano-militar de vida. Não mais do que isso. No trote aprendemos a obedecermos e sermos humilhados pelos veteranos que assim decidirem. Nele aprendemos que o coletivo é mais importante do que nós mesmos, mas que o coletivo é o que os veteranos pensam e não pode ser contestado. É claro que tem um lado bom no trote: colocados em uma situação de submissão e ausência de autonomia, acaba ficando muito mais fácil não sermos tímidos e fazermos amizade com as pessoas ao nosso redor. Não estou sendo irônico, o trote incentiva sim a amizade. O que contesto aqui é que, para isso, não seria necessário reduzir os "bixos" a bixos. Minha dica para os que um dia passarão por isso (a USP é legal, eu recomendo): Vocês não precisam aproveitar o trote. Mas finjam que aproveitaram. Se um veterano olhar para você, esboce um sorriso hipócrita e uma cara de "amo muito tudo isso". Mas aproveite sinceramente a oportunidade de conhecer pessoas.
Enmeio: Mas nem tudo é carnaval nessa tentativa frustrada de bacanal que é a semana inicial da faculdade - ainda existe luz no fim do túmulo: umas 4 palestras optativas abertas aos 3000 graduandos do Campus São Carlos da USP. Palestras que discutem opressão (inclusive o machismo desse campus composto 98% de homens, facilmente perceptível pelo concurso "miss bixete"), democracia, etc, com 1% de presença (sim, a cada uma das palestras compareceram 30 alunos em média). Essas palestras me provaram que existem alunos sérios, realmente interessados em mudar o mundo, ou ao menos compreendê-lo. Mesmo que a maior parte deles sejam extremistas de esquerda dogmáticos que são tão preconceituosos quanto os que pretendem atacar. Mas o que importa é que essas palestras todas foram organizadas por alunos, ou seja, eu tenho o poder de mudar o mundo através das organizações do centro acadêmico - e existem muitas possibilidades, desde artísticas até políticas.
Em tudo isso ainda existe mais um lado B (om): TODOS os dias (ou melhor, noites), sem exceção, em algum lugar dessa cidade (às vezes em mais de um lugar ao mesmo tempo) existe uma festa. E as festas são abertas a todos.
Mas uma coisa me assustou quanto ao meu curso: uma palestra de um banana formado em mecatrônica (ou algo assim), dizendo que é necessário estudar mas também é necessário trabalhar o lado político, pois as amizades que fazemos aqui determinam muito de nosso sucesso profissional. Um homem que faz amigos para ganhar dinheiro e ainda se diz "de sucesso" - esta aí um profissional que eu não quero ser.
Enfim: Espero que vocês continuem a visitar meu blog semanalmente, "na metida do possível" atualizarei essa página, enviem e-mails para abramo6@estadao.com.br, comentem, rotulem, trepem, etc.
Encomeço: Depois de um longo período (uma semana) de abstinência dessa droga chamada "blog", resolvi cumprir minha promessa de posts semanais mesmo não tendo internet. São 7:20 da noite, o Sol já se pôs (ou melhor, a Terra já se pôs de costas ao Sol no lugar onde estou), ouço barulho de crianças e meu primo no telefone ao fundo. Estou no quarto de um outro primo, escrevendo no computador mais potente que já usei na vida, olhando ao redor posso ver a bagunça pela qual sou responsável. Por que estou dizendo todas essas coisas desimportantes? Sei lá, não encontrei explicação lógica plausível. Meu objetivo era estabelecer de alguma maneira uma ponte com o que eu pretendo falar (escrever, digitar), mas não consegui. Então pulemos toda essa enrolação.
Fiz uma viagem de formatura do terceiro colegial para Porto Seguro, onde me deparei com o auge da mediocridade da minha geração. É uma viagem que apenas os privilegiados financeiramente podem fazer, e durante as "temporadas", lota a cidade baiana (que de Bahia não tem nada) com seus sonhos vazios, que são exemplificados ao limite pela frase de uma ex-colega, quando em uma "balada" over-cara aqui em São Paulo mesmo (eu falo "aqui" mas eu estou em São Carlos): "Que bom que a vida fosse só isso...". Agora, passando para a vida universitária, imaginando encontrar pessoas mais adultas, me deparo com as mesmas crianças de Porto Seguro, com sua recepção "calourosa" (trote) que expõe novamente seus sonhos vazios e sua ideologia machista. Sinto muito os que ficam ofendidos com isso. Todos, mesmo as pessoas mais inteligentes, mais sensatas que encontrei, me disseram "aproveite o trote", coisas do tipo. Mas é impossível aproveitar de maneira sincera o trote. Para quem não sabe, eis a explicação dO QUE É O TROTE: Trote é a exaltação, dentro de um ambiente supostamente educativo, da maneira cartesiano-militar de vida. Não mais do que isso. No trote aprendemos a obedecermos e sermos humilhados pelos veteranos que assim decidirem. Nele aprendemos que o coletivo é mais importante do que nós mesmos, mas que o coletivo é o que os veteranos pensam e não pode ser contestado. É claro que tem um lado bom no trote: colocados em uma situação de submissão e ausência de autonomia, acaba ficando muito mais fácil não sermos tímidos e fazermos amizade com as pessoas ao nosso redor. Não estou sendo irônico, o trote incentiva sim a amizade. O que contesto aqui é que, para isso, não seria necessário reduzir os "bixos" a bixos. Minha dica para os que um dia passarão por isso (a USP é legal, eu recomendo): Vocês não precisam aproveitar o trote. Mas finjam que aproveitaram. Se um veterano olhar para você, esboce um sorriso hipócrita e uma cara de "amo muito tudo isso". Mas aproveite sinceramente a oportunidade de conhecer pessoas.
Enmeio: Mas nem tudo é carnaval nessa tentativa frustrada de bacanal que é a semana inicial da faculdade - ainda existe luz no fim do túmulo: umas 4 palestras optativas abertas aos 3000 graduandos do Campus São Carlos da USP. Palestras que discutem opressão (inclusive o machismo desse campus composto 98% de homens, facilmente perceptível pelo concurso "miss bixete"), democracia, etc, com 1% de presença (sim, a cada uma das palestras compareceram 30 alunos em média). Essas palestras me provaram que existem alunos sérios, realmente interessados em mudar o mundo, ou ao menos compreendê-lo. Mesmo que a maior parte deles sejam extremistas de esquerda dogmáticos que são tão preconceituosos quanto os que pretendem atacar. Mas o que importa é que essas palestras todas foram organizadas por alunos, ou seja, eu tenho o poder de mudar o mundo através das organizações do centro acadêmico - e existem muitas possibilidades, desde artísticas até políticas.
Em tudo isso ainda existe mais um lado B (om): TODOS os dias (ou melhor, noites), sem exceção, em algum lugar dessa cidade (às vezes em mais de um lugar ao mesmo tempo) existe uma festa. E as festas são abertas a todos.
Mas uma coisa me assustou quanto ao meu curso: uma palestra de um banana formado em mecatrônica (ou algo assim), dizendo que é necessário estudar mas também é necessário trabalhar o lado político, pois as amizades que fazemos aqui determinam muito de nosso sucesso profissional. Um homem que faz amigos para ganhar dinheiro e ainda se diz "de sucesso" - esta aí um profissional que eu não quero ser.
Enfim: Espero que vocês continuem a visitar meu blog semanalmente, "na metida do possível" atualizarei essa página, enviem e-mails para abramo6@estadao.com.br, comentem, rotulem, trepem, etc.

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