Animais Gigantescos!
É incrível essa fascinação que nós sentimos por animais gigantescos, que sempre vemos nas diversas formas de arte e nos filmes de Hollywood. Inspirado por novos ídolos, os participantes de um movimento chamado nacionalismo musical, ocorrido na Europa (Oriental, principalmente), que buscavam inspiração no folclore tradicional, acabei encontrando uma variedade de histórias que envolvem animais gigantescos. Então rebuscando nesses contos de fadas, encontrei um que pretendo compartilhar com vocês leitores do Blog (depois de toda essa demora a atualizá-lo, creio que o único leitor agora sou eu. Mas me sinto mais confortável dessa forma para escrever o que quero).
Uma camponesa muito, mas muito bonita morava com seus pais numa aldeiazinha da Europa. Era uma vez e ela se chamava Vitória, por causa da enorme dificuldade que teve sua mãe ao pari-la. Tinha cabelos da cor do ouro, olhos do azul mais penetrante à luz do sol, do verde mais gramíneo à luz de velas e de um castanho claro como mel à luz da lua. Sua tez era de alvura quase ofuscante, embora as maçãs de seu rosto fossem da cor de... ora, maçãs! (maduras). Era conhecida em sua aldeia por ser a jovem mais honrada, que nunca traía sua palavra. Em virtude de sua moral elevada, era sempre procurada para ouvir os problemas da população local, que a estimava muito.
Aconteceu de sua aldeia ser invadida por um grupo de bandidos, que entre roubos e estupros acabaram ouvindo falar da linda jovem, a quem decidiram seqüestrar. Mas os bandidos foram sobreescutados por um camponês que estava escondido, e que logo foi avisar Vitória, com quem tinha uma relação fraternal.
Os pais de Vitória mandaram-na esconder-se na Caverna dos Duzentos Anos, que tinha esse nome porque fazia muito tempo que ninguém entrava lá. Mas ela não devia entrar muito fundo, pois ninguém sabia que espécie de perigo habitava aquele lugar.
Vitória estava entrando na caverna quando foi avistada por um dos bandidos, que logo recolheu um bando para vasculhar a caverna em busca da bela camponesa.
Vendo as tochas ao olhar para trás, Vitória foi obrigada a penetrar cada vez mais fundo na caverna. Até que caiu num buraco, machucando a perna. Quando se levantou estava tudo escuro e silencioso. Foi quando ouviu uma voz, grave, rouca, áspera e sussurrada:
-Quem é que veio à minha casa, depois de tanto tempo, e por que motivo?
-Sou Vitória, moro na aldeia ao lado, e venho aqui fugindo de terríveis bandidos que querem me seqüestrar.
-Vejo que está mancando, além de perdida. Proponho um acordo: eu faço com que os bandidos desistam de te procurar, e em troca você dormirá entre meus braços esta noite.
-Ajude-me e dormirei em seus braços esta noite. Mas como pretende me ajudar?
- Tenho aqui ao meu lado um antigo cadáver de uma linda mulher, que conservou-se quase intacto devido à pureza do lugar. Tire suas roupas e vista-as no cadáver. Então o empurre para perto de onde você caiu. Quando os bandidos chegarem pensarão que você está morta.
Vitória assim o fez.
-Aproxime-se, minha doce Vitória, e cumpra o que prometeu.
Vitória foi se aproximando, até que se viu envolvida por gigantescos braços fortes e peludos. Então viu uma luz se aproximando. Logo pôde ver um bandido "encontrando seu corpo" e levando-o aos companheiros. Entretanto, a luz da tocha também permitiu a Vitória ver que se encontrava entre as presas de uma gigantesca aranha negra. Seu grito foi logo abafado, de modo que os bandidos não puderam ouvir. Quando estava tudo silencioso novamente, Vitória se desvencilhou das presas, mas não tinha mais forças para fugir e caiu no chão.
-Não vai cumprir o que prometeu?
Vitória começou a chorar. Não podia trair o pacto que havia feito, pois tinha aprendido a amar a si mesma mais do que sua própria vida.
-Se você for uma pessoa honesta, irá se dirigir à minha cama, à sua direita, e logo lhe acompanharei.
Vitória caminhou à sua direita, e logo se viu emaranhada numa firme teia, sem poder se mover. Sua companheira se aproximou, e voltou a envolvê-la em suas patas.
-Pelo amor dos deuses, acabe logo com isso! - gritou em prantos.
-Passei centenas de anos sofrendo em minha fome e solidão. E isso acaba hoje.
Entretanto a aranha nada fez a não ser passar a noite com a vitória nas mãos. e Vitória passou a pior noite de sua vida, acordada, temendo e sofrendo. Eventualmente o sono a envolveu, povoado de sonhos ruins. Quando acordou, não estava mais amarrada e dormia abraçada a uma outra linda mulher, de cabelos ruivos como seus olhos, e pele branca como a sua. Quando sua companheira acordou, logo começou a falar:
- Meu nome é Sattiva, e essa é minha história: Nasci há muito tempo, num reino que já não existe mais. Era uma mulher muito bela, mas que não possuía nenhuma outra qualidade. Apaixonei-me por Adisha, uma jovem princesa que era a mais perfeita mulher durante a noite, mas que se transformava numa terrível feiticeira, Yudggadal, ao raiar do Sol. Como só nos víamos durante a noite, eu não sabia disso, até o momento em que nos prolongamos por mais tempo, até o fim da madrugada. Yudggadal chorava e lançava várias maldições a tudo que via. Culpou-me por sua infelicidade, disse-me que ter passado a noite com Adisha havia sido um crime inaceitável por qualquer outra pessoa (que não eu e Adisha), e transformou-me em um horrível monstro. A maldição só se quebraria quando se provasse o contrário. Logo em seguida promoveu uma caçada à "terrível aranha gigante". Tive que me esconder na Gruta Esquecida (esse era o nome da caverna então). Quando o Sol se pôs, Adisha veio me visitar na caverna. Passamos a noite juntas, chorando. Quando o dia estava prestes a nascer, Adisha se desesperou e cometeu suicídio antes que eu pudesse acordar. Tendo sido transformada em um monstro, não conseguia me matar, por mais que tentasse. Então passei dezenas, talvez centenas de anos esperando, faminta, ao lado do corpo de minha amada. Você quebrou a maldição, e foi minha por uma noite. Em agradecimento serei sua por uma noite, e depois serei livre novamente.
Sattiva e Vitória foram felizes então naquele momento. Fim.
