11/03/2005

O intertexto no hipertexto (8/3/5)

Já imaginou como eram as coisas antes dos livros? As pessoas transmitiam conhecimento oralmente. Isso significava que ao longo da vida uma pessoa adquiria conhecimento e construía a si mesma, porém, sua existência estava atrelada ao contato que tinha com as outras. Ou seja, a pessoa era finita e instantânea. As gerações iam aos poucos deteriorando a imagem do indivíduo, até que não restasse nada a não ser suposições. Depois inventaram o registro (livro), de modo que uma pessoa podia adquirir conhecimento e transmitir-se através da escrita. Sendo assim, uma pessoa era finita e momentânea, podendo perdurar algumas gerações, e se fosse alguém importante, duraria mais (com baixíssimas probabilidades de se tornar eterna, como Sófocles). Então houve a grande revolução: a imprensa. Agora uma pessoa podia transmitir-se através de livroS, podendo ser múltipla e eterna. O acesso aos livros era maior. Mais pessoas guardariam o indivíduo. Agora, séculos depois, chegamos ao próximo passo: o "hipertexto" (se bem que meu estilo "clean" com raros links ou imagens poderia até ser chamado de "hipotexto"...). Com o hipertexto podemos ser mais do que múltiplos e eternos: somos infinitos e eternos. Não sei se já mencionei isso anteriormente, mas a internet é o mais próximo que temos da idéia de Deus - onipotente e onipresente. Fazendo parte dela torno-me uma partícula de Deus (alias, "Partículas de Deus" é o nome de um livro que trata exatamente disso - ficção, mas com interessantes aplicações na vida real, com frases que têm um quê de Bernard Shaw, misturado talvez com algo de Lord Henry WOTTON (mas ninguém supera Henry Wotton - senão meu blog seria www.shaw.blogspot.com)). Pois é, esse meu blog perpetua meu "eu 18 anos" - daqui algum tempo relerei esses textos e saberei quem fui (essa é uma dúvida que eu sempre tive em relação a outras idades).
Intertexto é muito bom mas já teve seu tempo. Anacronismo meu. Agora darei notícias da vida política na universidade. Lembram-se de quando eu falei que havia 1% de presença nas palestras politizantes/politizadas? Agora passei a fazer parte de um grupo chamado TOD@S - Coletivo contra opressões. É o mesmo grupo que trouxe os palestrantes que discorreram sobre descriminação por gênero (aliás, escrevo nos 20 minutos finais do Dia Internacional da Mulher, parabéns a todas vocês! (o blog só vai ser atualizado depois - sem internet fica difícil)), opressão contra a diversidade sexual e preconceito racial. Dos 3000 estudantes de graduação da USP de São Carlos, quantos fazem parte do grupo? Acertou quem chutou 0,2% (pra quem fez a conta direitinho deve ter dado 6 estudantes - isso contando eu). Ao menos pude ter o alívio de saber que não são militantes da extrema esquerda (ufa! discussão sem dogmas nem prepotência é muito melhor). Pois hoje me despeço cedo, (a)guardando assunto para o outro dia que está por vir (e apenas o que ainda não é que acaba). abramo6@estadao.com.br - esse é o meu e-mail mesmo, não se avexe e escreva-me (ou no mínimo, NO MÍNIMO, comente o blog... é tão simples!).

Obs: Apesar de parecer, eu não fiquei mais de uma semana sem escrever para o blog. Eu fiquei é sem atualizá-lo. Mas agora que tenho internet (11/3/2005) isso não irá se repetir.