Prezado Prazer:
Outro dia andando na faculdade à noite uma coruja acompanhou-me do ar por um não tão breve período de tempo. Quando a vi, pensei: "que legal!", mas pouco depois me veio um medo instintivo. A coruja me olhava como se eu fosse sua presa. Da mesma maneira, quando estou andando na rua e um cachorro decide me acompanhar, uma de minhas primeiras reações é um ligeiro temor. Uma vez na praia (em Porto Seguro), fui perseguido por um cachorro. De início eu não queria fugir dele. Mas não havia tempo para decidir se era melhor esperar ou correr: ele vinha correndo em minha direção. Em qualquer outra situação, EU poderia ser o predador: aquela coruja serviria um belo (embora não tão farto) churrasco. O cachorro também (nunca acreditei naquela história sobre pulmão de cachorro). E nesses casos, mesmo que ele olhasse para mim, eu não seria capaz de sentir medo. Entretanto, não sendo um apreciador de carne de coruja (Porque não? Não sei, nunca experimentei), aquele olhar me desencadeou um medo instintivo de presa. Quem sabe um dia não possa eu me livrar desse aspecto irracional de minha personalidade? Espero um dia poder desfrutar plenamente do prazer submisso, do prazer passivo, do lânguido prazer da presa.

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